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A Bíblia · Vulgata Pereira de Figueiredo (1781)

A Sagrada Escritura

Setenta e três livros canônicos: quarenta e seis no Antigo Testamento, vinte e sete no Novo. Texto integral, pesquisável, com cada capítulo em sua própria página.

Antes de começar · uma carta

Sobre escolher uma Bíblia — e por que isto importa

Quem vos escreve é apenas um cristão como você. Sem cátedra, sem grau de teologia, sem autoridade alguma. Conta aqui uma experiência passada por ele mesmo, que não desejaria a outro — e por isso resolve registrá-la.

Quando me converti, fui direto comprar uma Bíblia. Pela Amazon, online, sem pensar muito: escolhi pela capa, pelo preço, pelas avaliações. Comecei pelo Gênesis, com a disciplina de quem está apaixonado, e fui avançando dia após dia.

Na metade do Antigo Testamento percebi que algo não fechava. Faltavam livros que eu via citados em outros lugares católicos — Tobias, Sabedoria, Macabeus. Fui investigar. Descobri que tinha comprado uma Bíblia protestante. Ninguém me avisou. Eu não sabia que precisava perguntar.

Não foi um erro grave — o que li ainda era a Palavra de Deus, e a Providência não desperdiça uma alma que abriu o livro. Mas faltavam sete livros inteiros do Antigo Testamento, mais passagens importantes de Ester e Daniel. A Igreja Católica os reconhece como inspirados desde os primeiros séculos. Os reformadores do século XVI os retiraram. Eu, recém-converso, ignorava tudo isso.

Esta página existe em parte para que outros não passem pelo mesmo. Aqui você encontra a Bíblia católica integral, em domínio público, gratuita. E logo abaixo, edições católicas modernas que recomendamos comprar — porque ter a Bíblia em casa, na estante, ao alcance da mão, marca uma vida.

Que ninguém comece a ler a Bíblia sem saber qual Bíblia tem nas mãos.

— de um cristão a outro
Edições recomendadas

Bíblias católicas para ter em casa

Lemos aqui o texto em domínio público. Mas uma Bíblia bem-feita, encadernada, na sua estante, é uma vida inteira de companhia. Estas são as edições católicas que recomendamos, com aprovação eclesiástica.

Capa da Bíblia Sagrada Ave-Maria — Edição Claretiana
Editora Ave-Maria

Bíblia Sagrada · Edição Claretiana

Edição clássica desde 1959, base de muitas paróquias brasileiras. Tradução do Pe. Maredsous (Centro Bíblico Católico). Capa Maria, capa dura.

Capa da Bíblia de Jerusalém — Edição Limitada
Paulus Editora

Bíblia de Jerusalém · Ed. Limitada

Edição erudita com extensas notas exegéticas da École Biblique. Padrão para estudo bíblico sério. Edição Limitada de 2023, capa dura, detalhes dourados.

Capa da Nova Bíblia Pastoral — Edição Sagrada Família
Paulus Editora

Nova Bíblia Pastoral

Texto acessível com introduções pastorais, popular em comunidades de base e catequese. Boa para grupos de estudo e leitura familiar. Edição Sagrada Família, capa dura.

Como afiliados Amazon Associates Brasil e Mercado Livre Afiliados, ganhamos uma pequena comissão por compras qualificadas, sem custo adicional para você. Indicamos apenas edições católicas com aprovação eclesiástica.

Livros marcados com ponto dourado e borda à esquerda são deuterocanônicos — presentes na Bíblia católica, ausentes nas traduções protestantes.

O cânon das Escrituras

Por que a Bíblia católica tem mais livros

A Bíblia católica e a Bíblia protestante têm o mesmo Novo Testamento, mas Antigos Testamentos diferentes. Entender por quê ajuda a escolher uma Bíblia — e a ler com mais profundidade.

Bíblia católica

73 livros

73

46 no Antigo Testamento · 27 no Novo Testamento. Inclui os sete livros deuterocanônicos e as adições gregas a Ester e Daniel.

Bíblia protestante

66 livros

66

39 no Antigo Testamento · 27 no Novo Testamento. Segue o cânon hebraico massorético, fixado pelo judaísmo rabínico após o nascimento da Igreja.

Os sete livros que a Bíblia protestante não tem

Tobias 14 capítulos · histórico
Judite 16 capítulos · histórico
1 Macabeus 16 capítulos · histórico
2 Macabeus 15 capítulos · histórico
Sabedoria 19 capítulos · sapiencial
Eclesiástico (Sirácide) 51 capítulos · sapiencial
Baruc 6 capítulos · profético

Por que a Igreja os reconhece

Os primeiros cristãos liam o Antigo Testamento na Septuaginta — a tradução grega usada em todo o Mediterrâneo do século III a.C. em diante. É a Septuaginta que Jesus cita, é a Septuaginta que os apóstolos pregam, é a Septuaginta que os Padres da Igreja comentam. E a Septuaginta inclui esses sete livros.

O Concílio de Hipona (393), o Concílio de Cartago (397) e o Papa Inocêncio I (405) já listavam os 73 livros como Escritura inspirada. Esta foi a Bíblia da Igreja por mais de mil anos.

Por que os reformadores os retiraram

No século XVI, Martinho Lutero escolheu seguir o cânon hebraico massorético — uma lista mais curta, fixada pelo judaísmo rabínico no final do primeiro século, depois que o cristianismo já havia se estabelecido. Lutero também tinha objeções doutrinais a passagens específicas (em 2 Macabeus 12, por exemplo, há clara referência à oração pelos mortos, fundamento da doutrina católica do Purgatório).

Em resposta à reforma, o Concílio de Trento (1546) solenemente reafirmou o cânon dos 73 livros, dogmaticamente, na Sessão IV. A Igreja não acrescentou nada — confirmou o que sempre tinha lido.

O que se perde sem eles

O leitor que pula os deuterocanônicos perde a história inteira da resistência macabaica e da Festa da Dedicação (Hanukkah, que Jesus celebra em João 10,22). Perde o Livro de Tobias, com o anjo Rafael e a primeira teologia explícita do matrimônio cristão. Perde a Sabedoria de Salomão, que prefigura tão claramente Cristo que muitos pensaram ser cristã quando descoberta. Perde o Eclesiástico, com seus elogios à misericórdia e ao temor do Senhor que a liturgia católica cita continuamente.

A Bíblia católica não tem livros a mais. A Bíblia protestante tem livros a menos. A diferença é histórica, doutrinal, e importa.