Orações · Cruz de Cristo

Devoção às Cinco Chagas de Cristo

As Cinco Chagas de Nosso Senhor — as duas das mãos, as duas dos pés e a do lado aberto pela lança do soldado — são as marcas indeléveis da Paixão, conservadas no Corpo glorificado de Cristo depois da Ressurreição como sinal definitivo do amor redentor: «Pondo o teu dedo aqui, vê as minhas mãos; e chega a tua mão e mete-a no meu lado» (Jo 20,27). A devoção às Cinco Chagas remonta aos primeiros séculos cristãos, foi profundamente cultivada por São Bernardo de Claraval († 1153) no Sermão sobre o Cântico dos Cânticos, por São Boaventura († 1274) no Vitis Mystica (cap. III) e na Devoção dos Cinco Pater Noster pelas Cinco Chagas, e culminou no séc. XIII com a impressão dos estigmas de Cristo nas mãos, pés e lado de São Francisco de Assis no Monte Alverne, em 14 de setembro de 1224. Esta devoção, indulgenciada desde Inocêncio VI (séc. XIV), continua viva sobretudo entre franciscanos e em Padre Pio († 1968, estigmatizado por 50 anos). Reza-se nas Sextas-feiras, especialmente em Quaresma.

Senhor Jesus Cristo, que pela vossa Paixão redentora quisestes conservar para sempre, no vosso Corpo glorioso, as Cinco Chagas como sinal eterno do amor que tendes pelo Pai e por nós: eu Vos adoro hoje, prostrado em espírito diante do vosso Crucifixo.

(Em cada Chaga, recite um Pai-Nosso e medite por um momento:)

I — A Chaga da mão direita. Adoro-Vos, Senhor, na chaga aberta pelo prego que traspassou a vossa mão direita. Por esta Chaga, perdoai-me os pecados que cometi com a minha mão direita — as obras más, as palavras escritas que feriram, os juramentos falsos. Pai-Nosso.

II — A Chaga da mão esquerda. Adoro-Vos na chaga aberta pelo prego que traspassou a vossa mão esquerda. Por esta Chaga, perdoai-me os pecados de omissão — o bem que eu devia fazer e não fiz, a esmola negada, a ajuda recusada. Pai-Nosso.

III — A Chaga do pé direito. Adoro-Vos na chaga aberta pelos pregos que prenderam o vosso pé direito. Por esta Chaga, perdoai-me os caminhos maus por onde levei meus pés — os lugares de pecado, as companhias perigosas, as fugas da casa do Pai. Pai-Nosso.

IV — A Chaga do pé esquerdo. Adoro-Vos na chaga aberta pelos pregos que prenderam o vosso pé esquerdo. Por esta Chaga, levai-me de hoje em diante aos caminhos que conduzem a Vós — a igreja, a casa dos pobres, o leito dos enfermos. Pai-Nosso.

V — A Chaga do lado. Adoro-Vos sobretudo na chaga do vosso Sagrado Lado, aberta pela lança do soldado, da qual brotaram «sangue e água» (Jo 19,34) — fonte dos sacramentos da Igreja, especialmente do Batismo (água) e da Eucaristia (sangue). Por esta Chaga, escondei-me — segundo a Anima Christi: «intra tua vulnera absconde me» — esconde-me dentro das tuas chagas. Pai-Nosso.

Sangue e água que jorrastes do Coração de Jesus como fonte de misericórdia para nós, eu confio em Vós (cf. devoção da Divina Misericórdia, já em Aos Santos).

Amém.

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