Orações · Bíblia

Mane Nobiscum Domine — oração dos discípulos de Emaús

O episódio dos Discípulos de Emaús (Lucas 24,13-35) é uma das mais belas páginas do Evangelho. Na tarde mesma da Ressurreição, dois discípulos abandonam Jerusalém desiludidos, voltando à sua aldeia. No caminho, um terceiro aproxima-se: o Ressuscitado, que eles não reconhecem. Caminha com eles, explica-lhes as Escrituras («começando por Moisés e por todos os Profetas», Lc 24,27), faz arder seus corações. Ao chegar à aldeia, finge prosseguir, e eles o detêm com a súplica: «Mane nobiscum, Domine, quoniam advesperascit, et inclinata est iam dies»«Ficai connosco, Senhor, porque é tarde e já se inclina o dia» (Lc 24,29). Cristo entra. À mesa, parte o pão; nesse exato gesto eucarístico, os olhos deles abrem-se e o reconhecem — e ele desaparece da sua vista. São João Paulo II dedicou a esta perícope a Carta Apostólica Mane Nobiscum Domine (7 de outubro de 2004), que abriu o Ano da Eucaristia. Esta oração acompanha a meditação do episódio, e pode ser feita ao entardecer — antes do jantar, no fim do trabalho, ao acender as luzes da casa — como pedido cotidiano de que Cristo entre na nossa casa.

(Ao entardecer, ou diante do Evangelho aberto em Lc 24:)

Senhor Jesus Cristo, ressuscitado naquela tarde de Páscoa, que caminhastes com os dois discípulos de Emaús sem que eles Vos reconhecessem ao princípio: caminhai connosco também hoje, no fim deste dia, mesmo quando a nossa fé está fraca como a deles e o desânimo nos faz voltar para trás do caminho do Calvário.

Repeti em nós a vossa lição daquela tarde: «começando por Moisés e por todos os Profetas», abri-nos o sentido das Escrituras, fazei arder os nossos corações enquanto Vós nos falais ao longo do caminho.

E na hora em que entrarmos em nossa casa, ao entardecer deste dia, dignai-Vos entrar connosco; pois, sem Vós, a refeição é triste, a noite é vazia, o sono é apreensivo. Convosco, tudo se ilumina.

Ficai connosco, Senhor, ao partir o pão da nossa mesa — pão simples do trabalho diário — e abri-nos os olhos para Vos reconhecermos onde Vós escolhestes ficar: na Eucaristia, sacramento que reproduz para sempre o gesto de Emaús; nas Escrituras, ouvidas e meditadas em casa; nos pobres e enfermos, em quem Vós Vos fazeis encontrar; nos irmãos reunidos em vosso Nome, dois ou três deles, com Vós no meio.

Quando partirmos finalmente desta vida — nossa última Emaús — esperamos que Vós, que naquela tarde fingíeis ir mais longe, fingíeis ir mais longe também conosco apenas para nos provocar à súplica: «Mane nobiscum, Domine». E entreis para sempre na casa do Pai, levando-nos convosco.

«Mane nobiscum, Domine, quoniam advesperascit.»
Ficai connosco, Senhor, porque é tarde.

Amém.

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