Artigo · 17 de junho
O Sacramento do Batismo: porta da vida cristã
Você sabe a data do seu Batismo? Muita gente lembra do aniversário, do dia do casamento, da formatura — mas não faz ideia do dia em que se tornou filho de Deus. E, no entanto, foi ali que tudo começou. Antes de qualquer escolha nossa, Deus se debruçou sobre aquela criança (ou aquele adulto), derramou a água e disse, pela boca da Igreja, um sim eterno. O Batismo é a porta por onde entramos na vida cristã, e vale muito a pena parar para entender o que de fato aconteceu naquele dia.
A própria palavra já ajuda: batizar vem do grego e quer dizer mergulhar, submergir. E é isso que o sacramento realiza — um mergulho na morte e na ressurreição de Cristo. Pelo gesto simples da água e das palavras “eu te batizo em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, Deus age de verdade. Não se trata de um rito de boas-vindas, nem apenas de uma festa de família com vela e roupa branca, ainda que seja também motivo de festa. É o primeiro e mais fundamental dos sacramentos, aquele que nos faz cristãos. Não à toa o Catecismo o descreve como a porta que dá acesso aos outros sacramentos e o fundamento de toda a vida cristã (n. 1213).
E o que ele faz na alma? Muito mais do que os olhos veem. O Batismo apaga o pecado original e, no caso dos adultos, também os pecados pessoais; derrama em nós a graça santificante, que é a própria vida de Deus habitando a alma; e nos torna criaturas novas. Deixamos de ser apenas criaturas de Deus para nos tornarmos seus filhos adotivos, membros de Cristo e templos do Espírito Santo. Por isso a Igreja ensina que o Batismo imprime na alma uma marca permanente, um selo que nada apaga — e é também por isso que ele só pode ser recebido uma única vez na vida.
Foi o próprio Jesus quem abriu esse caminho. Antes de subir ao céu, mandou aos apóstolos: “Ide e fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. E a Nicodemos havia dito que ninguém entra no Reino de Deus sem renascer da água e do Espírito. Por isso a Igreja sempre afirmou que o Batismo é necessário à salvação para aqueles a quem o Evangelho foi anunciado e que tiveram a possibilidade de pedir este sacramento; ao mesmo tempo, confia à misericórdia de Deus os que não puderam recebê-lo. E é o Batismo que nos incorpora à Igreja: deixamos de caminhar sozinhos e passamos a fazer parte de um corpo, com irmãos espalhados pelo mundo inteiro.
Aqui surge uma dúvida comum: por que batizar bebês, que ainda não escolheram nada? Justamente porque o Batismo é, antes de tudo, dom — graça gratuita de Deus, e não recompensa pelo nosso entendimento. Os pais que levam um filho à pia batismal estão dizendo: “queremos que ele receba, desde já, a maior riqueza que temos para dar”. Depois virá o tempo de a criança fazer dessa fé a sua fé, de dizer pessoalmente o seu sim. Mas a vida de Deus já habita nela desde o primeiro dia — e que pressa mais bonita é essa, a de não deixar para depois o melhor presente.
Cada sinal do rito conta uma parte dessa história. A veste branca diz que a pessoa se revestiu de Cristo e foi lavada de todo pecado; a vela acesa no Círio Pascal lembra que ela é agora luz no mundo; os padrinhos assumem o compromisso de ajudá-la a crescer na fé. E há um detalhe que costuma escapar: o Batismo não é um ponto final, mas um ponto de partida. Dele nasce um compromisso de vida — renunciar ao pecado, professar a fé e viver como filhos da luz. É por isso que, todos os anos na Vigília Pascal, a Igreja nos convida a renovar as promessas do nosso Batismo. Quem quiser aprofundar a doutrina desse sacramento com calma encontra no Catecismo Romano uma exposição clássica e cheia de beleza.
Hoje é um dia comum no calendário — uma feria do Tempo Comum, sem festa nem santo a celebrar. E talvez seja por isso mesmo que valha a pena voltar ao começo de tudo. Nos dias sem nada de especial, naqueles em que a fé parece pura rotina, é bom recordar que carregamos no fundo da alma uma marca que nenhuma rotina apaga: somos batizados, somos de Cristo. Meditar no Batismo num dia qualquer é como reencontrar a raiz de onde brota toda a nossa vida cristã.
Que tal transformar essa meditação em gesto concreto? Procure a data do seu Batismo — pergunte aos pais, aos padrinhos, ou peça à paróquia onde foi batizado — e comece a celebrá-la como um segundo aniversário, o do dia em que você nasceu para Deus. Ao entrar na igreja, faça o sinal da cruz com a água benta lembrando do que ela significa: você pertence ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Se tem filhos ou afilhados, não adie o melhor presente que pode oferecer a eles. E, sobretudo, viva à altura do que recebeu: você é filho de Deus, e isso muda o modo como trata os outros, como reage às próprias quedas, como olha para o dia que tem pela frente. Hoje, em silêncio, agradeça por aquele dia em que, sem você ainda saber, o céu se abriu sobre a sua vida.
Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo, que quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus.
Jo 3,5 (Figueiredo)
O Lumen Lectio está em desenvolvimento contínuo. Encontrou um erro? Avise-nos em [email protected].