Artigo do dia · 25 de May
Maria
Memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja: aquela que respondeu “eis aqui a serva do Senhor” ao anjo Gabriel, gerou no seio virginal o Verbo eterno, acompanhou o Filho até a Cruz e, no Cenáculo, recebeu com os apóstolos o Espírito Santo no dia de Pentecostes. Dada por Mãe a todo discípulo amado, é venerada pela Igreja em todos os tempos como Mãe, advogada e socorro do povo cristão.
Martirológio Romano
Sobre o santo
Maria é o maior exemplo de docilidade à vontade de Deus que a história já viu — uma docilidade que mudou o curso do mundo quando uma jovem em Nazaré respondeu “eis aqui a serva do Senhor”. Da Anunciação ao Calvário, ela viveu cada hora da própria vida ouvindo, guardando e cumprindo aquilo que o Pai pedia, mesmo quando o pedido foi a espada que lhe atravessou a alma. E quando Jesus, do alto da Cruz, a entregou ao discípulo amado, entregou também a cada um de nós a Mãe que Ele mesmo escolheu. Hoje a Igreja celebra essa maternidade que continua viva — vamos contemplar a vida daquela que é toda “sim” a Deus e por isso é nossa Mãe.
História
As fontes biográficas sobre a vida terrena de Maria são essencialmente os Evangelhos; muitos detalhes que a piedade popular preservou — como os nomes de seus pais ou episódios da infância — vêm de tradições antigas, não das Escrituras canônicas. A história do título “Mãe da Igreja” está documentada nos atos do Concílio Vaticano II e no decreto da Congregação para o Culto Divino de 11 de fevereiro de 2018.
Maria nasceu em Israel, da estirpe de Davi, e foi escolhida por Deus desde toda a eternidade para ser a Mãe do Verbo encarnado. Os Evangelhos não nos contam quase nada de sua infância e juventude — apenas que era virgem, desposada com José, da cidade de Nazaré, na Galileia. A tradição cristã venera seus pais como São Joaquim e Sant’Ana, mas os detalhes da meninice de Maria não chegaram a nós pelas Escrituras canônicas: o que importa é que, quando o anjo a encontrou, era uma alma já preparada por Deus para o “sim”.
A vida pública de Maria começa quando o anjo Gabriel é enviado a Nazaré e ela ouve o anúncio que mudaria a história: seria mãe do Filho do Altíssimo. Sua resposta — “faça-se em mim segundo a tua palavra” — é o eco que a Igreja repete até hoje em cada Angelus. Daquele “sim” brotou tudo: a Visitação a Isabel e o cântico do Magnificat, o nascimento em Belém numa manjedoura, a fuga ao Egito, a vida escondida em Nazaré, o reencontro do Menino entre os doutores no Templo aos doze anos.
Na vida pública de Jesus, Maria aparece em momentos pontuais mas decisivos. Nas bodas de Caná, é ela quem provoca o primeiro sinal, dizendo aos servos “fazei tudo o que ele vos disser” — talvez a frase mais maternal que uma mãe já disse sobre o próprio Filho. E, sobretudo, ao pé da Cruz, recebe do Filho moribundo a missão mais inesperada: “mulher, eis aí o teu filho”, apontando para o discípulo amado. Naquele instante, a tradição da Igreja sempre viu Maria sendo entregue como Mãe a todos os discípulos de Cristo de todos os tempos.
Depois da Ressurreição e da Ascensão, Maria está reunida com os apóstolos no Cenáculo, perseverando em oração, quando o Espírito Santo desce sobre a Igreja nascente em Pentecostes. Daí em diante a Escritura silencia, mas a tradição preserva sua presença orante junto à comunidade primitiva até o dia em que, terminada sua peregrinação terrena, foi assunta de corpo e alma à glória do Céu — verdade definida solenemente pelo Papa Pio XII em 1950.
O título “Mãe da Igreja”, que celebramos hoje, foi solenemente proclamado pelo Papa Paulo VI em 21 de novembro de 1964, no encerramento da terceira sessão do Concílio Vaticano II. Em 2018, o Papa Francisco inscreveu a memória obrigatória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, no Calendário Romano Geral, fixando-a na segunda-feira após Pentecostes — para que toda a Igreja, ainda contemplando a descida do Espírito sobre o Cenáculo, reconhecesse na Mãe de Cristo também a sua própria Mãe.
Por que celebramos hoje
A memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, foi inscrita por decreto do Papa Francisco no Calendário Romano Geral em 11 de fevereiro de 2018, e fixada na segunda-feira logo após o Domingo de Pentecostes. Em 2026, com a Páscoa em 5 de abril e Pentecostes em 24 de maio, essa segunda-feira cai no dia 25 — por isso celebramos hoje Maria como Mãe da Igreja, no dia seguinte ao Cenáculo, ainda com o coração tomado pela descida do Espírito Santo sobre a comunidade primitiva, na qual ela mesma estava presente em oração.
Para nossa vida
Olhar para Maria neste dia é uma oportunidade para repensar o que respondemos a Deus quando Ele bate à nossa porta. Quase nunca seremos chamados a coisas tão extraordinárias quanto gerar o Verbo no ventre — mas todos os dias somos chamados a pequenos “faça-se” diante do trabalho cansativo, do filho que precisa de paciência, do irmão difícil de amar, da Cruz que aparece sem aviso. A docilidade de Maria não foi um momento heroico isolado: foi uma postura cultivada dia após dia no silêncio escondido de Nazaré, e por isso esteve pronta quando o anjo chegou e quando a espada veio.
Uma prática concreta para hoje: rezar o Angelus às 12 horas, ou um terço inteiro, lembrando que cada Ave-Maria é o eco do “sim” que ela disse primeiro por todos nós. Se isso parece pouco, vale lembrar que Ela mesma escolheu aparições simples — três pastorinhos em Fátima, uma menina índia em Guadalupe, uma camponesa em Lourdes — para mostrar que o caminho do Céu passa por gestos pequenos feitos com o coração inteiro. Ela é nossa Mãe; basta chamá-la, e Ela vem.
Jésus pois tendo visto sua mãe, e ao discípulo que ele amava, o-qual estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discipulo: Eis aí tua mãe. E desta hora em diante a tomou o discípulo para sua casa.
Jo 19,26-27 (Figueiredo)
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