Orações · Mistérios da Fé

Mistério dos Últimos Fins — Novissima: Morte, Juízo, Inferno, Glória

A meditação dos Últimos Fins — os Novissima, em latim — é dever de todo cristão e raiz da sabedoria espiritual: memorare novissima tua, et in aeternum non peccabis — lembra-te dos teus últimos fins, e jamais pecarás (Eclo 7,40 Vulgata). A tradição católica clássica conta quatro: Morte, Juízo, Inferno, Glória do Céu. Define solenemente esta doutrina o Concílio de Lyon II (1274) na Profissão de Fé do Imperador Miguel Paleólogo: as almas dos plenamente justificados entram imediatamente no Céu; as dos que morrem em pecado mortal não arrependido descem imediatamente ao Inferno; as dos que precisam de purificação passam pelo Purgatório. Bento XII promulgou a Constituição Apostólica Benedictus Deus em 29 de janeiro de 1336, definindo solenemente que as almas dos santos plenamente purificadas gozam da visão beatífica imediata — vêem a essência divina face a face, intuitivamente, sem mediação de criatura. O Concílio de Florença ratificou a doutrina no Decreto Laetentur caeli de 6 de julho de 1439 para a união com os Gregos, depois retomado nas Bulas para os Armênios (Exsultate Deo, 22.11.1439) e para os Coptas (Cantate Domino, 4.02.1442). O Concílio de Trento reafirmou a doutrina sobre o Purgatório (Sessão VI, can. 30; Sessão XXII; e o Decreto De Purgatorio da Sessão XXV em 4.12.1563) e sobre a invocação dos santos (Sessão XXV). Esta oração medita os quatro Novissima em quatro movimentos, com as três grandes citações bíblicas sobre o término escatológico: 1Cor 13,12 (face a face), 1Cor 2,9 (que olho não viu) e Ap 21,1-4 (céus novos e terra nova), apresentadas em PT+LA+EN trilíngue.

I. Da morte. Senhor meu Deus, lembrai-Vos de que eu sou mortal: statutum est hominibus semel mori, et post hoc iudicium — está estabelecido que os homens morram uma só vez e que depois disso venha o juízo (Heb 9,27). Eu ignoro o dia, ignoro a hora; sei apenas que ela virá certamente. Dai-me, pela intercessão de S. José padroeiro da boa morte (cf. Defuntos 3o.5), morrer em estado de graça, com a Confissão, o Viático e a Unção dos Enfermos, em vossa companhia, com o Crucifixo nas mãos e a jaculatória Jesus, Maria, José nos lábios.

II. Do juízo. Senhor, sei que todos seremos manifestos diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba conforme o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal (2Cor 5,10). Conhecereis o segredo dos meus pensamentos, o conteúdo das minhas palavras, a intenção das minhas obras, as omissões dos meus deveres. Concedei-me viver hoje como hei de querer ter vivido naquele dia. Que a meditação do juízo me afaste do pecado e me confirme na esperança da Vossa misericórdia.

III. Do inferno. Senhor Jesus, Vós próprio falastes do fogo eterno preparado para o diabo e os seus anjos (Mt 25,41), do choro e ranger de dentes (Mt 13,42), do verme que não morre e do fogo que não se extingue (Mc 9,47). A pena maior do inferno é a separação eterna de Vós — poena damni — porque a alma criada para Vós, separada de Vós para sempre, é o suplício essencial. Livrai-me, ó Salvador, dessa perda terrível; e dai-me hoje a graça de uma contrição perfeita por todos os meus pecados, que poderiam ter merecido tal castigo se a Vossa misericórdia não houvesse intervindo.

IV. Da glória do Céu. Ó Deus uno e trino, manifestai-me na hora da minha morte a Vossa face: videmus nunc per speculum in aenigmate, tunc autem facie ad faciem — agora vemos por espelho e em enigma, mas então face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como sou conhecido (1Cor 13,12). Que minha alma, plenamente purificada — pela Vossa misericórdia neste mundo ou pelo fogo do Purgatório no outro — entre imediatamente, conforme definiu Benedictus Deus, na visão beatífica que é o gozo essencial do Céu: a contemplação intuitiva da Vossa divina essência, na companhia da Vossa santíssima Mãe, dos Anjos, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, das Virgens e de todos os santos. Onde oculus non vidit, nec auris audivit, nec in cor hominis ascendit, quae praeparavit Deus iis qui diligunt illum — coisas que nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem ao coração do homem subiram, quais Deus preparou para os que o amam (1Cor 2,9). Aí absterget Deus omnem lacrimam ab oculis eorum: et mors ultra non erit, neque luctus, neque clamor, neque dolor erit ultra, quia prima abierunt — Deus enxugará toda lágrima de seus olhos; e não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque as primeiras coisas passaram (Ap 21,4).

Maranatha — Vinde, Senhor Jesus. Amém. (Ap 22,20)

← Voltar ao índice de orações