Catecismo Romano · Da Oração

Capítulo 6

A quem devemos orar

A quem devemos orar

I Rezar a Deus

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Antes de tudo, devemos orar a Deus, e invocar o Seu Nome. Isto é um ditame do senso natural, gravado no coração do homem. Não se trata somente de uma norma dada pela Sagrada Escritura, enquanto nos inculca aos ouvidos a ordem expressa de Deus: “Invocai-Me no dia da tribulação”. Pelo Nome de Deus, é claro, subentendemos as três Pessoas Divinas.

II Rezar aos santos

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Em segundo lugar, recorremos ao valimento dos Santos que estão nos céus. A obrigação de invocá-los é doutrina tão assente na Igreja de Deus, que os bons cristãos dela não poderão duvidar em hipótese alguma. Em se tratando, porém, de uma matéria já explicada em outro lugar, para lá remetemos os párocos e outros interessados. Entretanto, para afastar os espíritos de qualquer erro, valerá a pena esclarecer o povo cristão sobre a diferença entre o invocar a Deus e o invocar os Santos.

III Diferença entre a oração a Deus e a oração aos Santos

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Realmente, a Deus e aos Santos, não os invocamos da mesma maneira. Pois a Deus pedimos que Ele mesmo nos conceda favores ou nos livre de males. Aos Santos, por serem válidos de Deus, suplicamos que advoguem a nossa causa, e nos alcancem de Deus tudo quanto necessitamos. Por isso mesmo, empregamos duas fórmulas de oração, distintas em seu gênero. A Deus dizemos com propriedade: “Tende compaixão de nós! Ouvi-nos!” Aos Santos, porém: “Rogai por nós!”

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Sem embargo, podemos em certo sentido pedir aos próprios Santos que tenham compaixão de nós, porque eles são muito misericordiosos. Podemos, por conseguinte, rogar-lhes que se compadeçam de nossa angústia, e nos valham junto a Deus, com a sua amizade e intercessão. Neste particular, o que muito importa a todos é não atribuirmos a nenhum Santo o que só a Deus compete.

IV Como rezar o Pai-Nosso em honra de um Santo

Ainda mais. Quando recitamos a Oração Dominical, diante da imagem de algum Santo, devemos fazê-lo na intenção de pedir-lhe que o reze conosco; que nos ajude a alcançar o que se contém na fórmula da Oração Dominical; que seja afinal nosso intérprete e intercessor perante Deus. São João, no Apocalipse, ensina que os Santos, de fato, desempenham esse ministério.

Fonte
Tradução de Frei Leopoldo Pires Martins, OFM — Editora Vozes, Petrópolis, 1951. Transcrição revisada a partir do PDF de referência do Serviço de Animação Eucarística Mariana.