Catecismo Romano · Da Oração

Capítulo 4

Objeto da Oração

Objeto da Oração

I Norma geral para todas as petições

1 Pedir o que é lícito

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Como nas várias petições do Pai-Nosso se dirá, oportunamente, o que devemos e o que não devemos pedir, basta por ora advertir em geral os fiéis só peçam a Deus coisas justas e honestas. Do contrário, os que pedissem coisas fora de propósito, seriam repelidos com a resposta negativa: “Vós nem sabeis o que pedis”. Ora, o que podemos licitamente desejar, podemos também pedi-lo a Deus. Isto se demonstra naquela riquíssima promessa de Nosso Senhor: “Pedireis tudo quanto quiserdes, e ser-vos-á dado”. Ele promete, pois, conceder-nos todas as coisas.

2 Pedir condicionalmente

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Por conseguinte, como norma primordial, devemos referir nossos pedidos e desejos a Deus, que é o Sumo Bem, objeto de sumo amor e afeição. Depois, devemos desejar o que mais nos possa unir a Deus, ao mesmo tempo que eliminamos de nossos desejos e aspirações tudo quanto de fato nos separa d’Ele, ou pode provocar alguma separação. Por aqui se infere a maneira, pela qual devemos desejar os outros bens secundários, e pedi-los a Deus Nosso Pai, de acordo com a norma do Bem absoluto e perfeito.

a Os bens temporais

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Portanto, os bens corpóreos e externos, como saúde, robustez, formosura, riqueza, honra, glória, servem às vezes de ocasião e matéria para o pecado. Por isso, pode acontecer que não os pedimos de maneira agradável a Deus e útil à nossa salvação. Pedidos assim precisam conservar-se dentro de certos limites, pois só devemos pedir os regalos da vida, enquanto nos são necessários. Tal modo de pedir se mantém em justa relação com Deus. Na oração, é lícito pedirmos coisas, como Jacó e Salomão as pediram. Aquele dizia: “Se me der pão para comer, e roupa para vestir... o Senhor será o meu Deus”. Salomão falava nestes termos: “Dai-me somente o que for necessário para viver”.

3 Com desapego

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Já que a bondade de Deus nos proporciona uma condigna subsistência, é de justiça lembrar-nos daquela exortação do Apóstolo: “Os que adquirem, sejam como se não possuíssem; os que gozam dos bens deste mundo sejam como se não gozassem, porque passa a aparência deste mundo”. E também esta outra passagem: “Se afluírem as riquezas, não apegueis a elas o vosso coração”. Das riquezas somos apenas usufrutuários, ainda sob a condição de reparti-las com os outros, consoante a doutrina que aprendemos do próprio Deus. Pois, se gozamos de boa saúde, se nos sobejam os bens do corpo e da fortuna, nunca devemos esquecer que só nos foram dados, a fim de podermos servir melhor a Deus e partilhar tudo com o nosso próximo.

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Podemos também pedir os bens e prendas do espírito, como são as artes e as ciências, mas só com a ressalva de promoverem a glória de Deus e a nossa salvação.

4 Pedir incondicionalmente a glória de Deus

Como já dissemos, o que se pode desejar de maneira absoluta, sem nenhuma reserva e restrição, é a glória de Deus e tudo o mais que tenha o dom de nos unir ao nosso Bem Supremo, como se dá com a fé, o temor de Deus, e a caridade. Mas disso falaremos com mais demora, quando individuarmos as várias petições do Pai-Nosso.

Fonte
Tradução de Frei Leopoldo Pires Martins, OFM — Editora Vozes, Petrópolis, 1951. Transcrição revisada a partir do PDF de referência do Serviço de Animação Eucarística Mariana.