1
Onus Tyri. Ululate, naves maris, quia vastata est domus unde venire consueverant: de terra Cethim revelatum est eis.
Opróbrio de Tiro: Uivai, naus do mar: Porque devastada foi a casa de onde tinham por costume vir: Da terra de Cetim lhes foi isto revelado.
2
Tacete, qui habitatis in insula; negotiatores Sidonis, transfretantes mare, repleverunt te.
Calai-vos os que habitais na ilha: Os negociantes de Sidônia, passando o mar, te encheram.
3
In aquis multis semen Nili; messis fluminis fruges ejus: et facta est negotiatio gentium.
A sementeira que cresce pelas muitas águas do Nilo, a messe produção deste rio eram frutos dela: E assim se veio a fazer uma escala franca das nações.
4
Erubesce, Sidon; ait enim mare, fortitudo maris, dicens: Non parturivi, et non peperi, et non enutrivi juvenes, nec ad incrementum perduxi virgines.
Envergonha-te, Sidônia: Porque isto diz o mar: A fortaleza do mar está dizendo: Não estive de parto. nem pari, nem criei mancebos, nem eduquei donzelasaté a idade adulta. verteram "naus de Cartago''. Faziam estas naus carreira para as. colônias ocidentais da Fenícia. DA TERRA DE CETIM LHES FOI ISTO REVELADO - E' à, letra o, que nos diz o texto latino: De terra Cethim reYclntum cst els. O que na Inteligência de Sacy e de Carrieres quer dizer: Esta nova lhes virá da terra de Cetim. Segundo Foreiro e Le Gros: Da terra de Cetim lhes será manifesta esta desgraça. Por terra de Cetim, porém, se entende a Macedônia e as Ilhas do mar Mediterrâneo, conforme o que se diz no principio dos Macabeus Ut
5
Cum auditum fuerit in Ægypto, dolebunt cum audierint de Tiro.
Quando se ouvir esta notícia no Egito doer-se-ão os homens logo que ouvirem publicar de Tiro.
6
Transite maria, ululate, qui habitatis in insula !
Atravessai os mares, uivai os que habitais na ilha:
7
Numquid non vestra hæc est, quæ gloriabatur a diebus pristinis in antiquitate sua? Ducent eam pedes sui longe ad peregrinandum.
Porventura não é esta aquela vossa cidade, que desde os primeiros dias se gloriava da sua antiguidade? Levá-la-ão os seus pés para longe andarem peregrinando.
8
Quis cogitavit hoc super Tyrum quondam coronatam, cujus negotiatores principes, institores ejus inclyti terræ?
Quem formou este desígnio sobre Tiro, noutro tempo coroada, cujos comerciantes eram príncipes, seus negociantes os ínc!itos da terra?
9
Dominus exercituum cogitavit hoc, ut detraheret superbiam omnis gloriæ, et ad ignominiam deduceret universos inclytos terræ.
O Senhor dos exércitos formou este desígnio para derribar a soberba de tôcl.a a glória e para reduzir a ignomínia todos os ínc!itos da terra.
10
Transi terram tuam quasi flumen, filia maris ! non est cingulum ultra tibi.
Sai da tua terra como um rio, filha do mar, já daqui por diante não tens cinto.
11
Manum suam extendit super mare; conturbavit regna. Dominus mandavit adversus Chanaan, ut contereret fortes ejus;
O Senhor estendeu a sua mão sobre o mar, ele abalou os reinos, o Senhor deu as suas ordens contra Canaã para esmigalhar os seus valentes,
12
et dixit: Non adjicies ultra ut glorieris, calumniam sustinens virgo filia Sidonis: in Cethim consurgens transfreta: ibi quoque non erit requies tibi.
e disse: Não continuarás a te gloriar daqui por diante, sofrendo violência, virgem filha de Sidônia: Levantando-te, passa-te por mar a Cetim, aí também não terás descanso.
13
Ecce terra Chaldæorum, talis populus non fuit: Assur fundavit eam; in captivitatem traduxerunt robustos ejus, suffoderunt domos ejus, posuerunt eam in ruinam.
Eis-aí está que não houve povo tal como a terra dos caldeus. Assur a fundou: Levaram para o cativeiro os seus robustos, derrubaram as suas casas, deixaram-na posta em ruína. sobreditas palavras na bõca, não de Tiro, mas de Sldônia, porque vertem assim: "Envergonha-te, Sldônia, diz o mar; porém a fortaleza do mar diz: Eu não pari, nem dei à luz." Onde parece negar Sidõnla que Tiro seja sua filha. O que talvez alude a que os tiros não queriam reconhecer-se colônia dos sidônlos, mas antes Iguais a eles nas antiguidades. - Pereira.
14
Ululate, naves maris, quia devastata est fortitudo vestra.
Uivai, naus do mar, porque devastada foi a vossa fortaleza.
15
Et erit in die illa: in oblivione eris, o Tyre ! septuaginta annis, sicut dies regis unius; post septuaginta autem annos erit Tyro quasi canticum meretricis:
E acontecerá isto naquele dia: Ficarás em esquecimento, ó Tiro, setenta anos como os dias de um rei: Mas depois dos tais setenta anos será Tiro como o cântico de uma meretriz.
16
Sume citharam, circui civitatem, meretrix oblivioni tradita: bene cane, frequenta canticum, ut memoria tui sit.
Toma a cítara, corre em tôrno da cidade, meretriz entregue ao esquecimento: Canta bem, repete a ária, para que haja memória de ti.
17
Et erit post septuaginta annos: visitabit Dominus Tyrum, et reducet eam ad mercedes suas, et rursum fornicabitur cum universis regnis terræ super faciem terræ;
E acontecerá isto depois dos setenta anos: Visitará o Senhor a Tiro e reduzi-la-á às sua ganàncias: E comerciará de novo com todos os reinos da terra sobre a face da terra.
18
et erunt negotiationes ejus et mercedes ejus sanctificatæ Domino: non condentur neque reponentur, quia his qui habitaverint coram Domino erit negotiatio ejus, ut manducent in saturitatem, et vestiantur usque ad vetustatem.
E serão as suas negociações e as suas ganâncias consagradas ao Senhor: Não serão guardadas, nem entesouradas: Porque a sua negociação será para aqueles que habitarem diante do Senhor, para que comam até se saciarem e se vistam até à velhice.