Artigo do dia · 20 de May
São Bernardino de Sena
Em Áquila, nos Abruzos, no ano de 1444, partiu para o Senhor São Bernardino de Sena, sacerdote da Ordem dos Frades Menores. Pregador incansável e missionário por toda a Itália, percorreu cidades e vilarejos anunciando a Cristo com voz fraca mas com fogo no coração, espalhando por onde passava a devoção ao Santíssimo Nome de Jesus.
Martirológio Romano
Sobre o santo
São Bernardino de Sena é um dos maiores exemplos de zelo apostólico que a Igreja já viu — um zelo que não se contentou com a vida tranquila do claustro, mas atravessou trinta anos de estradas italianas para gritar em praça pública o único Nome que salva. Era um homem de voz fraca, rouca, e mesmo assim arrastava multidões. Vamos conhecer um pouco da história desse santo extraordinário e ver como ele transformou cada pregação em uma fogueira acesa diante da indiferença do seu tempo.
História
Bernardino nasceu em 8 de setembro de 1380, em Massa Marittima, na Toscana, dentro da nobre família dos Albizzeschi. Mas a infância dele foi marcada cedo pela cruz: perdeu a mãe aos três anos e o pai aos seis, e foi criado por tias piedosas que lhe deram o que herdaria pela vida toda — uma fé séria, sem teatro. Cursou direito civil e canônico e, em 1397, ingressou na Confraria de Nossa Senhora, ligada ao grande hospital de Santa Maria della Scala, em Siena.
O ponto de virada veio em 1400, quando a peste negra voltou a varrer Siena. O jovem Bernardino deixou a vida recolhida de oração e, junto com dez companheiros, assumiu a administração inteira do hospital por quatro meses, cuidando pessoalmente dos doentes. Saiu de lá vivo, mas com a saúde abalada pelo resto da vida. Foi essa entrega heroica que selou sua vocação: em 8 de setembro de 1402, no mesmo dia em que celebrava a Natividade de Nossa Senhora, recebeu o hábito dos Frades Menores e se retirou para o convento observante de Columbaio. Fez profissão religiosa em 1403 e foi ordenado sacerdote em 1404, sempre nesse mesmo dia mariano.
Por volta de 1406, ainda quase desconhecido, ouviu de longe uma profecia que mudaria sua história: o grande São Vicente Ferrer, pregando em Alexandria do Piemonte, anunciou que seu manto missionário desceria sobre alguém que o estava ouvindo, e que ele próprio voltaria à França e à Espanha, deixando a um jovem frade a tarefa de evangelizar o resto da Itália. Esse jovem era Bernardino. E ele assumiu a missão por mais de trinta anos, percorrendo praças e igrejas, pregando contra a usura, o jogo, a feitiçaria e a corrupção dos costumes — mas, sobretudo, propagando como ninguém a devoção ao Santíssimo Nome de Jesus, simbolizada na tábua com o monograma IHS que erguia diante das multidões.
O zelo dele incomodou tanto os agiotas que foi denunciado por heresia, justamente por causa daquelas tábuas do Santo Nome. Mas a Igreja o reconheceu: defendido pela autoridade pontifícia, continuou a pregar até o fim. Foi também um pensador rigoroso da economia, autor de De contractibus et usuris, em que tratou da justa propriedade, da ética do comércio e da condenação da usura — antecipando temas que a doutrina social da Igreja desenvolveria séculos depois. Morreu em 20 de maio de 1444, em Áquila, esgotado pelas estradas. Apenas seis anos depois, em 1450, o Papa Nicolau V o inscreveu no catálogo dos santos.
Por que celebramos hoje
A Igreja celebra São Bernardino de Sena hoje, 20 de maio, no aniversário de sua morte em Áquila, em 1444 — o seu dies natalis, o dia do seu nascimento para o Céu. Trata-se de memória facultativa no calendário romano.
Para nossa vida
O legado mais bonito que São Bernardino nos deixa é uma prática simples e ao alcance de qualquer um: invocar o Nome de Jesus ao longo do dia. Ele não inventou nada de novo — apenas insistiu, com fogo, que aquele Nome é arma contra a tentação, conforto na angústia, remédio para o coração disperso. Você não precisa de uma tábua com o IHS na mão para imitá-lo: basta, no meio do trânsito, antes de uma decisão difícil, no instante em que a raiva sobe ou o medo aperta, sussurrar “Jesus” — devagar, com fé. É uma oração curta, mas que carrega o peso de toda a Redenção. Bernardino atravessou a Itália para ensinar isso; nós podemos começar agora, sem sair do lugar.
E não há-salvação em nenhum outro: Porque do Céu abaixo nenhum outro nome foi dado aos homens, pelo qual nós devamos ser salvos.
At 4,12 (Figueiredo)
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