Artigo do dia · 21 de May
São Cristóvão Magallanes e Companheiros
Em Colotlán, na região mexicana de Jalisco, São Cristóvão Magallanes, presbítero, e seus dezenove companheiros mártires, mortos durante a perseguição religiosa da Guerra Cristera. Pároco zeloso, fundador de escolas, de obras de caridade e de um seminário, Cristóvão foi preso a caminho do altar e, sem julgamento, entregou a vida — perdoando os que o matavam e oferecendo o próprio sangue pela paz e pela unidade do povo mexicano.
Martirológio Romano
Sobre o santo
São Cristóvão Magallanes é um dos testemunhos mais luminosos do perdão que a Igreja já recebeu — o perdão que não espera o outro merecer, mas se entrega de coração no instante mais duro. Há quem perdoe com o tempo; ele perdoou diante de quem o matava, e ainda lhe deu o pouco que tinha. Esse padre mexicano viveu o Evangelho não como teoria bonita, mas como uma decisão tomada até as últimas consequências. Vamos conhecer a história desse santo extraordinário e ver como um pastor transformou a própria morte em oração pela paz.
História
Cristóbal Magallanes Jara nasceu em 30 de julho de 1869, no povoado de San Rafael, em Totatiche, no estado de Jalisco, no México. Era filho de Rafael Magallanes e Clara Jara, uma família de fazendeiros simples, e ainda menino cuidava do rebanho como pastor. Foi desse meio humilde, longe de qualquer prestígio, que brotou a sua vocação: aos dezenove anos entrou no Seminário Conciliar de São José, em Guadalajara, para se preparar ao sacerdócio.
Foi ordenado padre em 1899, aos trinta anos, na igreja de Santa Teresa, em Guadalajara, e serviu primeiro como capelão da Escola de Artes e Ofícios do Espírito Santo. Pouco depois, foi enviado como pároco à sua própria terra natal, Totatiche — e ali se revelou o pastor incansável que os biógrafos descrevem como piedoso e serviçal. Não se contentou em rezar a Missa: fundou escolas e oficinas de carpintaria, ajudou a planejar a represa da Candelária, abriu um orfanato e um asilo para idosos, e levantou capelas nas fazendas da região. Dedicou-se com carinho especial aos índios huicholes, ajudando-os a repovoar a cidade de Azqueltán.
Quando, em 1914, decretos do governo fecharam o seminário de Guadalajara, Cristóvão não deixou a formação de novos padres morrer: abriu na própria paróquia um seminário auxiliar, dedicado a Nossa Senhora de Guadalupe, que em pouco tempo já reunia dezessete seminaristas e foi reconhecido pelo arcebispo de Guadalajara. Daquela casa sairiam o padre que o sucederia em Totatiche e Agustín Caloca Cortés, jovem sacerdote que seria também prefeito do seminário — e seu companheiro na hora da morte.
O México vivia então a Guerra Cristera, e a Igreja sofria uma dura perseguição. Cristóvão sempre escreveu e pregou contra a rebelião armada, mas foi falsamente acusado de incitá-la. Em 21 de maio de 1927, quando seguia para celebrar a Missa numa fazenda, foi preso. Diante dos que o capturavam, entregou os poucos bens que ainda tinha e lhes deu a absolição. Sem julgamento, foi morto quatro dias depois, em 25 de maio, na cidade de Colotlán, junto com Agustín Caloca e outros católicos. Suas últimas palavras foram um ato de paz: “Sou e morro inocente; perdoo de coração aos que me matam e peço a Deus que meu sangue sirva para a paz dos mexicanos desunidos.” E, ao ver um companheiro assustado, ainda o consolou: “Padre, só um momento e estaremos no Céu.”
Em 21 de maio de 2000, o Papa João Paulo II canonizou Cristóvão Magallanes junto com dezenove companheiros mártires daquela perseguição. A Igreja celebra a sua memória, facultativa, no dia 21 de maio, recordando o pastor que preferiu morrer perdoando a viver no ódio.
Por que celebramos hoje
A memória de São Cristóvão Magallanes e companheiros é celebrada em 21 de maio, embora o seu martírio tenha acontecido em 25 de maio de 1927, em Colotlán. A data de 21 de maio guarda dois marcos da sua história: foi o dia em que ele foi preso, em 1927, a caminho da Missa, e foi também o dia em que o Papa João Paulo II o canonizou, em 2000. Assim, a Igreja recorda neste dia tanto o início da sua paixão quanto a glória do seu reconhecimento como santo.
Para nossa vida
Poucos de nós seremos chamados a perdoar alguém que tira a nossa vida. Mas quase todos carregamos mágoas menores que pesam como pedras: uma traição de um amigo, uma palavra dura de um familiar, uma injustiça que ficou sem reparação. São Cristóvão nos mostra que o perdão não nasce quando o outro pede desculpas — nasce de uma decisão livre do coração, tomada diante de Deus. Ele perdoou sem que ninguém se arrependesse, e ainda pediu que o seu sofrimento servisse à paz dos outros. Hoje talvez valha trazer ao Senhor aquele nome que ainda dói lembrar e pedir a graça de soltá-lo — não porque a ferida não foi real, mas porque o rancor aprisiona quem o guarda. O perdão, esse sim, é a porta do Céu que o santo via tão perto.
E Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem. Dividindo porém ós seus vestidos, sortearam-nos.
Lc 23,34 (Figueiredo)
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