Catecismo Romano · Dos Mandamentos

Capítulo 4

Do Terceiro Mandamento

Do Terceiro Mandamento

I Importância deste Mandamento

1 Pelo nexo com os precedentes

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Este Preceito do Decálogo regula o culto externo, que devemos a Deus. Vem a propósito neste lugar, porque esse culto é, de certo modo, um fruto do Preceito anterior. De fato, não podemos deixar de render exteriormente culto e ação de graças Àquele que a fé e a esperança nos levam a venerar, amorosamente, no fundo do coração. Ora, como esse dever não pode ser facilmente cumprido, enquanto nos deixamos absorver por negócios e interesses humanos, foi marcado um tempo fixo, para que se possam comodamente satisfazer as obrigações do culto externo.

2 Pelo teor de suas palavras

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Em se tratando de um Preceito que traz admiráveis frutos e vantagens, será de máxima importância que o pároco tenha a mais apurada diligência em sua explicação. Para lhe inflamar o zelo e entusiasmo, há uma grande força expressa nas primeiras palavras do Mandamento: "Lembra-te". Como os fiéis devem lembrar-se deste Preceito, assim também deve o pároco trazer-lho à lembrança, por meio de freqüentes avisos e instruções. O quanto aproveita aos fiéis respeitar este Preceito, transparece do fato de que sua exata observância induz, mais facilmente, os fiéis a guardarem os outros Preceitos do Decálogo. Dentre as demais obrigações prescritas em dias santos, uma é reunirem-se os fiéis na igreja, para escutar a palavra de Deus. Assim, quando conhecerem plenamente as prescrições divinas, conseguirão também observar a Lei do Senhor de todo o coração. Por esse motivo, a Sagrada Escritura ordena muitas vezes a celebração e santificação do sábado, como nos é dado verificar no Êxodo, Levítico, Deuteronômio, nos profetas Isaías, Jeremias e Ezequiel. Em todos esses lugares se fala da obrigação de guardar o sábado.

3 Pela necessidade de cooperação dos poderes públicos

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Devem pois ser exortados os poderes públicos a coadjuvarem, com a sua autoridade, os pastores da Igreja, principalmente no que respeita à conservação e dilatação desse culto externo a Deus, e a mandarem ao povo que obedeça às determinações da jerarquia eclesiástica. Porém, na explicação deste Preceito, é preciso cuidar que os fiéis aprendam as semelhanças e as diferenças em relação aos outros Mandamentos. Assim reconhecerão também a razão determinante por que guardamos e santificamos já não o sábado, mas o domingo.

II Nexo com os outros Mandamentos

4 Pontos de diferença

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Como certa, deve considerar-se a diferença de que os demais Preceitos do Decálogo são naturais e perpétuos, e não podem de maneira alguma sofrer alteração. Por isso, não obstante a ab-rogação da Lei Mosaica, o povo cristão continua a observar todos os Preceitos que se contêm nas duas Tábuas. Tal acontece, não porque Moisés assim o mandasse, mas porque eles correspondem à própria natureza das coisas, cuja força intrínseca impele os homens a observá-los. O Preceito, porém, de observar o sábado, no que refere à determinação do tempo, não é fixo nem perpétuo, mas é passível de mudança. Não pertence aos Preceitos morais, mas antes às prescrições cerimoniais. Não faz parte tampouco da lei natural, porque não é a natureza que nos ensina e move a render culto externo a Deus nesse dia, de preferência a outro qualquer. O próprio povo de Israel só começou a celebrar o dia de sábado, a partir do tempo em que foi libertado da escravidão de Faraó.

5 Ab-rogação da observância judaica do sábado

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O tempo em que se devia ab-rogar a observância do sábado como tal, coincide com a época em que deviam também caducar os demais ritos e cerimônias hebraicas, quer dizer, por ocasião da Morte de Cristo. Essas cerimônias eram como que pálidas imagens da luz e da verdade. Força era, portanto, que desvanecessem ao raiar a própria luz e verdade, que é Jesus Cristo. Nesse sentido é que São Paulo escreveu aos Gálatas, repreendendo os que observavam o rito mosaico:"Observais os dias e os meses, os tempos e os anos. Receio, pois, ter trabalhado entre vós inutilmente". A mesma declaração fez ele na epístola aos Colossenses. Tanto basta dizer acerca da diferença.

6 Pontos comuns

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Há, neste Preceito, pontos comuns com os restantes, não pelos seus ritos e cerimônias, mas pelo que também se liga à moral e à lei natural. Pois, pelo teor deste Preceito, o culto a Deus e a observância da Religião tiram sua origem do direito natural, porque a própria natureza nos induz a empregar algumas horas ao culto externo de Deus. Em prova desta asserção, verificamos que todos os povos estabelecem determinadas festas, de caráter público, destinadas a piedosas práticas de Religião. Para o homem, é natural consagrar algum tempo às funções da vida orgânica, como seja repouso corporal, sono, e outras coisas semelhantes. Assim também corresponde à natureza, que o homem conceda à sua alma algum tempo, como faz para o corpo, a fim de que ela possa restaurar suas forças no trato íntimo com Deus. Desde que deve reservar-se um tempo à ocupação com as coisas divinas e ao culto devido a Deus, é indubitável que o presente Preceito faz parte da Lei Moral.

7 Instituição do Dia do Senhor

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Por esse motivo, resolveram os Apóstolos consagrar ao culto divino o primeiro dos sete dias da semana ao qual chamaram "Dia do Senhor". No Apocalipse, São João já menciona o "Dia do Senhor", e o Apóstolo determina se façam as coletas no "primeiro dia depois do sábado", que é o dia de domingo, conforme a interpretação de São João Crisóstomo. Isso nos dá a entender que já então se santificava o dia de Domingo. Agora, para os fiéis saberem o que, nesse dia, devem fazer ou deixar de fazer, será oportuno que o pároco cuide de explicar todo o Preceito, palavra por palavra, o qual pode acertadamente dividir-se em quatro partes.

III Primeira Cláusula

8 O sentido do "Lembra-te"

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Primeiro, dar-se-á o sentido exato da prescrição:"Lembra-te de santificar o sábado". De caso pensado se colocou de início a palavra "Lembra-te", para indicar que a celebração desse dia, precisamente, pertence às leis cerimoniais. Parecia de bom aviso advertir o povo a respeito, visto que a lei natural, ensinando a necessidade de se tomar um tempo para o culto externo de Deus, não prescreve, taxativamente, em que dia deve ser prestado. Além disso, sejam os fiéis esclarecidos de que de tal expressão se pode também coligir a maneira de trabalhar durante toda a semana. Pois, tendo sempre diante dos olhos o domingo como o dia em que, de certo modo, devemos dar contas a Deus de nossas ações e trabalhos, havemos forçosamente de cumprir tais obrigações, de maneira que não sejam reprovadas pelo juízo de Deus, nem nos sejam ocasião para "soluços e sobressaltos do coração". Afinal, a expressão nos ensina também uma coisa que devemos certamente levar em conta. É que não faltarão ocasiões de esquecermos este Preceito, quer movidos pelo exemplo daqueles que o menosprezam, quer arrastados pelo amor de espetáculos e divertimentos. Por via de regra, são estas coisas que nos desviam da santa e piedosa celebração deste dia. Mas passemos então a explicar o significado da palavra "sábado".

9 Significação do termo "sábado"

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Sábado é um termo hebraico que, em vernáculo, quer dizer cessação de trabalho. Por isso, sabadear significa parar e descansar. Através dessa significação, o "sétimo dia" veio a chamar-se sábado, porquanto "Deus", depois de concluir e aperfeiçoar o mundo universo, "descansou de toda a obra que tinha feito". E por tal nome é que o Senhor chama esse dia no Êxodo. Mais tarde, devido à sua importância, designou-se com o mesmo nome não só o sétimo dia, mas também a semana inteira. Nesse sentido, declarava o fariseu no Evangelho de São Lucas: "Eu jejuo duas vezes aos sábados". Tanto se diga sobre a significação da palavra "sábado".

10 Sentido do verbo "santificar"

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Pela Sagrada Escritura, a santificação do sábado está em largar os trabalhos corporais e interesses temporais, conforme o evidenciam as seguintes palavras do Preceito: "Nenhuma obra farás". Esta não é, todavia, a sua única significação, pois do contrário bastaria a declaração do Deuteronômio: "Guarda o dia do sábado". No mesmo lugar, porém, se acrescenta: "para o santificares", mostrando esta expressão que o dia de sábado é de caráter religioso, consagrado ao culto divino e aos santos exercícios da Religião. Por conseguinte, celebramos o dia de sábado com a máxima perfeição, se cumprirmos para com Deus os deveres de piedade e religião. Assim temos realmente um sábado, a que Isaías chama "deleitoso", porque os dias festivos constituem, por assim dizer, as delícias do Senhor e dos homens religiosos. Se a esta santa e piedosa celebração do sábado acrescentarmos as obras de misericórdia, muito grandes e copiosos serão certamente os prêmios que, no mesmo capítulo, nos são prometidos.

11 Recapitulação

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Portanto, o sentido próprio e verdadeiro deste Mandamento é que o homem se aplique, de corpo e alma, ao cuidado de prestar piedoso culto a Deus, conservando-se livre, em tempo determinado, de ocupações e trabalhos corporais.

IV Segunda cláusula

12 O sábado reservado ao culto de Deus

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Na segunda parte do Preceito, mostra-se que o sétimo dia foi reservado ao culto de Deus, por instituição divina, pois assim rezam as Escrituras: "Seis dias trabalharás, e farás todas as tuas obras. O sétimo dia, porém, é o Sábado do Senhor teu Deus". O sentido destas palavras é que devemos considerar o sábado como consagrado ao Senhor, tributando-Lhe nesse dia atos de religião, tomando o sétimo dia como um memorial do descanso do Senhor.

13 Necessidade de fixar um dia

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Foi designado esse dia para o culto divino, porque não convinha deixar ao critério de um povo mal avisado a livre escolha do tempo, porque iria talvez imitar as festas dos Egípcios. Portanto, dos sete dias se escolheu o último para o culto de Deus, e esta determinação está cheia de mistério. Esta é a razão por que o Senhor lhe chama de sinal, no Êxodo e no Profeta Ezequiel. "Tomai cuidado em guardar o Meu Sábado, porque é um sinal entre Mim e vós, através de vossas gerações, para que saibais que Eu sou o Senhor, que vos santifico".

14 O Sétimo Dia como memorial

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Era pois um sinal, porque indicava aos homens a necessidade de se consagrarem a Deus, e de se santificarem para Ele. Santo é esse dia, por ser a ocasião principal em que os homens devem cultivar a santidade e a religião. Depois, é um sinal e como que um monumento desta admirável criação do Universo. Era, ainda, um sinal gravado na consciência dos Israelitas, para se lembrarem de que, por mercê de Deus, foram para sempre libertados da duríssima escravidão do Egito. É o que o Senhor prova com a solene afirmação: "Lembra-te de que tu mesmo foste escravo no Egito, e que de lá te tirou o Senhor teu Deus, com mão vigorosa e com braço armado. Por isso, Ele te mandou observar o sábado". Enfim, era também um sinal do sábado espiritual, bem como do sábado celestial.

15 Sábado espiritual

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Ora, o sábado espiritual consiste numa espécie de santo e místico repouso que se goza, quando o velho homem, sepultado com Cristo, ressuscita para uma vida nova, esmerando-se em práticas que são próprias da vida cristã. Porquanto, "os que outrora eram trevas, e agora são luz no Senhor", devem "andar como filhos da luz... em toda a bondade, justiça e verdade... e não tomar parte nas infrutuosas obras das trevas".

16 Sábado celestial

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Como diz São Cirilo, explicando a passagem do Apóstolo: "Para o povo de Deus, há pois a perspectiva de um repouso sabático" - o sábado celestial vem a ser aquela vida em que, vivendo com Cristo, gozaremos de todos os bens, após a total extirpação do pecado, de acordo com a palavra da Escritura: "Ali não haverá leão, nem por lá passará fera alguma"; mas "ali há de haver um caminho limpo, e chamar-se-á estrada santa". Na visão de Deus, a alma dos Santos logra todos os bens, pelo que o pároco deve exortar os fiéis e instá-los com as palavras: "Façamos empenho por entrar naquele descanso".

17 Outros dias festivos entre os judeus

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Além do sétimo dia, tinha o povo judaico outros dias festivos e santificados, que foram instituídos por Lei Divina. Sua finalidade era manter sempre viva a lembrança de insignes benefícios.

18 Escolha do domingo

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A Igreja de Deus, porém, achou conveniente transferir para o domingo a solene celebração do sábado. Assim como nesse dia começou a brilhar a luz para o mundo universo, assim também nossa vida foi retirada das trevas para a luz, em virtude da Ressurreição de Nosso Salvador, realizada naquele mesmo dia, e que nos franqueou os umbrais da vida eterna. Por isso, quiseram os Apóstolos fosse ele chamado "domingo". Vemos também, pela Sagrada Escritura, que esse dia é memorável, pois nele teve início a criação do mundo, e nele foi comunicado o Espírito Santo aos Apóstolos.

19 Instituição dos Dias Santos

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Desde o início da Igreja, e nos tempos posteriores, os Apóstolos e nossos santos Chefes instituíram outros dias festivos, para que celebrássemos, com amor e devoção, a lembrança dos benefícios divinos. Entre eles, consideram-se, como os mais insignes, os dias que são consagrados ao culto divino, por causa dos Mistérios de nossa Redenção. Depois, os dias comemorativos da Santíssima Virgem Mãe, dos Apóstolos, dos Mártires e outros Santos, que reinam com Cristo. Pela exaltação de sua vitória, glorificamos a bondade e o poder de Deus, a eles mesmos tributamos as honras devidas, e o povo cristão é levado à imitação de suas virtudes.

20 O preceito do trabalho

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Para a sua observância, é de grande alcance uma cláusula do próprio Preceito, a qual se reveste das palavras seguintes: "Seis dias farás as tuas obras; porém o sétimo dia é o Sábado de Deus". Aqui está a razão por que o pároco deve esmerar-se na explicação desta parte. Destas palavras pode ele inferir a obrigação de exortar os fiéis a que não façam uma vida ociosa e despreocupada; pelo contrário, que, lembrando-se do conselho do Apóstolo, tenha cada qual sua ocupação, e trabalhe de suas próprias mãos, conforme ele mesmo havia ordenado. Além disso, manda o Senhor, em virtude deste Preceito, fazer nossos trabalhos nesses seis dias, e não deixar para o dia santo nenhum dos trabalhos e obrigações, que devem recair nos outros dias da semana, para que assim o nosso espírito se não distraia do fervoroso culto às coisas da Religião.

V Terceira cláusula

21 Aspecto negativo do Preceito

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Agora vem a explicação da terceira parte do Preceito, que descreve mais de perto a maneira pela qual devemos celebrar o dia de sábado. Expõe-se, de preferência, o que nesse dia nos é proibido fazer. Pois, diz o Senhor: "Não farás nesse dia trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu animal de carga, nem o forasteiro que estiver dentro de tuas portas". Estas palavras nos ensinam, antes de tudo, a evitar categoricamente o que possa, de qualquer maneira, impedir a prática do culto divino. É fácil reconhecer que se proíbe toda a espécie de obra servil, não porque seja indecorosa e má por natureza, mas porque distrai nosso espírito do culto a Deus, que é o fim determinado pelo Preceito. Muito mais, ainda, devem os fiéis evitar pecados [nesse dia], pois estes não só desviam o espírito da ocupação com as coisas divinas, mas também nos apartam totalmente do amor a Deus.

22 Trabalhos não proibidos

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No entanto, não se proíbem serviços e trabalhos, embora servis, que pertencem ao culto divino, como preparar o altar, ornamentar a igreja para um dia de festa, e outras ocupações semelhantes.

23 Trabalhos necessários não proibidos

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Não devemos também julgar que este Preceito proíba obras servis, cuja omissão em dia santo acarretaria prejuízo. Assim o permitem as próprias leis eclesiásticas. Nosso Senhor, no Evangelho, declarou que se podem fazer muitas outras coisas em dias santificados. O pároco verá facilmente quais são, nos Evangelhos de São Mateus e São João.

24 Trabalho dos animais

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Para não omitir nada que possa tolher a celebração do sábado, menciona-se o "animal de carga", pois que o uso de tais animais impede aos homens a celebração do sábado. Quando se emprega um animal para serviço em dia de sábado, torna-se também necessária a ação do homem para dirigir o animal, porquanto este não pode prestar serviço por si mesmo, mas só ajuda no trabalho que o homem executa. Ora, nesse dia ninguém deve trabalhar, nem tampouco os animais que os homens empregam para o serviço. Esta prescrição do Mandamento tem ainda outra finalidade. Se Deus quer que se poupem os animais no trabalho, com mais razão devem os homens evitar de serem desumanos para com seus semelhantes, cujo talento e esforço aproveitam para si mesmos.

25 Aspecto positivo: as obrigações aos domingos

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Não deve o pároco descuidar-se de bem explicar quais são as obras e atividades, que os cristãos devem desenvolver nos dias santos. São as seguintes: visitar o templo de Deus, para ali assistir ao Sacrifício da Missa com sincera e verdadeira devoção; receber com freqüência os Santos Sacramentos da Igreja, instituídos para a nossa salvação, a fim de curarem as feridas de nossa alma. De fato, os cristãos nada farão de melhor e mais proveitoso do que confessar freqüentemente seus pecados aos sacerdotes. Para tal fim poderá o pároco exortar o povo, tirando as razões e argumentos da matéria que, em seu lugar, foi explicada e definida, acerca do Sacramento da Penitência. Todavia, não se contentará de convidar o povo a que receba este Sacramento, mas exortá-lo também à freqüente recepção do sacrossanto Sacramento da Eucaristia. Depois, é obrigação dos fiéis ouvirem a prédica com zelosa atenção. Nada é mais condenável, nem mais indigno, do que desprezar as palavras de Cristo, ou escutá-las com negligência. Além do mais, devem os fiéis adestrar-se na fervorosa prática da oração e louvor a Deus. Seja sua maior preocupação aprender, cuidadosamente, as regras da vida cristã, exercer-se nas obrigações da caridade, dando esmolas aos pobres e necessitados, visitando os enfermos, consolando os tristes e os oprimidos pela dor. Pois, como diz São Tiago, "a religião pura e imaculada perante Deus Pai é esta: socorrer os órfãos e as viúvas em sua tribulação". Do exposto, facilmente podemos inferir quais são as contravenções que se cometem contra a norma deste Preceito.

VI Motivação do Preceito

26 Necessidade, para o pároco, de estudar a fundo a matéria

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É também obrigação do pároco ter à mão certos autores, dos quais possa tirar razões e argumentos, com o fito principal de levar o povo a cumprir, com o maior zelo e exatidão, o que se impõe neste Preceito. Para isso, muito contribui, se o povo vir e reconhecer, plenamente, quanto é justo e razoável que haja certos dias consagrados integralmente ao culto divino, nos quais professamos, adoramos e veneramos a Nosso Senhor, de quem temos recebido imensos e inumeráveis benefícios. Se Ele nos tivesse mandado tributar-Lhe todos os dias um culto religioso, não deveríamos, em atenção aos Seus máximos e incalculáveis benefícios para conosco, fazer todos os esforços de nossa parte, para obedecermos à Sua vontade, com alegria e prontidão? Ora, sendo poucos os dias instituídos para o Seu culto, não há razão de sermos descuidados e vagarosos no cumprir uma obrigação, que não podemos omitir sem culpa gravíssima.

27 É sublime e vantajoso

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Passe o pároco a demonstrar como é grande o efeito deste Mandamento, porquanto os que são fiéis em cumpri-lo parecem estar na presença de Deus e entreter-se com Ele. Pois, quando nos entregamos à oração, contemplamos a majestade de Deus, e privamos com Ele; quando escutamos os pregadores, recebemos a voz de Deus, a qual chega aos nossos ouvidos por intermédio daqueles, que santa e piedosamente anunciam as coisas divinas. E no Sacrifício do Altar, adoramos a presença de Cristo Nosso Senhor. Ora, de todos estes bens se tornam participantes aqueles antes de tudo que cumprem zelosamente este Preceito.

28 É fácil de cumprir, e munido de graves sanções

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Os que desprezam formalmente este Preceito, não obedecendo a Deus nem à Igreja, são inimigos de Deus e de Suas santas Leis. Isto se torna evidente, porque este Preceito é de tal natureza, que pode ser observado sem nenhum sacrifício. Ora, Deus não nos impõe trabalhos - que aliás, deveríamos aceitar por amor a Ele, fossem embora os mais difíceis - mas, pelo contrário, ordena-nos de ficar tranqüilos e livres de preocupações temporais. Seria, pois, sinal de grande temeridade rejeitar a obrigação imposta por este Preceito. Devem servir-nos de exemplo os castigos que Deus infligiu contra os violadores deste Preceito, como vemos pela leitura do Livro dos Números. Para não incorrermos nessa cólera de Deus, vale a pena recordar muitas vezes as palavras "Lembra-te", ponderando maduramente os frutos e as vantagens que resultam da observância dos dias festivos, como acima foi declarado. E muitas outras ideias atinentes ao assunto, um pároco bom e zeloso pode amplamente desenvolvê-las, na medida que se apresenta o momento oportuno.

Fonte
Tradução de Frei Leopoldo Pires Martins, OFM — Editora Vozes, Petrópolis, 1951. Transcrição revisada a partir do PDF de referência do Serviço de Animação Eucarística Mariana.