Dies Iræ
O Dies Iræ é a sequência tradicional da Missa dos Defuntos e da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (2 de novembro), atribuído a Tomás de Celano (séc. XIII), companheiro de São Francisco. Texto poderoso sobre o Juízo Final. Embora não seja obrigatório na liturgia atual, conserva-se como hino devocional para meditação sobre as últimas coisas; pode ainda ser cantado em Missas de Réquiem na forma extraordinária e nas Vésperas da última semana do tempo comum.
Dia de ira, aquele dia,
reduzirá o século em cinzas,
como atestam Davi e a Sibila.
Que tremor há de haver,
quando o Juiz vier
todas as coisas discutir estritamente.
A trombeta, espalhando som admirável
pelos sepulcros das regiões,
fará todos comparecer ante o trono.
A morte se assombrará e a natureza,
quando ressurgir a criatura,
para responder ao seu Juiz.
O livro escrito será trazido,
no qual tudo se contém,
donde o século será julgado.
Quando, pois, o Juiz se sentar,
tudo o que está oculto aparecerá:
nada ficará impune.
Que direi eu, pobre, então?
A qual patrono recorrerei,
quando apenas o justo está seguro?
Rei de tremenda majestade,
que salvais gratuitamente os que se salvam,
salvai-me, ó fonte de piedade.
Lembrai-vos, ó pio Jesus,
que eu sou a causa da vossa caminhada;
não me percais naquele dia.
Procurando-me, sentastes-Vos cansado,
redimistes-me sofrendo a Cruz;
tanto trabalho não seja perdido.
Ó Juiz da justa vingança,
concedei-me o dom da remissão
antes do dia das contas.
Gemo como réu,
cora-se a face de minha culpa;
poupai, ó Deus, ao suplicante.
Vós, que absolvestes Maria
e ouvistes o ladrão,
destes-me também esperança.
Minhas preces não são dignas;
mas Vós, que sois bom, fazei benignamente
que não arda no fogo eterno.
Colocai-me entre as ovelhas,
separai-me dos bodes,
pondo-me à vossa direita.
Confundidos os malditos,
condenados a chamas devoradoras:
chamai-me com os benditos.
Suplico, prostrado e suplicante,
com o coração contrito como cinza;
cuidai do meu fim.
Dia de lágrimas aquele,
em que ressurgirá do pó,
para ser julgado, o homem réu.
A ele, pois, perdoai, ó Deus.
Piedoso Senhor Jesus,
dai-lhes o eterno descanso. Amém.
Em latim
Dies iræ, dies illa,
solvet sæclum in favilla,
teste David cum Sibylla.
Quantus tremor est futurus,
quando Iudex est venturus,
cuncta stricte discussurus!
Tuba, mirum spargens sonum
per sepulcra regionum,
coget omnes ante thronum.
Mors stupebit et natura,
cum resurget creatura,
iudicanti responsura.
Liber scriptus proferetur,
in quo totum continetur,
unde mundus iudicetur.
Iudex ergo cum sedebit,
quidquid latet apparebit:
nil inultum remanebit.
Quid sum miser tunc dicturus?
Quem patronum rogaturus,
cum vix iustus sit securus?
Rex tremendæ maiestatis,
qui salvandos salvas gratis,
salva me, fons pietatis.
Recordare, Iesu pie,
quod sum causa tuæ viæ:
ne me perdas illa die.
Quærens me, sedisti lassus:
redemisti Crucem passus:
tantus labor non sit cassus.
Iuste Iudex ultionis,
donum fac remissionis
ante diem rationis.
Ingemisco, tamquam reus:
culpa rubet vultus meus:
supplicanti parce, Deus.
Qui Mariam absolvisti,
et latronem exaudisti,
mihi quoque spem dedisti.
Preces meæ non sunt dignæ:
sed tu bonus fac benigne,
ne perenni cremer igne.
Inter oves locum præsta,
et ab hædis me sequestra,
statuens in parte dextra.
Confutatis maledictis,
flammis acribus addictis,
voca me cum benedictis.
Oro supplex et acclinis,
cor contritum quasi cinis:
gere curam mei finis.
Lacrimosa dies illa,
qua resurget ex favilla
iudicandus homo reus.
Huic ergo parce, Deus.
Pie Iesu Domine,
dona eis requiem. Amen.