Postea manifestavit se iterum Jesus discipulis ad mare Tiberiadis. Manifestavit autem sic:
Depois tornou Jesus a mostrar-se a seus discipulos junto do mar de Tiberiades. E mostrou-se-lhes desta sorte: os
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erant simul Simon Petrus, et Thomas, qui dicitur Didymus, et Nathanaël, qui erat a Cana Galilææ, et filii Zebedæi, et alii ex discipulis ejus duo.
Estavam juntos Simão Pedro e Tomé, chamado Diídimo, e Natanael, que era de Caná de Galiléia, e os filhos de Zebedeu, e outros dois de seus discípulos. ma prática sobre este ponto?
Quando pois, ou porque incalcula- vel submissão dos povos, é que pode semelhante institulção ganhar tanto MERTERO. no mundo e fazer-se adotar por divina e indispen- | 3 Disse-lhes Simão Pedro: Eu vou pescar. Res- ponderam-lhe os mais: Também nós outros vamos contigo. Sairam pois, e entraram numa barca: Mas naquela noite nada apanharam
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
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Dicit eis Simon Petrus: Vado piscari. Dicunt ei: Venimus et nos tecum. Et exierunt, et ascenderunt in navim: et illa nocte nihil prendiderunt.
Disse-lhes Simão Pedro: Eu vou pescar. Responderam-lhe os mais: Também nós outros vamos contigo. Saíram pois, e entraram numa barca: Mas naquela noite nada apanharam.
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Mane autem facto stetit Jesus in littore: non tamen cognoverunt discipuli quia Jesus est.
Mas chegada a manhã, veio Jesus por-se na ribeira: Sem que ainda assim conhecessem os discípulos que era Jesus.
5
Dixit ergo eis Jesus: Pueri, numquid pulmentarium habetis? Responderunt ei: Non.
Disse-lhes pois Jesus: O'moços, tendes alguma coisa de comer? Responderam-llies eles: Nada.
6
Dicit eis: Mittite in dexteram navigii rete, et invenietis. Miserunt ergo: et jam non valebant illud trahere præ multitudine piscium.
Disse-lhes Jesus: Lançai a rede para a parte direita da embarcação, e achareis. Lançaram eles pois a rede: Mas ja a não podiam trazer acima que tão grande era a carga dos peixes!
7 Então aquêle discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: E' o Senhor. Simão Pedro quando ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a sua túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar. | & E os outros discípulos vieram na barca: (Porque não estavam distantes de terra, senão só obra de duzentos côvados) trazendo a rede cheia de peixes. sável à salvação? Os Santos Padres dos primeiros tempos do Cristianismo praticavam a confissão, inculcaram-na, defenderam- na e assim cai pela base o asserto dos que pretendem que a con- fissão data dos séculos V e de João I. Impossivel extratar nesta nota toda a enorme série de Padres apostólicos, .discipulos dos. primejros pregadores do Evangelho, como S. Inácio, Clemente, S. Irineu, e Barnabé, cujos testemunhos, datando do século I, mos- traram claramente que a Igreja desde os seus primórdios profes- sava a mesma crença que hoje professa a respeito da confissão Sacramental, aa AD “Evangelho de S. João 21, 9-15
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
7
Dixit ergo discipulus ille, quem diligebat Jesus, Petro: Dominus est. Simon Petrus cum audisset quia Dominus est, tunica succinxit se (erat enim nudus) et misit se in mare.
Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o Senhor. Simão Pedro quando ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a sua túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar.
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Alii autem discipuli navigio venerunt (non enim longe erant a terra, sed quasi cubitis ducentis), trahentes rete piscium.
E os outros discípulos vieram na barca: (Porque não estavam distantes de terra, senão só obra de duzentos côvados) trazendo a rede cheia de peixes.
9
Ut ergo descenderunt in terram, viderunt prunas positas, et piscem superpositum, et panem.
E tanto que saltaram em terra, viram umas brasas postas, e um peixe em cima delas, e pão.
10
Dicit eis Jesus: Afferte de piscibus, quos prendidistis nunc.
Disse-lhes Jesus: Dai cá dos peixes, que agora apanhastes.
11
Ascendit Simon Petrus et traxit rete in terram, plenum magnis piscibus centum quinquaginta tribus. Et cum tanti essent, non est scissum rete.
Subiu Simão Pedro à barca, e tirou a rede para terra, cheia de cento e cinquenta e três grandes peixes. E sendo tão grandes, não se rompeu a rede.
12
Dicit eis Jesus: Venite, prandete. Et nemo audebat discumbentium interrogare eum: Tu quis es? scientes, quia Dominus est.
Disse-lhes Jesus: Vinde, jantai. E nenhum dos que estavam à mesa ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor.
13
Et venit Jesus, et accipit panem, et dat eis, et piscem similiter.
Veio pois Jesus, e tomou o pão, e deu-lho e assim mesmo do peixe.
14
Hoc jam tertio manifestatus est Jesus discipulis suis cum resurrexisset a mortuis.
Foi cesta já à terceira vez que Jesus se manifestou a seus discípulos, depois de ressurgir dos mortos.
15
Cum ergo prandissent, dicit Simoni Petro Jesus: Simon Joannis, diligis me plus his? Dicit ei: Etiam Domine, tu scis quia amo te. Dicit ei: Pasce agnos meos.
Tendo eles, pois, jantado, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros.
16
Dicit ei iterum: Simon Joannis, diligis me? Ait illi: Etiam Domine, tu scis quia amo te. Dicit ei: Pasce agnos meos.
Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta os meus cordeiros.
17
Dicit ei tertio: Simon Joannis, amas me? Contristatus est Petrus, quia dixit ei tertio: Amas me? et dixit ei: Domine, tu omnia nosti, tu scis quia amo te. Dixit ei: Pasce oves meas.
Perguntou-lhe terceira vez: Simão, filho de João, tu me amas? Ficou Pedro triste, porque terceira vez lhe perguntara: Tu me amas? E respondeu-lhe: Senhor, tu conheces tudo; tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Apascenta as minhas ovelhas.
18
Amen, amen dico tibi: cum esses junior, cingebas te, et ambulabas ubi volebas: cum autem senueris, extendes manus tuas, et alius te cinget, et ducet quo tu non vis.
Em verdade, em verdade te digo: Quando tu eras mais moço, tu te cingias, e ias por onde te dava na vontade, mas quando já fôres velho, estenderás as tuas mãos e outro será o que te cinja, e que te leve para onde tu não queiras.
19
Hoc autem dixit significans qua morte clarificaturus esset Deum. Et cum hoc dixisset, dicit ei: Sequere me.
E isto disse Jesus, para significar com que gênero de morte havia Pedro de dar glória a Deus. E depois de assim ter falado, disse-lhe: Segue-me.
20
Conversus Petrus vidit illum discipulum, quem diligebat Jesus, sequentem, qui et recubuit in cœna super pectus ejus, et dixit: Domine, quis est qui tradet te?
Voltando Pedro, viu que o seguia aquele discipulo que Jesus amava, que ao tempo da ceia estivera até reclinado sobre o seu peito, e lhe perguntara: Senhor, quem é o que te há de entregar?
21
Hunc ergo cum vidisset Petrus, dixit Jesu: Domine, hic autem quid?
Assim que como Pedro viu a este, disse para Jesus: Senhor, é este que?
LU] pergunta, temendo com o que já outra vez lhe havia: acontecido, que o Senhor registasse no seu coração um amor muito mais re- misso, do que a ele lhe parecia. Jesus Cristo lhe encomenda o cuidado de apascentar o comum dos fieis, sem exceção, figurados pelas ovelhas, e pelos cordeiros. Porque, S. Pedro foi constitui- do por estas palavras, cabeça universal de toda a Igreja, e pastor de todo o rebanho. — S. Bernardo. O que todos os Santos Pa- dres e Concílios reconhecem desde alta antiguidade
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
22
Dicit ei Jesus: Sic eum volo manere donec veniam, quid ad te? tu me sequere.
Disse-lhe Jesus: Eu quero que ele fique assim ate que eu venha: que tens tu com isso? Segue-me tu.
23
Exiit ergo sermo iste inter fratres quia discipulus ille non moritur. Et non dixit ei Jesus: Non moritur, sed: Sic eum volo manere donec veniam, quid ad te?
Correu logo esta voz entre os irmãos, que aquele discípulo não morreria. E não lhe disse Jesus: Não morre; senão: Eu quero que ele fique assim até que eu venha; que tens tu com isso?
24
Hic est discipulus ille qui testimonium perhibet de his, et scripsit hæc: et scimus quia verum est testimonium ejus.
Este é aquéle discípulo que dá testemunho destas coisas, e que as escreveu: E nós sabemos que é verdadeiro o seu testemunho.
25
Sunt autem et alia multa quæ fecit Jesus: quæ si scribantur per singula, nec ipsum arbitror mundum capere posse eos, qui scribendi sunt, libros.
Muitas outras coisas porém há ainda, que fez Jesus: As quais se se escrevessem uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros, que delas se houvessem de escrever.
SANTO SUDÁRIOEntre as relíquias da Paixão, a mais célebre, sem dúvida, é o Santo Sudário, em que o corpo do Salvador foi envolvido no sepulcro, e que por isso mes- mo tem sido objeto de estudos importantes e trabalhos curiosos, dentre os quais citaremos os de Rohault de Fleury, Memoire .sur les instruments de la Passion. Vicente de Gourgues, Le Saint | Suaire, 1860, etc. » Estava porém reservada ao século 20 a glória de ir rebuscar essa veneranda relíquia e de assombrar o mundo - inteiro com revelações feitas em nome da ciência, com o cunho | da mais irrefragável autoridade e da mais insuspeita imparciall- dade. O Santo Sudário, que em 1353 fôra doado pelo conde Go- dofredo de Charny à abadia de Lirey, perto de Troyes, acha-se desde 1578 na posse da Casa Real de Turim. É o Santo Sudário tecido de linho, medindo 4m,10 de comprimento, por 1m,40 de largura. Amarelecido pela ação do tempo, tendo o aspecto de pergaminho, apresenta uns buracos e marcas de fogo, manchas negras e vestígios dos estragos do incêndio da capela do Castelo de Chambery, em 1552, que por pouco não o destruiu. Paul Vi- gnon, doutor em clência, adido à faculdade de ciências na Uni- versidade de Paris, entregou-se ao estudo do Sudário, e ao seu trabalho devemos preciosas informações. Sigamos o douto na- turalista, cuja obra — Linceul du Christ, etude scientifique, par M. Paul Vignon, 1903, Masson & Cie., editeurs, celebrizou. Segun- do os seus estudos, as imagens gravadas sobre o Sudário de Tu- rim, podem agrupar-se em duas categorias. A primeira perten- cem as que se dispõem segundo o eixo do lençol e que são duma côr de castanho avermelhado. As outras correm paralelas aos lados das precedentes, pela parte de fora, e têm uma coloração negra. Ora, essas manchas centrais, rigorosamente analisadas, dão-nos as duas faces do corpo dum homem, colocadas no mesmo prolongamento, isto é, as duas projeções da cabeça gravadas frente a frente. A análise minuciosa de cada uma destas ima- gens dá o seguinte: Imagem anterior: — A parte mais visível é a cabeça. O nariz apresenta-se enegrecido; os olhos, cercados dum circulo alvo; a bôca, quase somente esboçada, sem que apa- reçam traços das orelhas ou do pescoço. Lateralmente, os cabelos são representados por duas manchas sombrias, que se interrom- pem bruscamente, talvez porque os cabelos passam por detrás das espáduas. A partir da cabeça modela-se mais nitidamente a figura, mormente nos músculos peitorais, sendo a região epigás- trica marcada por uma sombra vaga. São visíveis os ante-bra- cos colocados dum e doutro lado, vendo-se apenas uma mão, visto estar cruzada sobre a outra. É perfeitamente visivel o desenho da bacia. De resto, apenas se vê bem um dos joelhos. Imagem dorsal: Mostra a região ocipital e os ombros, abaixo dos quais as omoplatas são marcadas por umas manchas escuras. O dorso é nítido, outro tanto não sucede à régião lombar. Duas zonas acentuadas marcam os calcanhares. A planta dos pés estampa- se à frente. De experiência em experiência, cuja enumeração seria longa e fastidiosa, cnegou-se à conclusão de que o Sudário era, por si mesmo, um negativo exato do cadáver que nele fôra embrulhado. Nem é obra de um pintor, nem é artifício de fal- sário, Cette image n'est ni I'oeuvre d'un peintre, ni le resultat d'un contact direct menagé par l'artifice d'un faussaire, afirma solene- mente Vignon, afirmou-o e provou-o ao mundo científico, no sé- culo 20. Rebatidas tôdas as hipóteses que os detratores do sudá- rio poderão fazer, levando de vencida os argumentos dos seus ad- versários, refutando tôdas as suposições, Vignon enuncia sua tese. L'image resulte d'une impression à distance, projectée par le corps couché sous ce suaire, impression analogue aux actions photo- chimiques: temos pois estabelecido o princípio de que 'as imagens gravadas no sudário resultam duma impressão a distância, im- pressão causada pelo corpo deitado e envolvido no sudário. e que causam um fenômeno análogo ao que produzem as ações fotoqui- micas. A ação a distância é um fenômeno averiguado e indis- cutível; para o caso do sudário. Vignon fez experiências que mais comprovam as ações produzidas sobre as placas fotográficas por gases ou vapores que emanam de certos corpos e que atuam qui- micamente sobre o alvo impressionável. O alvo sensível aqui era o lençol embebido nos aromas, que eram gomas — resinas — q aloés e a mirra e azeite muito fino obtido pela trituração de azeitonas em almofariz. O aloés contém dois princípios ativos — aloina e aloetina. A primeira destas substâncias dá, com a água, uma solução de amarelo claro, e com os álcalis uma coloração alaranjada. A aloetina, em presença dos álcalis, dá uma colora- ção acastanhada. E aqui está o sudário sendo um alvo sensível. Os vapores alcalinos lã estavam fornecidos pela evaporação de suor, € suor anormal, em que, pelos flagícios da crucifixão, devia abundar uréia. Revela o sudário ferimento, um evidente sobre o lado esquerdo do peito devia ser perfurante, pois tem um aspecto dum coágulo sanguíneo de grande hemorragia. Nos ante-braços vêem-se vestígios doutras hemorragias provenientes de feridas naquela região. Além doutras observemos que sob os calcanhares notam-se manchas acastanhadas, de bordos nitidos, devendo cor- responder a sangue já coagulado. Daqui infere-se a perfuração dos pés com os cravos. Os vergões pelo corpo e as chagas tam- bém se evidenciam, embora nem tôdas se vejam da mesma sorte, porque a impressão fez-se com maior ou menor energia confor- me a maior ou menor densidade dos coágulos. Éstes coágulos atuaram não só pelo carbonato de soda que O sôóro contém sempre, mas ainda pela uréia que neles se deve ter incorporado, como no suor. A identificação do corpo envolto no sudário de Turim e Jesus Cristo é evidente. Foi o corpo dum condenado à flage- lação e à cruz que ali esteve envolto. A proposito: escreveu um autor nosso, tão novo como insuspeito: “E no lençól de Turim as fases dum martírio extraordinário estão gravadas em imagens duma nitidez indiscutivel...” “A corôa de espinhos, colocada sobre a cabeça de Jesus, como uma ironia cruel ao titulo de rei dos judeus, também lá deixou vestígios eternos... A lançada, tomada por Strauss na conta de um ardil simbálico de .S. João, ainda no lençol de Turim aparece assegurada como um fato real. Como negar que o lençol fosse a mortalha de Cristo? As condições exi- gidas para a razão científica das imagens do sudário, acompa- nharam tôdas as cênas posteriores à morte de Jesus. Éle foi amortalhado num lençol, Mt 27, 15, 46; Lc 23, 53; Jo 19, 40. Cristo foi embalsamado com aloes e mirra Jo 19, 39. Cfr. Alberto Pimentel, filho, A morte de Cristo, Monografia médica — Lisboa, 1902. : pes TA us So
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
Fontes
Latim: Vulgata Clementina (1598/1880) — eBible.org/find/details.php?id=latVUC — public domain