Orações · Tríduo e Páscoa

Improperia — Popule meus, quid feci tibi? — da Adoração da Cruz

Os Improperia — palavra latina que significa queixas ou reproches — são as antífonas cantadas no rito da Adoração da Cruz, na ação litúrgica da Sexta-feira Santa, enquanto o povo se aproxima do altar para venerar a Cruz desvelada pelo celebrante. Têm a forma de queixas amorosas que o Cristo crucificado dirige ao seu povo, contrapondo as bênçãos da Antiga Aliança (libertação do Egito, travessia do Mar Vermelho, alimento do maná, água da rocha) aos atos da Paixão (cruz, fel, vinagre, lança, coroa de espinhos). A sua estrutura mais antiga conhecida é o Trisagion grego-latino alternadoHagios o Theos, Hagios Ischyros, Hagios Athanatos, eleison hymas — em grego e em latim — único momento da liturgia romana onde o grego é cantado ao lado do latim, sinal antiquíssimo da unidade da Igreja entre Oriente e Ocidente. Os Improperia estão atestados desde o Pontifical Romano-Germânico do século X (Mainz, c. 950); estudos litúrgicos sugerem origens mais antigas na liturgia papal de Roma, no Sacramentário Gelasiano (séc. VIII). Os versículos do Profeta são tirados de Miqueias 6,3-4 e Isaías 5,4. Mantidos no Missal Romano de São Pio V (1570), foram conservados na renovação litúrgica de São Paulo VI (1970), permanecendo como canto próprio da Adoração da Cruz. Apresentamos aqui a forma tradicional integral em latim, com tradução portuguesa literal própria do latim original (sem reproduzir CNBB nem nenhum missal traduzido moderno).

(O celebrante e dois cantores alternam:)

Povo meu, que te fiz eu, ou em que te contristei? Responde-me.

Porque eu te tirei da terra do Egito: tu preparaste a Cruz para o teu Salvador.

(Os dois coros respondem alternadamente em grego e em latim:)

— Santo Deus. — Sanctus Deus.
— Santo Forte. — Sanctus Fortis.
— Santo Imortal, tem piedade de nós. — Sanctus Immortalis, miserere nobis.

Porque eu te conduzi através do deserto por quarenta anos, e te alimentei com o maná, e te introduzi numa terra excelente: tu preparaste a Cruz para o teu Salvador.

— Santo Deus. — Sanctus Deus.
— Santo Forte. — Sanctus Fortis.
— Santo Imortal, tem piedade de nós. — Sanctus Immortalis, miserere nobis.

Que mais devia eu fazer por ti, e não fiz? Eu, na verdade, te plantei como vinha minha eleitíssima e formosíssima: e tu te tornaste para mim em fel demasiadamente amargo: pois na minha sede com vinagre me deste de beber, e com a lança traspassaste o lado do teu Salvador.

— Santo Deus. — Sanctus Deus.
— Santo Forte. — Sanctus Fortis.
— Santo Imortal, tem piedade de nós. — Sanctus Immortalis, miserere nobis.

(Seguem os reproches menores, alternados verso a verso pelos dois coros:)

Eu por ti flagelei o Egito com seus primogênitos: e tu a mim me entregaste para ser flagelado.

Eu te tirei do Egito, submergindo o Faraó no Mar Vermelho: e tu a mim me entregaste aos príncipes dos sacerdotes.

Eu abri o mar diante de ti: e tu abriste com a lança o meu lado.

Eu fui adiante de ti em coluna de nuvem: e tu me conduziste ao pretório de Pilatos.

Eu te alimentei com o maná no deserto: e tu me abofeteaste e me flagelaste.

Eu te dei a beber a água salutar da rocha: e tu me deste a beber fel e vinagre.

Eu por ti feri os reis dos cananeus: e tu feriste com uma cana a minha cabeça.

Eu te dei o cetro real: e tu deste à minha cabeça a coroa de espinhos.

Eu te exaltei com grande poder: e tu a mim me suspendeste no patíbulo da Cruz.

(Conclui-se com o convite final à veneração da Cruz:)

Eis aqui o lenho da Cruz, no qual esteve pendente a Salvação do mundo.

— Vinde, adoremos.

Em latim

Popule meus, quid feci tibi? aut in quo contristavi te? responde mihi.
Quia eduxi te de terra Aegypti: parasti Crucem Salvatori tuo.

Hagios o Theos. — Sanctus Deus.
Hagios Ischyros. — Sanctus Fortis.
Hagios Athanatos, eleison hymas. — Sanctus Immortalis, miserere nobis.

Quia eduxi te per desertum quadraginta annis, et manna cibavi te, et introduxi te in terram satis bonam: parasti Crucem Salvatori tuo.

Hagios o Theos. — Sanctus Deus.
Hagios Ischyros. — Sanctus Fortis.
Hagios Athanatos, eleison hymas. — Sanctus Immortalis, miserere nobis.

Quid ultra debui facere tibi, et non feci? Ego quidem plantavi te vineam meam speciosissimam: et tu facta es mihi nimis amara: aceto namque sitim meam potasti: et lancea perforasti latus Salvatori tuo.

Hagios o Theos. — Sanctus Deus.
Hagios Ischyros. — Sanctus Fortis.
Hagios Athanatos, eleison hymas. — Sanctus Immortalis, miserere nobis.

Ego propter te flagellavi Aegyptum cum primogenitis suis: et tu me flagellatum tradidisti.
Ego eduxi te de Aegypto, demerso Pharaone in Mare Rubrum: et tu me tradidisti principibus sacerdotum.
Ego ante te aperui mare: et tu aperuisti lancea latus meum.
Ego ante te praeivi in columna nubis: et tu me duxisti ad praetorium Pilati.
Ego te pavi manna per desertum: et tu me cecidisti alapis et flagellis.
Ego te potavi aqua salutis de petra: et tu me potasti felle et aceto.
Ego propter te Chananaeorum reges percussi: et tu percussisti arundine caput meum.
Ego dedi tibi sceptrum regale: et tu dedisti capiti meo spineam coronam.
Ego te exaltavi magna virtute: et tu me suspendisti in patibulo Crucis.

Ecce lignum Crucis, in quo salus mundi pependit. — Venite, adoremus.

← Voltar ao índice de orações