Bíblia Explicada · Pe. Juarez de Castro

Gênesis · Capítulo 24

Curso Bíblico nº 24

Texto bíblico

Gênesis · Capítulo 24

Tradução do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (Vulgata, domínio público). Ver com Vulgata latina ao lado →

  1. 1 Ora Abraão estava velho, e muito avançado em anos; e o Senhor o tinha abençoado em todas as coisas.
  2. 2 Disse ele pois ao mais antigo dos seus servos, que tinha a intendência de toda a sua casa: Põe a tua mão debaixo da minha coxa,
  3. 3 para eu te fazer jurar pelo Senhor Deus do céu. e da terra, que tu não hás de tomar nenhuma das filhas dos cananeus, entre os quais-eu habito, para a despo sares com meu filho Isaac:
  4. 4 Mas que hás de ir à terra, onde estão meus pa rentes, para daí trazeres uma mulher a meu filho Isaac.
  5. 5 O servo lhe disse: E se essa mulher não quiser vir comigo para esta terra, quererás tu que eu conduza teu filho ao lugar, donde tu saíste?
  6. 6 Respondeu-lhe Abraão: Guarda-te bem, não leves meu filho a tal país.
  7. 7 O Senhor Deus do céu, que me fez sair da casaj de meu pai, e do lugar da minha natureza, e que pro meteu com juramento, que ele havia de dar esta terra a minha posteridade; ele mesmo enviará o seu anjo dian te de ti e tu tomarás para meu filho uma mulher dessa terra.
  8. 8 Porém se essa mulher não quiser seguir-te, fica rás tu desobrigado do juramento: Mas por nenhum caso me leves lá meu filho.
  9. 9 Pôs logo aquêle servo a sua mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e se obrigou com juramento a fazer tudo o que ele lhe tinha dito.
  10. 10 A o mesmo tempo tomados dez camelos da cáfila de seu senhor, partiu, levando consigo de todos os bens de Abraão; e foi direito a Mesopotâmia à cidade de Nacor.
  11. 11 Tendo chegado sobre a tarde perto de um poço fora da cidade, ao tempo que as mulheres costumam sair a tirar água, fez descansar os seus camelos, e orou assim a Deus:
  12. 12 Senhor Deus de Abraão, meu amo, peço-te que me assistas hoje, e que mostres quanta é a tua bondade para com meu amo Abraão.
  13. 13 Eis-aqui estou eu ao pé desta fonte, e as filhas dos habitantes da cidade hão de vir tirar água.
  14. 14 Rogo-te pois que faças que aquela moça, a quem eu disser, abaixa a tua cantara para eu beber, e que me responder, bebe, e eu darei também de beber aos teus camelos; seja esta moça aquela, que tu tens destinado para mulher de Isaac teu servo: c que eu conheça daí, que tu favoreceste a meu amo por um efeito da tua mi sericórdia.
  15. 15 Ainda bem ele não tinha acabado de dizer lá consigo estas palavras, senão quando vê ele ir saindo Rebeca, filha de Batuel, filho dc Melca, mulher de Na cor, irmão de Abraão, levando aos ombros uma càntara cheia de água.
  16. 16 Era ela uma moça por extremo bem feita, uma donzela formosíssima, e não conhecida de homem algum, a quai tinha vindo à fonte; e depois de ter enchido a sua cantara, voltava.
  17. 17 Foi o servo pois encontrar-se com ela, e disse-lhe: Dá-me de beber uma pouca dágua da tua câmara.
  18. 18 Respondeu ela: Bebe, meu Senhor. E descendo prontamente do ombro a cantara, a pôs no braço, e lhe deu de beber.
  19. 19 Depois que ele bebeu, acrescentou ela: Eu vou também tirar água para os teus camelos, até que todos tenham bebido.
  20. 20 E entornando a água da cantara nos canos, vol tou ao poço a tirar outra, que deu a todos os camelos.
  21. 21 Entretanto o servo a mirava, e remirava sem dizer nada, querendo saber, se teria o Senhor felicitado a sua jornada ou não.
  22. 22 E depois que os camelos beberam, tirou de umas arrecadas cle ouro, que pesavam dois siclos, e de dois bra celetes, que pesavam dez, e disse-lhe:
  23. 23 Dize-me de quem és tu filha? Haverá em casa de teu pai lugar onde se fique?
  24. 24 Respondeu ela: Eu sou filha de Batuel, filho de Melca, e de Nacor seu marido.
  25. 25 E acrescentou: Em nossa casa há muita palha, e muito lenho, e lugar espaçoso para ficar.
  26. 26 O homem se inclinou profundamente, e adorou ao Senhor, dizendo:
  27. 27 Bendito seja o Senhor Deus de Abraão meu amo, que não retirou dele as suas misericórdias e que cumpriu com ele a verdade das suas promessas, e que me trouxe direito à casa do irmão de meu amo.
  28. 28 A moça pois correu à casa de sua mãe, e recon tou-lhe tudo o que tinha ouvido.
  29. 29 Ora Rebeca tinha um irmão, chamado Labão, o qual saiu logo para ir ter com o homem junto à fonte.
  30. 30 E tendo já visto as arrecadas, e os braceletes nas mãos de sua irmã, que lhe tinha referido tudo quanto aquele homem lhe dissera, foi dar com o homem, quando ele ainda estava junto à fonte com os seus camelos,
  31. 31 Entra, benditodo Senhor: Por que estás tu fo ra? Eu tenho preparado a casa, e tenho lugar para os camelos.
  32. 32 Fê-lo Labão logo entrar em casa; descarregou os camelos; deu-lhes palha, e feno; trouxe água para lavar os pés ao hóspede, e aos que tinham vindo com ele;
  33. 33 e ao mesmo tempo se lhe pôs de comer. Porém o servo disse: Eu não hei de comer, menos que não tenha exposto o motivo da minha jornada. Respondeu-lhe Labão: Pois fala.
  34. 34 E ele falou desta sorte: Eu sou servo de Abraão.
  35. 35 O Senhor tem enchido de bênçãos a meu amo: Ele o fez grande, e rico: Ele lhe deu ovelhas, bois, prata, e ouro, escravos, e escravas, camelos, e jumentos.
  36. 36 E Sara, mulher de meu amo, lhe pariu na sua velhice um filho, a quem ele deu tudo o que tinha.
  37. 37 O dito meu amo me fez jurar em sua presença, dizendo-me: Promete-me que tu não hás de tomar alguma das filhas dos cananeus, em cuja terra eu habito, para a dares por mulher a meu filho:
  38. 38 Mas que hás de ir a casa de meu pai, e que hás de tomar para meu filho uma mulher de minha paren tela.
  39. 39 E sobre o dizer eu então a meu amo: E se essa mulher não quiser v.ir com igo?
  40. 40 Respondeu-me ele: O Senhor, em cuja presen ça ando, enviará o seu A njo contigo, e te conduzirá no teu caminho, para que tomes para meu filho uma mulher, que seja da minha parentela, e da casa de meu pai.
  41. 41 Tu ficarás isentodo perjúrio, e desobrigado do teu juramento, se depois que tiveres chegado a casa de meus parentes, eles ta recusarem dar.
  42. 42 Hoje pois cheguei eu ao pé da fonte, e fiz esta oração: Senhor Deus de meu amo Abraão, se tu deste um bom sucesso à jornada que eu empreendi,
  43. 43 eis-me aqui junto a esta fonte: Faze que aque la dentre as moças, que vierem a tirar água, a quem eu disser, dá-me de beber uma pouca d’água da tua cântara,
  44. 44 e que me responder, bebe, e eu vou também ti rar água para os teus camelos: Seja aquela, que o Senhor tem destinado para ser mulher do filho de meu amo.
  45. 45 Quando eu resolvia isto secretamente comigo, vi ir a Rebeca com a sua cântara ao ombro, a qual ten do descido à fonte, tinha tirado água: E eu lhe disse: Dá-me de beber uma pouca.
  46. 46 Ela tirando logo a cântara do ombro, me disse: Bebe, e eu vou também dar de beber aos teus camelos. Bebi eu pois, e ela deu de beber aos camelos.
  47. 47 Depois perguntei-lhe eu, e lhe disse: De quem és tu filha? E ela me respondeu: Eu sou filha de Batuel, filho de Nacor, e de Melca sua mulher. Então lhe pendurei eu das orelhas umas arre cadas para adorno do seu rosto e lhe meti uns bracele tes nas mãos.
  48. 48 E logo abaixando-me profundamente, adorei ao Senhor, e bendisse ao Deus de Abraão meu amo, que me guiou via reta, para que eu tomasse a filha do irmão de meu amo para mulher de seu filho.
  49. 49 Assim que se vós verdadeiramente estais de ânimo de obrigar meu amo, dizei-mo: E se vós estaisdoutra resolução, dizei-mo também, para eu tomar para a direita, ou para a esquerda.
  50. 50 Labão, e Batuel lhe responderam: O Senhor nos mostra a sua vontade neste negócio. Nós não te podemos dizer outra coisa, senão o que parece conforme com a sua vontade.
  51. 51 Eis-aí está Rebeca diante de ti: Toma-a, e par te com eia, e ela seja esposa do filho de teu amo, confor me o Senhor se tem declarado.
  52. 52 O servo de Abraão tendo ouvido esta resposta, se lançou por terra, e adorou ao Senhor.
  53. 53 E tendo tirado uns vasos de ouro, e prata, e uns vestidos, fez deles presente a Rebeca. Fêz também pre sentes a seus irmãos, e a sua mãe.
  54. 54 Então postos à mesa, comeram, e beberam jun tos. e ficaram ali aquêle dia. A o outro pela manhã lhes disse o servo de Abraão: Permiti-me que eu volte para meu amo.
  55. 55 Mas os irmãos, e a mãe de Rebeca lhe respon deram: Fique a rapariga ao menos dez dias conosco, e depois irá.
  56. 56 Não me detenhais, lhes disse ele, pois que o Senhor foi o que me conduziu em toda a minha jornada. Permiti-me que eu parta para o meu amo.
  57. 57 Disseram eles: Chamemos a rapariga, e sai-. bamos qual é a sua vontade.
  58. 58 Chamaram-na pois; e tanto que ela chegou, disseram-lhe: Tu queres ir com este homem? Quero, respondeu ela.
  59. 59 Eles pois a deixaram ir acompanhada da sua ama com o servo de Abraão, e seus sócios,
  60. 60 rogando-lhe mil felicidades, e dizendo: Tu és nossa irmã, cresce em mil gerações: a tua posteridade possua as portas de seus inimigos.
  61. 61 Rebeca pois, e as suas moças tendo-se monta do nos camelos, seguiram aquêle homem, que a toda a diligência voltou para seu amo.
  62. 62 A este mesmo tempo passeava Isaac no cami nho, que guia para o Poço do que vive, e do que vê: Porque então habitava ele no país meridional.
  63. 63 E ele tinha saído sobre a tarde ao campo para meditar: E como tivesse levantado os olhos, viu de lon ge virem os camelos.
  64. 64 Rebeca tendo também visto a Isaac, desceu do seu camelo,
  65. 65 e disse ao servo: Que homem é aquêle, que vem pelo campo a encontrar-se conosco? Ele lhe respondeu: E ’ meu amo: E ela tomou muito depressa o seu véu, e se cobriu com ele.
  66. 66 Entretanto foi o servo contar a Isaac tudo o que tinha feito.
  67. 67 Então introduziu Isaac a Rebeca na câmara, que fôra cle sua mãe. Sara, e a recebeu por mulher. E a afeição, que ele lhe cobrou, foi tão grande, que com isso é que ele temperou a dor, que a morte de sua mãe lhe causara.
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