Catecismo Romano · Da Oração

Capítulo 5

Por quem devemos orar

Por quem devemos orar

I Pedir por todos sem exceção

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Depois de saber o que se há de pedir, é preciso que o povo fiel saiba também por quem deve rezar. Ora, na prece distinguimos entre a petição e a ação de graças. Por isso, falaremos da petição em primeiro lugar. Devemos, pois, pedir por todos, sem nenhuma ressalva de malquerença, raça e religião. Cada qual é nosso próximo, seja ele inimigo, forasteiro ou descrente. Devemos amá-lo de acordo com o Preceito de Deus, e por isso mesmo devemos rezar por ele, o que constitui um ofício da caridade. Aqui tem lugar a admoestação do Apóstolo: “Peço encarecidamente, que se façam orações por todos os homens”. Em tal oração, devemos pedir em primeiro lugar os bens necessários à salvação da alma, e depois os bens que correspondem às exigências materiais do corpo.

1 Pelos pastores espirituais

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Esse ofício da oração devemos, antes de tudo, exercê-lo em favor dos pastores de almas, conforme o que nos sugere uma atitude do Apóstolo. Escreveu aos Colossenses rezassem por ele, para Deus lhe abrir uma porta à sua pregação. No mesmo sentido, apelou também aos Tessalonicenses. E os Atos dos Apóstolos narram por sua vez: “A Igreja não cessava de fazer orações” por Pedro. No seu Livro sobre a vida cristã, São Basílio nos fala por igual dessa obrigação. “Devemos orar, diz ele, pelos que administram a palavra da verdade”.

2 Pelos governantes

Em segundo lugar, devemos rezar pelos governantes. É doutrina do mesmo Apóstolo. Com efeito, ninguém ignora quanto lucra o bem público, quando nossos governantes são piedosos e justos. Devemos, por conseguinte, pedir a Deus que sejam, como devem ser todos aqueles que são postos a governar os seus semelhantes.

3 Pelos bons e piedosos

Ensinam-nos ainda os exemplos dos Santos que devemos rezar também pelas pessoas boas e piedosas. Elas precisam igualmente da oração dos outros. Deus assim o dispôs, para não caírem na soberba, porquanto reconhecem que não podem prescindir da oração de pessoas menos adiantadas na virtude.

4-5 Pelos inimigos e pelos que estão separados da Igreja

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Além disso, o Senhor mandou-nos rezar por aqueles que nos “perseguem e caluniam”. Uma tradição abonada por Santo Agostinho faz remontar aos Apóstolos o costume de se oferecer orações e sacrifícios pelos que estão fora da Igreja: para que os infiéis consigam a fé; que os idólatras se livrem de suas ímpias aberrações; que os Judeus, dissipadas as trevas de seu espírito, recebam a luz da verdade; que os hereges retornem ao bom-senso, e aprendam os princípios da doutrina católica; que os cismáticos, apartados da comunhão da Santíssima Mãe Igreja, voltem a unir-se com ela, pelo vínculo da verdadeira caridade. A grande eficácia destas orações, que de bom grado se fazem na intenção de tais homens, provam-na muitos exemplos de pessoas de todas as condições, que Deus diariamente arranca do poder das trevas, para as colocar no Reino de Seu Filho diletíssimo, transformando-as, de vasos de cólera, em vasos de misericórdia. E ninguém pode honestamente duvidar que para isso muito contribuem as orações dos justos.

6 Pelas almas do Purgatório

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As orações que se fazem pelos defuntos, a fim de livrá-los do fogo do Purgatório, constituem uma prática já instituída pelos Apóstolos. Porém, sobre este ponto já dissemos o que se fazia mister no tratado do Sacrifício da Missa.

7 Pelos impenitentes

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De outro lado, as orações e sacrifícios dificilmente aproveitarão aos que, por assim dizer, pecam para a morte eterna. Não obstante, é próprio da caridade cristã pedir também por eles, e instar, entre lágrimas, para que Deus se deixe aplacar e lhes faça misericórdia.

Corolário As maldições contra os ímpios

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As maldições, que homens virtuosos lançam contra os ímpios, devemos tomá-las, na opinião dos Santos Padres, como predições de futuros castigos, que cairão sobre os pecadores, ou como invectivas contra o próprio pecado, para lhes destruir a força, e salvar ao mesmo tempo os pecadores.

II Agradecer por todos os benefícios

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No que diz respeito à segunda espécie de oração, devemos agradecer a Deus, quanto estiver em nossas forças, pelos Seus imensos benefícios, quais sempre dispensou e continua a dispensar, todos os dias, ao gênero humano. De modo particular, cumprimos este dever de ação de graças quando louvamos a Deus por causa de todos os Santos, pelas gloriosas vitórias que, mediante a bondade divina, puderam alcançar contra todos os inimigos, tanto internos como externos.

Corolário A Ave-Maria, como petição e ação de graças

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Desta natureza é a primeira parte da Saudação Angélica, quando a recitamos como oração: “Ave, Maria, cheia de graça: O Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres”. Com tais palavras, rendemos a Deus os maiores louvores e ações de graças, que Lhe são devidas, por ter cumulado a Santíssima Virgem com a plenitude de todos os dons celestiais; e ao mesmo tempo gratulamos a própria Virgem pela sua inigualável bem-aventurança. Com muito acerto, a Santa Igreja de Deus ajuntou a esta ação de graças, orações e súplicas à Santíssima Mãe de Deus, pelas quais recorremos a Ela com fervorosa confiança, para que pela sua intercessão nos reconcilie com Deus, e nos alcance as graças de que havemos mister nesta vida terrena e na outra eterna. Portanto, nós que vivemos neste vale de lágrimas, como degredados filhos de Eva, devemos invocar assiduamente a Mãe de misericórdia e Advogada do povo cristão, para que rogue por nós, pecadores. Por meio dessa prece, havemos de implorar o seu auxílio e assistência, pois seus méritos são de máximo valor aos olhos de Deus, e absoluta é também a sua decisão de socorrer o gênero humano. Disso ninguém pode duvidar, a não ser por despudorada impiedade.

Fonte
Tradução de Frei Leopoldo Pires Martins, OFM — Editora Vozes, Petrópolis, 1951. Transcrição revisada a partir do PDF de referência do Serviço de Animação Eucarística Mariana.