Artigo do dia · 3 de June

São Carlos Lwanga e Companheiros

São Carlos Lwanga e Companheiros — Permaneça fiel a Cristo, ainda que isso custe tudo.

Em Namugongo, na terra de Uganda, a paixão de São Carlos Lwanga e companheiros, mártires. Chefe dos pajens na corte do rei Mwanga II e batizado já adulto, recusou-se a abandonar a fé e a entregar à corrupção do palácio os jovens confiados à sua guarda; por isso foi queimado vivo no dia 3 de junho de 1886, junto com um grupo de companheiros. Com ele a Igreja venera vinte e dois mártires de Uganda, primícias gloriosas da santidade da África cristã.

Martirológio Romano

Sobre o santo

São Carlos Lwanga é um dos exemplos mais ardentes de coragem na fé que a Igreja já conheceu — a coragem de quem prefere morrer queimado vivo a renegar uma só palavra do Evangelho. Num tempo em que nós costumamos recuar diante de uma piada, de uma crítica ou do simples constrangimento de sermos católicos, a vida desse jovem africano nos sacode. Ele não tinha séculos de cristandade nas costas: tinha poucos meses de batizado e já estava pronto a entregar tudo. Vamos conhecer a história desse santo extraordinário e ver como ele viveu a fidelidade a Deus até as últimas consequências.

História

Carlos Lwanga nasceu por volta de 1860 no reino de Buganda, no coração da África, na região de Singo, e pertencia ao povo baganda. Quando os Missionários da África — os chamados “Padres Brancos” — chegaram àquelas terras anunciando o Evangelho, o jovem Carlos foi tocado pela novidade da fé cristã e pediu o Batismo. Foi batizado em 15 de novembro de 1885, pelas mãos do Padre Giraud, já um rapaz adulto, e abraçou a fé com a inteireza de quem encontrou um tesouro.

Carlos servia na corte de Mwanga II, rei de Buganda, onde exercia o cargo de chefe dos pajens, os jovens que serviam o monarca no palácio. Assumiu essa responsabilidade depois que São José Mukasa Balikuddembe, seu antecessor e também cristão, foi decapitado por ordem do rei, por ter repreendido a conduta do soberano. Carlos não cuidava apenas do trabalho dos meninos: protegia-os das investidas impuras de Mwanga, colocando o próprio corpo entre os jovens e a corrupção da corte. Às escondidas, instruía os pajens na fé e preparava os catecúmenos para o Batismo.

O rei, instigado contra os cristãos e irritado por encontrar nos batizados uma firmeza que não conseguia dobrar, desencadeou a perseguição. Em 25 de maio de 1886, em Munyonyo, Mwanga começou a condenar os pajens à morte. Na manhã seguinte, pressentindo o que viria, Carlos Lwanga batizou secretamente cinco catecúmenos que ainda não haviam recebido o sacramento — entre eles o jovem Kizito, o mais novo do grupo. Diante do rei, os pajens cristãos confessaram abertamente que não abandonariam a fé, e foram todos condenados.

Começou então a marcha forçada até Namugongo, onde se daria a execução. Pelo caminho, alguns dos jovens já foram mortos. Em Namugongo, no dia 3 de junho de 1886, um grupo foi queimado vivo, e Carlos Lwanga foi separado dos demais e morto primeiro, queimado lentamente, com requintes de crueldade. A tradição guarda as palavras que ele teria dirigido ao carrasco, sem ódio: que era como se lhe lançassem água, e que aquele homem deveria arrepender-se e tornar-se cristão. Naquela perseguição, que se estendeu por vários meses, tombaram ao todo vinte e dois mártires católicos — e também irmãos da comunhão anglicana derramaram seu sangue por Cristo.

O sangue daqueles mártires tornou-se semente de novos cristãos na África, como tantas vezes acontece na Igreja. Em 1920, o Papa Bento XV os elevou à honra dos altares como beatos. Em 1934, o Papa Pio XI proclamou São Carlos Lwanga padroeiro da juventude católica africana. E no dia 18 de outubro de 1964, durante o Concílio Vaticano II, o Papa Paulo VI — hoje também ele venerado como São Paulo VI — canonizou Carlos Lwanga e seus companheiros, inscrevendo para sempre os mártires de Uganda no catálogo dos santos.

Por que celebramos hoje

A Igreja celebra São Carlos Lwanga e companheiros em 3 de junho porque foi nesse dia, em 1886, que ele entregou a vida em Namugongo, queimado por causa de Cristo. No calendário litúrgico essa é a sua dies natalis — o “dia do nascimento” para o céu, como a tradição cristã chama a data do martírio. A memória reúne num só dia Carlos Lwanga e todo o grupo dos mártires de Uganda, ainda que alguns companheiros tenham morrido em datas próximas, ao longo da mesma perseguição.

Para nossa vida

Imagino que temos muito a aprender com São Carlos Lwanga, que se tornou luz para a nossa vida justamente ali onde a gente mais costuma fraquejar: na hora de assumir a fé diante dos outros. Ele tinha poucos meses de batizado e topou morrer queimado para não trair Cristo — e nós, que carregamos a fé há tantos anos, quantas vezes a escondemos por medo de uma piada, de uma crítica, de perder um cargo? A coragem dele não brotou de uma força sobrenatural reservada a poucos eleitos: brotou de levar a sério o mesmo Batismo que nós também recebemos. Podemos pedir essa firmeza nas pequenas batalhas do nosso dia a dia — no trabalho onde calamos por covardia, em casa onde deveríamos defender o que é certo, diante das tentações que nos pedem para ceder “só desta vez”. E, assim como Carlos protegeu os jovens confiados a ele, também nós somos chamados a proteger os mais frágeis que estão ao nosso redor. Que Deus seja louvado por nos deixar conhecer a história desses mártires, para que, olhando a coragem deles, encontremos forças para crescer no caminho da nossa própria fé.

E não temais aos que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes, porém, ao que pode lançar no inferno tanto a alma como o corpo.

Mt 10,28 (Figueiredo)

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