Catecismo Romano · Da Oração

Capítulo 1

Da oração, e principalmente de sua necessidade

Da oração, e principalmente de sua necessidade

I Importância da doutrina sobre a oração

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Entre as obrigações do ministério pastoral, a mais necessária para a salvação do povo fiel é o ensino da prece cristã. Certamente, grande número de pessoas ficará sem conhecer sua natureza e eficácia, se o pastor não fizer por explicá-la com religiosa perseverança. Por isso, o principal empenho do pároco está em conseguir que seus piedosos ouvintes compreendam o que devem pedir a Deus, e de que maneira o devem fazer. Ora, todos os requisitos dessa oração tão necessária se encontram naquela fórmula divina, que Cristo Nosso Senhor quis ensinar aos Apóstolos, e por eles e seus sucessores, a todos os que dali por diante abraçassem a Religião Cristã. Seu teor e sentido devem gravar-se de tal maneira no espírito e coração, que nos ocorram com a maior facilidade. Para facultar aos párocos os meios de ensinarem aos fiéis ouvintes essa espécie de oração, vamos dar aqui os pontos essenciais, tirados de autores que se ocuparam, largamente, do assunto, com a máxima competência. Se precisarem de outras explicações, podem os pastores hauri-las dessas mesmas fontes.

II Necessidade da oração

1 Como dever rigoroso

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O primeiro ponto que se deve ensinar é a absoluta necessidade da oração. A prescrição de rezar não foi formulada como simples conselho, mas antes como um dever rigoroso. Cristo Nosso Senhor o inculcou nos termos seguintes: “É preciso orar sempre”. A Igreja também dá a entender a necessidade de rezar, naquela espécie de prefácio à Oração Dominical: “Exortados por ordens salutares, e guiados por norma divina, ousamos dizer...” Já que a oração era necessária para os cristãos, e como os Discípulos Lhe haviam pedido expressamente: “Senhor, ensinai-nos a rezar”, o Filho de Deus prescreveu-lhes uma forma de oração, e deu-lhes ao mesmo tempo a esperança de alcançarem o que pedissem. Ele mesmo se tornou um modelo vivo de oração, pois não só a praticava assiduamente, mas até ficava a rezar durante noites inteiras. Os Apóstolos, por sua vez, não deixaram jamais de transmitir as normas dessa obrigação aos que se convertiam à fé de Jesus Cristo. Com a maior insistência, se punham São Pedro e São João a exortar os fiéis a esse respeito. Atentando à sua importância, o Apóstolo lembra aos cristãos, em muitas passagens, a salutar necessidade de fazer oração.

2 Como meio para se conseguir o que se precisa

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De mais a mais, sendo tantos os bens e auxílios de que havemos mister para a salvação do corpo e da alma, devemos recorrer à oração como única e melhor intérprete de nossa indigência, como nossa intermediária em todas as nossas necessidades. Uma vez que Deus a ninguém deve coisa alguma, não nos resta outro recurso senão impetrar, por meio de orações, aquilo de que necessitamos. Pois Deus nos deu a oração como meio indispensável para lograrmos o objeto de nossos desejos.

3 Como meio de se conseguir graças extraordinárias

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Há, sobretudo, algumas coisas que não podemos indubitavelmente conseguir, sem o auxílio da oração. Existe, por exemplo, nas sagradas preces, uma virtude extraordinária que promove eficazmente a expulsão dos demônios. Pois de uma casta de demônios consta que só pode ser expulsa mediante o jejum e a oração. Por isso, privam-se de ótima ocasião de conseguir graças singulares todos aqueles que se não dedicam ao exercício habitual da oração fervorosa e frequente. São Jerônimo observava: “Está escrito: Dar-se-á a todo aquele que pede”. Portanto, se a ti não é dado, o único motivo de se não dar é o de deixares de pedir. Sendo assim, pedi, e recebereis.

Fonte
Tradução de Frei Leopoldo Pires Martins, OFM — Editora Vozes, Petrópolis, 1951. Transcrição revisada a partir do PDF de referência do Serviço de Animação Eucarística Mariana.