Seniores ergo, qui in vobis sunt, obsecro, consenior et testis Christi passionum: qui et ejus, quæ in futuro revelanda est, gloriæ communicator:
Esta é pois a rogativa que eu faço aos presbíteros que há entre vós, eu presbítero como eles e testemunha das penas que padeceu Cristo: E que hei de ser participante daquela glória, que se há de manifestar para o futuro:
2
pascite qui in vobis est gregem Dei, providentes non coacte, sed spontanee secundum Deum: neque turpis lucri gratia, sed voluntarie:
Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas espontaneamente, segundo Deus: Nem por amor de lucro vergonhoso, mas de boa vontade.
3
neque ut dominantes in cleris, sed forma facti gregis ex animo.
Não como que quereis ter domínio sobre a herança do Senhor, mas fazendo-vos, de boa vontade, o modelo do rebanho.
4
Et cum apparuerit princeps pastorum, percipietis immarcescibilem gloriæ coronam.
E quando aparecer o Príncipe dos pastores, recebereis a coroa de glória, que nunca se poderá murchar.
5
Similiter adolescentes subditi estote senioribus. Omnes autem invicem humilitatem insinuate, quia Deus superbis resistit, humilibus autem dat gratiam.
Semelhantemente vós, mancebos, obedecei uns aos outros. E inspirai-vos todos a humildade uns aos outros, porque Deus resiste aos soberbos e dá a sua graça aos humildes.
6
Humiliamini igitur sub potenti manu Dei, ut vos exaltet in tempore visitationis:
Humilhai-vos pois debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo da sua visita,
7
omnem sollicitudinem vestram projicientes in eum, quoniam ipsi cura est de vobis.
remetendo para ele todas as vossas inquietações, porque ele tem cuidado de vós.
& Sede sóbrios, e vigiar: E porque o diabo vosso adversário anda ao derredor de vós, como um leão que ru- ge, buscando a quem possa tragar: 1.2 Epístola de S. Pedro Apóstolo 5, 9-13
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
8
Sobrii estote, et vigilate: quia adversarius vester diabolus tamquam leo rugiens circuit, quærens quem devoret:
Sede sóbrios, e vigiai: Porque o diabo vosso adversário anda ao derredor de vós, como um leão que ruge, buscando a quem possa tragar:
9
cui resistite fortes in fide: scientes eamdem passionem ei quæ in mundo est vestræ fraternitati fieri.
Resisti-lhe fortes na fé, sabendo que os vossos irmãos, que estão espalhados pelo mundo, sofrem a mesma tribulação.
10
Deus autem omnis gratiæ, qui vocavit nos in æternam suam gloriam in Christo Jesu, modicum passos ipse perficiet, confirmabit, solidabitque.
Mas o Deus de toda a graça, o que nos chamou em Jesus Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecido um pouco, ele vos aperfeiçoará, fortificará e consolidará.
11
Ipsi gloria, et imperium in sæcula sæculorum. Amen.
A ele glória, e império por séculos de séculos: Amém.
12
Per Silvanum fidelem fratrem vobis, ut arbitror, breviter scripsi: obsecrans et contestans, hanc esse veram gratiam Dei, in qua statis.
Por Silvano, que vos é, segundo entendo, irmão fiel, vos escrevi brevemente: Admoestando-vos e protestando-vos que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes.
13
Salutat vos ecclesia quæ est in Babylone coëlecta, et Marcus filius meus.
A Igreja, que está em Babilônia, escolhida com vós outros, vos saúda, e Marcos meu filho.
14
Salutate invicem in osculo sancto. Gratia vobis omnibus qui estis in Christo Jesu. Amen.
Saudai-vos uns ao outros pelo santo ósculo: Graças a vós todos que estais em Jesus Cristo. Amém.
respeita da Babilônia dos Caldeus, Lemos o testemunho de Flavio Josefo, quando diz que em tempo de Calígula os Judeus que vi- viam em Babilônia e entre os assírios foram em grande parte assassinados pelos habitantes, sendo expulsos os poucos que esca- param. Além disso, de parte alguma consta que nessa cidade se formasse uma Igreja, desde os tempos Apostólicos. Por conse- quência, a nenhuma delas tentava aludir S. Pedro na sua Epistola. No Apocalipse, Babilônia designa Roma, e por isso escreveu Ter- tuliano: Sic et Babylon, apud Joanem nostrum, romanae urbis fi- guram portat, preindae et magnae et regna superbiae, et sancto- rum debellatricis. Mauri entende que esta bênção metafórica fôsse muito usual entre os primitivos Cristãos. Alguns fragmentos antigos, recentemente publicados, dão à capital do grande império o nome de Babylon Roma. Esta designação generalizou-se pos- teriormente, para ser distinta da Constantinopla, a nova Roma. De resto, esta Epístola de S. Pedro contém indícios intrínsecos de haver sido escrita em Roma, pois avisa os Cristãos das províncias orientais de que está iminente uma perseguição por parte do imperador. Ora, este fato so podia ser conhecido por um habi- tante de Roma, e não por quer residisse em Babilônia. Supõem alguns que S. Pedro substituiu o nome de Roma por uma expressão simbólica, para prevenir alguma perseguição. Sabe-se que, em virtude de instruções recebidas de Claudio, tinha Herodes Agripa mandado prender S. Pedro; ora, tendo saido do cárcere, motivos de prudência o aconselhavam a ocultar a sua residência. Con- quanto esta opinião não deixe de ter fundamento, contudo, salvo devido respeito, parece-nos mais plausível a explicação dos outros exegetas, que dizem que S. Pedro empregou uma metáfora fre- quentemente empregada e por isso facilmente percebida por todos. Assim como a antiga Babilônia ostentava no mundo um quadro de abjeções, Roma equiparava-se-lhe, caindo nos enormes abis- mos é corroida pelas mesmas torpezas. Cabia-lhe, pois, bem o tí- tulo de Babilônia, como quem tinha tantos pontos de contacto. Abona esta opinião o emprêgo frequente da equivalente metáfo- ra em muitas obras de autores contemporâneos. E que S. Pedro estava em Roma, foi Bispo de Roma e em Roma foi martirizado, é ponto averiguado pela história. E
MARCOS MEU FILHOQuase todos os antigos e moder- nos dão por certo que este Marcos era o Evangelista, a quem 5. Pedro chama filho seu pelo especial amor de que o fazia digno a solicita cooperação no pregar e difundir o Evangelho, de sorte que a respeito de S. Pedro fosse Marcos, como a respeito de S. Paulo era Timóteo. Ou também, e principalmente o chamar-lhe filho, procederia de ter sido S. Pedro o que gerara pelo batismo a Mar- cos, como Barônio mostra com boas autoridades
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
Fontes
Latim: Vulgata Clementina (1598/1880) — eBible.org/find/details.php?id=latVUC — public domain