Artigo do dia · 14 de May

Ascensão do Senhor

Ascensão do Senhor

Solenidade da Ascensão do Senhor, celebrada quarenta dias depois da Páscoa, na qual Jesus Cristo, vencedor da morte, foi elevado ao céu por seu próprio poder, levando consigo a humanidade que assumiu e sentando-Se à direita do Pai. Enviou os discípulos a pregar o Evangelho a toda criatura, prometeu o Espírito Santo e garantiu sua presença com a Igreja até a consumação dos séculos.

Martirológio Romano

Sobre o santo

A Ascensão do Senhor é o sinal mais alto da esperança cristã — a virtude que sustenta o cristão entre a cruz e a glória, e que nesta solenidade encontra seu fundamento mais sólido. Aqui não estamos diante da memória de um santo, mas do próprio Cristo entrando glorioso no céu com a humanidade que assumiu de nós. É a festa que nos ensina que o corpo do homem cabe em Deus, que o céu não nos é estranho, que nossa pátria já tem um adiantado lá em cima. Vamos contemplar o que a Igreja sempre celebrou nesse dia e ver como a Ascensão acende uma esperança que nenhuma tristeza desta vida consegue apagar.

História

O acontecimento que esta solenidade celebra está narrado pelos evangelhos e pelo livro dos Atos dos Apóstolos: depois de aparecer aos discípulos durante quarenta dias, falando-lhes do Reino de Deus, o Senhor Jesus foi elevado ao céu diante dos olhos deles, e uma nuvem o ocultou. Os próprios termos latinos com que a Igreja antiga nomeou a festa — ascensio e ascensa — guardam uma verdade preciosa: Cristo subiu ao Pai por seu próprio poder, não como Elias arrebatado num carro de fogo, mas como Senhor que retorna à glória que sempre teve.

A celebração litúrgica desse mistério é antiquíssima. Já no início do século V, Santo Agostinho afirma que a festa é de origem apostólica e fala dela de um modo que mostra que era observada universalmente pela Igreja muito antes do seu tempo. João Crisóstomo, Gregório de Nissa e a antiga Constituição dos Apóstolos mencionam a solenidade com naturalidade, e a Peregrinação de Egéria, do final do século IV, descreve a vigília e a festa como já estabelecidas em Jerusalém. Os primeiros afrescos e dípticos com a cena da Ascensão também datam do século V — sinal de que o mistério era contemplado, rezado e visto pelos cristãos desde os primeiros séculos.

Tradicionalmente, a festa cai na quinta-feira que completa quarenta dias após a Páscoa, seguindo a contagem de Atos 1,3. Por isso recebeu, em alguns lugares, o nome de “Quinta-feira Santa” — embora hoje esse título seja usado quase só para a quinta-feira da Semana Santa. Os três dias que a precedem foram chamados de Dias de Rogação, e o domingo anterior, de Domingo de Rogação, em que a Igreja pedia bênçãos sobre os campos e o trabalho dos homens.

A partir do século XV, a solenidade passou a ter uma oitava, espaço de prolongamento da festa que mais tarde se transformou, por orientação do papa Leão XIII, na novena preparatória para Pentecostes — os nove dias em que os discípulos perseveraram em oração com Maria, esperando o Espírito Santo. Em 1992, várias províncias eclesiásticas, com permissão da Santa Sé, transferiram a celebração da quinta-feira para o domingo seguinte, para que mais fiéis pudessem honrar este Dia Santo de Obrigação. No Brasil, conforme a conferência episcopal, a celebração também foi transferida para o domingo da semana seguinte; mas o dia litúrgico próprio da Ascensão continua sendo a quinta-feira, quarenta dias depois da Páscoa.

Por que celebramos hoje

A Ascensão é celebrada quarenta dias depois da Páscoa, seguindo a contagem do livro dos Atos dos Apóstolos (At 1,3), que registra esse tempo de aparições do Senhor ressuscitado antes de subir ao Pai. Em 2026, a Páscoa caiu em 5 de abril; contando inclusivamente, o quadragésimo dia recai exatamente na quinta-feira, 14 de maio — o dia litúrgico próprio da solenidade, ainda que em muitas dioceses do Brasil a celebração seja transferida para o domingo seguinte.

Para nossa vida

A Ascensão é a festa da esperança aterrissada. Não somos cristãos de uma esperança vaga, de um céu poético — somos cristãos de um céu onde já há um corpo humano sentado à direita do Pai. Onde Ele entrou, nós podemos entrar; o que Ele atravessou, atravessaremos com Ele. Isso muda o modo como se carrega um dia comum: o trabalho de hoje, o filho doente, a dívida que não fecha, a conversa difícil que precisa ser tida — tudo isso ganha peso diferente quando se sabe que a vida não termina aqui, que há um Senhor intercedendo por nós no céu.

Aproveite estes dez dias entre a Ascensão e Pentecostes para fazer a novena ao Espírito Santo, como a Igreja faz desde o século XV. Não é devocionismo — é a oração que os Apóstolos fizeram com Maria no Cenáculo, esperando o Consolador prometido. Reze um pouquinho a cada dia, peça ao Espírito que reacenda em você a certeza do céu, e levante os olhos. Cristo subiu, mas não nos deixou órfãos: prometeu estar conosco todos os dias, até a consumação dos séculos.

E, tendo dito isto, vendo-o eles, foi elevado; e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos. E, como estivessem olhando para o Céu enquanto ele subia, eis que dois varões com vestes brancas se puseram ao lado deles, os quais também lhes disseram: Varões galileus, por que estais olhando para o Céu? Este Jesus, que de vós foi elevado ao Céu, assim virá, do mesmo modo como o vistes ir para o Céu.

At 1,9-11 (Figueiredo)

O Lumen Lectio está em desenvolvimento contínuo. Encontrou um erro? Avise-nos em [email protected].