Similiter et mulieres subditæ sint viris suis: ut etsi qui non credunt verbo, per mulierem conversationem sine verbo lucrifiant:
Igualmente as mulheres sejam também sujeitas a seus maridos: Para que se ainda alguns há, que não crêem na palavra, sejam estes ganhados pela boa vida de suas mulheres sem o socorro da palavra.
2
considerantes in timore castam conversationem vestram.
Considerando a vossa santa vida, que é em temor.
3
Quarum non sit extrinsecus capillatura, aut circumdatio auri, aut indumenti vestimentorum cultus:
Não seja o adorno destas o exterior enfeite dos cabelos riçados, ou as guarnições de renda de ouro, ou a gala da compostura dos vestidos:
4
sed qui absconditus est cordis homo, in incorruptibilitate quieti, et modesti spiritus, qui est in conspectu Dei locuples.
Mas o homem que está escondido no coração, em incorruptibilidade de um espírito pacífico e modesto, que é rico diante de Deus.
5
Sic enim aliquando et sanctæ mulieres, sperantes in Deo, ornabant se, subjectæ propriis viris.
Porque assim é que noutro tempo se adornavam até as santas mulheres, que esperavam em Deus, estando sujeitas a seus próprios maridos.
6
Sicut Sara obediebat Abrahæ, dominum eum vocans: cujus estis filiæ benefacientes, et non pertimentes ullam perturbationem.
Como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe Senhor: Da qual vós sois filhas, fazendo bem, e não temendo perturbação alguma.
7
Viri similiter cohabitantes secundum scientiam, quasi infirmiori vasculo muliebri impartientes honorem, tamquam et cohæredibus gratiæ vitæ: ut non impediantur orationes vestræ.
Do mesmo modo vós, maridos, coabitai com elas, segundo a ciência, tratando-as com honra, como um vaso mais fraco e como co-herdeiras da graça da vida: Para que as vossas orações não tenham impedimento.
8
In fine autem omnes unanimes, compatientes fraternitatis amatores, misericordes, modesti, humiles:
E finalmente sede todos de um mesmo coração, compassivos, amadores da irmandade, misericordiosos, modestos, humildes:
9
non reddentes malum pro malo, nec maledictum pro maledicto, sed e contrario benedicentes: quia in hoc vocati estis, ut benedictionem hæreditate possideatis.
Não deis mal por mal, nem maldição por maldição, mas pelo contrário bendizei-os: Pois para isto fostes chamados, para que possuais a bênção por herança.
10
Qui enim vult vitam diligere, et dies videre bonos, coërceat linguam suam a malo, et labia ejus ne loquantur dolum.
Porque o que quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não profiram engano.
11
Declinet a malo, et faciat bonum: inquirat pacem, et sequatur eam:
Aparte-se do mal, e faça o bem: Busque paz, e vá após dela.
12
quia oculi Domini super justos, et aures ejus in preces eorum: vultus autem Domini super facientes mala.
Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos aos rogos deles: Mas o rosto do Senhor está sobre os que fazem mal.
13
Et quis est qui vobis noceat, si boni æmulatores fueritis?
E quem é que vos poderá fazer mal, se vós fordes zelosos pelo bem?
14
Sed et si quid patimini propter justitiam, beati. Timorem autem eorum ne timueritis, et non conturbemini.
E também se alguma coisa padeceis pela justiça, sois bem-aventurados. Portanto não temais as ameaças deles, e não vos turbeis.
| 15 Mas santificai a Cristo Senhor nosso em vossos corações, aparelhados sempre pará responder a todo o que vos pedir razão daquela esperança que há em vós
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
15
Dominum autem Christum sanctificate in cordibus vestris, parati semper ad satisfactionem omni poscenti vos rationem de ea, quæ in vobis est, spe.
Mas santificai a Cristo Senhor nosso em vossos corações, aparelhados sempre para responder a todo o que vos pedir razão daquela esperança que há em vós.
16
Sed cum modestia, et timore, conscientiam habentes bonam: ut in eo, quod detrahunt vobis, confundantur, qui calumniantur vestram bonam in Christo conversationem.
Mas com modéstia, e com temor, tendo uma boa consciência: Para que no que dizem mal de vós, sejam confundidos os que desacreditam a vossa santa conversação em Cristo.
17
Melius est enim benefacientes (si voluntas Dei velit) pati, quam malefacientes.
Porque melhor é fazendo bem (se Deus assim o quiser) padecerdes vós, que fazendo mal.
18
Quia et Christus semel pro peccatis nostris mortuus est, justus pro injustis, ut nos offerret Deo, mortificatus quidem carne, vivificatus autem spiritu.
Porque também Cristo uma vez morreu pelos nossos pecados, o Justo pelos injustos, para nos oferecer a Deus, sendo sim morto na carne, mas ressuscitado pelo espírito.
19
In quo et his, qui in carcere erant, spiritibus veniens prædicavit:
No qual ele também foi pregar aos espíritos que estavam no cárcere,
20
qui increduli fuerant aliquando, quando exspectabant Dei patientiam in diebus Noë, cum fabricaretur arca: in qua pauci, id est octo animæ, salvæ factæ sunt per aquam.
que noutro tempo tinham sido incrédulos, quando nos dias de Noé esperavam a paciência de Deus, enquanto se fabricava a Arca: Na qual poucas pessoas, isto é, somente oito se salvaram no meio da água.
21
Quod et vos nunc similis formæ salvos fecit baptisma: non carnis depositio sordium, sed conscientiæ bonæ interrogatio in Deum per resurrectionem Jesu Christi.
O que era uma figura do batismo de agora, que também vos salva: Não a purificação das imundícies da carne, mas a promessa de boa consciência para com Deus pela ressurreição de Jesus Cristo:
22
Qui est in dextera Dei, deglutiens mortem ut vitæ æternæ hæredes efficeremur: profectus in cælum subjectis sibi angelis, et potestatibus, et virtutibus.
Que está à direita de Deus depois de haver absorvido a morte, para que fôssemos herdeiros da vida eterna: Tendo subido ao Céu, sujeitos a ele os anjos, e as potestades, e as virtudes.
Deus os avisava do castigo iminente, para se arrependerem e emen- darem da sua má vida, e que conforme a exposição que vamos seguindo, com efeito, ao verem sobre si o castigo do Dilúvio, co- nheceram o êrro, e antes de morrerem submergidos fizeram peni- tência e conseguiram misericórdia, servindo-lhes o Dilúvio como de batismo para se salvarem quanto às almas, não todos, mas al- guma parte, verificando-se assim dos que pereceram no dilúvio, o que Davi no Salmo 77, 34, diz dos que morreram castigados no Deserto: Cun occideret eos, quaerebant eum. “Quando Deus os matava, eles o buscavam”. — Pereira
ESPERAVAM A PACIÊNCIA DE DEUSIsto é, quando esperavam que Deus os sofresse sem os castigar. Esta, é a lição da Vulgata: Quando espectabant Dei patientiam; porém o Gre- go diz às avessas: Quando expectabat Dei patientias; “Quando a paciência de Deus os esperava”. . E assim mesmo liam nos seus Códices Latinos, S. Jerônimo, Santo Agostinho e o outro antigo escritor no Livro contra Varimado, que hoje se crê ter sido Vir- gilio de Tapsa. E assim mesmo o trazia o missal romano da primeira correção de Clemente VIII, na Epístola da sexta feira da Páscoa, como testificam Éstio e Sacy, porque nas edições mo- dernas se lê hoje este lugar como ele vem na RE quando expectabant Dei patientiam. — Pereira
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
Fontes
Latim: Vulgata Clementina (1598/1880) — eBible.org/find/details.php?id=latVUC — public domain