Catecismo Romano · Anexos

Anexo

Sumário Catequístico

Perguntas e respostas que resumem a doutrina dos capítulos.

Sumário Catequístico

Proêmio

1. Poderia o homem conhecer, só pela luz da razão, todos os seus deveres para com Deus?

Não os poderia. Por isso é que Deus lhos revelou desde o princípio do mundo, conforme consta da tradição dos povos, dos monumentos históricos, em particular das crianças católicas. — Pr 1.

2. Como a Religião Revelada se conservou e propagou através dos séculos?

Conservou-se, primeiro, pela tradição dos Patriarcas; segundo, pelo magistério dos Profetas; terceiro, pela instituição do sacerdócio judaico, que durou desde Moisés até Jesus Cristo; quarto, pela missão divina de Jesus Cristo, dos Apóstolos e seus legítimos sucessores. — Pr 2-4.

3. Por que mandaram os Padres Tridentinos fazer um Catecismo para os Párocos?

Em primeiro lugar, para conservar mais facilmente a unidade da fé, e para combater as heresias que se multiplicavam de maneira assustadora; depois, para ajudar e orientar os pastores que tinham menos tempo ou capacidade de estudar e conhecer mais a fundo todas as partes da doutrina católica — Pr 5-8.

4. Que se contém no Catecismo do Concílio de Trento?

O Catecismo Romano contém dois pontos principais: normas ou sugestões que os pastores devem seguir na instrução e formação religiosa de seus paroquianos; e um sumário de todas as verdades que o cristão deve crer e praticar. — Pr 9.

5. Que prescreve o Catecismo Romano aos pastores?

Manda os pastores instruírem o fiel cristão segundo as suas necessidades individuais, de acordo com a inteligência de cada um. Lembra-lhes, outrossim, que na instrução religiosa devem tomar, como ponto de referência, o conhecimento de Deus e de Jesus Cristo, a prática da caridade, isto é, a observância dos Mandamentos da Lei de Deus e da Igreja. — Pr 10-II I.

6. Como se divide a doutrina cristã? E

Divide-se em quatro partes, abrangendo o que o cristão deve crer, fazer, receber e pedir. Com outras palavras, compreende o Símbolo, o Decálogo, os Sacramentos, e a Oração, — Pr 12-13.

Da Fé, e do Símbolo da Fé

7. Que é a fé?

Fé é a convicção firme e inabalável que temos, das coisas reveladas por Deus, ou propostas a crer, pelo magistério infalível da Igreja, — I I. 8. A fé é necessária para a salvação?

É necessária, pois que sem a fé não podemos conhecer a Deus e a Jesus Cristo nem os deveres que a Religião nos impõe a cada um de nós. — I I.

9. A fé poderá enganar-nos?

Não pode, porque Deus é a própria verdade, e prometeu assistência à Igreja até o fim dos séculos. — I II.

10. A fé é igual em todos os crentes?

É igual quanto ao seu objeto, mas quanto ao conhecimento individual pode crescer em cada cristão, e tornar-se mais viva e operante. — I I.

II

I. Qual é o objeto da fé?

São as verdades contidas no Símbolo dos Apóstolos, isto é no sumário das verdades ensinadas por Jesus Cristo. O Símbolo foi composto pelos Apóstolos, antes de se espalharem pelo mundo, para a pregação do Evangelho. Sua finalidade era conservar em toda a parte a mesma expressão de uma só fé. — I I 2-3.

12. Como se divide o Símbolo?

Divide-se em 12 Artigos. Podemos todavia, reduzido a três partes principais. A primeira diz respeito a Deus Padre e à obra da Criação. A segunda se refere a Deus Filho e à obra da Redenção. A terceira fala do Espírito Santo e da obra da santificação — I I 4.

Artigo Primeiro do Credo

13. Qual é o sentido geral do Artigo: “Creio em Deus Padre”?

Exprime duas verdades ou dogmas. A primeira é que o cristão deve crer firmemente na existência de um só Deus em três Pessoas, Criador do Universo, e sumamente perfeito. A segunda é que deve reconhecê-l'O como fonte e princípio de todo o bem, e consagrar-se a Ele como a seu fim último. — I II 1.

14. Qual é o caráter particular da fé?

Baseando-se na própria palavra de Deus, a fé dá ao cristão plena certeza das verdades que Deus nos ensina, e dispensa-o de fazer pesquisas inúters e curiosas acerca dessas mesmas verdades. Esta vantagem preserva-o ainda de muitos erros e incertezas. — I II 2-3.

15. A fé é uma virtude puramente interior?

Não é. Devemos professá-la com palavras e obras, todas as vezes que for necessário. — I II 4.

16. Que nos ensina a fé a respeito de Deus?

A fé nos ensina, desde a nossa infância, que Deus existe, e que Suas perfeições são infinitas. São estas verdades que a filosofia humana jamais conseguiu desvendar em sua totalidade. A fé no-las apresenta, por revelação de Deus, e pelos testemunhos da Escritura. — I II 5-8.

17. Por que damos a Deus o nome de Pai?

Em primeiro lugar, porque Deus é o nosso Criador; depois, porque adotou todos os cristãos como Seus filhos; mas, antes de tudo, porque há em Deus três Pessoas realmente distintas: Padre, Filho, Espírito Santo. É o mistério da Santíssima Trindade que em Deus nos faz reconhecer três Pessoas, mas uma só natureza divina. — I II 9-10.

18. Por que o Símbolo só faz menção da onipotência, omitindo as outras erfeições de Deus?

Primeiro; porque uma perfeição que seja infinita encerra, necessariamente, todas as outras; segundo, porque Deus se nos tomou mais conhecido pelas obras de Sua onipotência; terceiro, porque elas impressionam de maneira mais forte o espírito humano. — I II 11-14.

19. Pode Deus praticar o mal?

Não pode, porque Seu poder é perfeito, unido que é a uma bondade e sabedora infinitas. — I II 12.

20. Que sentimentos desperta no cristão a fé na onipotência divina?

Inspira-nos temor e humildade, porque dependemos desse poder soberano em todas as coisas; confiança, porque Deus nos pode outorgar todos os bens e graças; coragem na prática de todas as virtudes e boas obras. — I II 13.

21. Que é a Criação?

É o ato pelo qual Deus deu existência a tudo o que há no mundo, Anjos, homens, animais, plantas, etc.; a todas as coisas, enfim, que são expressas pelos termos: Criador do céu e da terra — I II 15-21

22. Que há de particular na criação dos Anjos e dos homens?

Os Anjos foram criados em estado de bondade, na posse de todos os dons e prerrogativas. Eram dotados de livre arbítrio, para escolherem

por si mesmos a felicidade ou a perdição. — O homem foi criado em condições idênticas. — Mas uma parte dos Anjos se rebelou contra Deus, e todos eles foram punidos sem demora. O homem também prevaricou, seduzido por esses espíritos perversos, e teve o seu castigo. Entretanto, Deus prometeu-lhe um Redentor, e depois reintegrou o homem em todos os direitos que havia perdido pelo pecado. — I II 17 19.

23. Que é a Providência?

É o cuidado que Deus tem, de todas as Suas criaturas. A Providência abrange as leis divinas, dadas ao homem neste mundo; as recompensas dos justos no Paraíso; e afinal a punição dos maus nas chamas eternas. Estas verdades ou dogmas estão incluídos no conceito de “Religião”. — I II 21-22.

Artigo Segundo do Credo

24. Depois da Santíssima Trindade, quais são os mistérios que devemos necessariamente conhecer?

São os mistérios da Encarnação e da Redenção. — 1 1 1 ss.

25. Quais são, para o homem, os primeiros efeitos do mistério da Redenção?

O homem ficou livre do pecado e de suas penas, tanto do pecado original, como de todos os pecados pessoais ou atuais. Aquele é tirado pelo Batismo; estes, em geral, pelo Sacramento da Penitência. — 1 3.

26. Que é pecado original?

Criados que foram em estado de justiça e imortalidade, nossos primeiros Pais desobedeceram a Deus, e com isso perderam esse privilégio e o direito à felicidade eterna, que lhe era inerente. Foram condenados ao sofrimento, à morte espiritual e corporal, e aos mesmos castigos que recaiam sobre os anjos maus. Esse pecado de origem passou a todos os descendentes, não só quanto à pena, mas também quanto à culpa. É o que chamamos culpa ou pecado original — I II 2

21. Podiam os homens, por si mesmos, reconciliar-se com Deus e apa- ziguar a Sua cólera?

Não podiam, porque tal empresa excedia os méritos e esforços da simples criatura, ainda que fosse a mais perfeita. A salvação só podia vir de um Deus feito homem. — I III 4

28. Conheceram logo os homens o mistério da Encarnação?

Conheciam-no, e podiam conhecê-lo, porque Deus teve a bondade de revelá-lo a Adão após a condenação no Paraíso. Posteriormente, lembrava-o sempre pela boca dos Patriarcas e Profetas, pelas figuras e pelos sacrifícios da Lei Mosaica, até a vinda do Salvador a este mundo. Entre os povos idólatras, havia um conhecimento alterado e imperfeito, mas que remontava à tradição Primitiva no começo do mundo, expressa pelo Proto-Evangelho. — I III 4

29. Que significa o nome de Jesus?

Significa Salvador. E um nome que convém perfeitamente ao Filho de Deus, porque Ele livrou os homens do pecado, e de todos os seus maus efeitos, e deu-lhes aos homens direito à herança da eternidade. O Nome de Jesus exprime por si só tudo o que se continha nos outros nomes Que Lhe foram atribuídos pelos Profetas. — | II 56.

30. Que quer dizer “Cristo”?

Quer dizer “ungido” ou sagrado. Convém perfeitamente ao Filho de Deus, feito homem, porque é Rei, Sacerdote, e Profeta. — I III 7.

3). Em que consistia a unção, pela qual Jesus Cristo foi sagrado Rei,

Sacerdote, e Profeta?

Consistia na plenitude da graça, e na abundância dos dons espirituais, que Lhe foram conferidos em quanto homem. — I III 7, *

32. Em que sentido é Profeta?

É Profeta, porque foi enviado para revelar aos homens a vontade

de Seu Pai, para lhes anunciar as verdades ctemas. — 1 MI 7.

33. Em que sentido é Sacerdote?

E! Sacerdote, porque ofereceu, e oferecerá eternamente a Deus Seu Pai o único Sacrifício que Lhe podia e pode ser agradável. — 1 MI 7,

34. Em que sentido é Rei?

É Rei como Beus e como Homem, mas a Sua realeza é espiritual. Exerce-a, neste mundo, pela assistência que confere à Igreja. Na etemidade, reina e reinará sobre justos e pecadores, cujo julgamento Lhe foi confiado pelo Pai. — I III 7.

35. Que se entende petas putavras “um só Seu Filho”?

Eniende-se que Jesus Cristo é realmente o Filho de Deus, igua) em tudo ao Padre e ao Espírito Santo, gerado pelo Padre desde toda a eternidade, nascido da Virgem Santíssima na ordem do tempo. Os homens tornaram-se Seus irmãos e co-herdeiros, porque Deus Padre os adotou, em consideração aos merecimentos de Seu Filho Unigênito. — I II 8.

36. Por que dizemos que Jesus Cristo é “Nosso Senhor”?

Damos-Lhe o titulo de “Nosso Senhor”: primeiro, porque é Deus; segundo, porque como Homem nos resgatou da morte e do pecado; terceiro, porque é Deus e Homem ao mesmo tempo, Bcus perieito e perfeito homem. — I III

37. Que quer dizer “cris

Cristão quer dizer discipulo de Cristo, d'Aquele que é Rei, Sacerdote e Profeta. O cristão deve concretizar em si estes três titulos de Nosso Senhor. — 1 MI 12,

Artigo Terceiro do Credo

38. Como Cristo se fez Homem?

Seu Corpo foi formado do sangue puríssimo da Santa Virgem, pela virtude do Espírito Santo. Sua Alma foi criada, ormada de todos os dons e graças, e unida imediatamente ao Corpo no seio da Virgem Maria. No mesmo instante, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade Se ligou a esse Corpo e a essa Alma. — I IV 39. Encarnação é própria só do Filho?

Ao Padre só é própria a paternidade; ao Filho, a geração (passival; ao Espírito Santo, a procedência ou processão do Padre e do Filho. D mais é comum às três Pessoas Divinas. No entanto, é costume da Igreja atribuir, de modo mais particular, a obra da Encarnação e Redenção ao Filho, assim como atribui a obra da Criação ao Padre, e ao Espírito Santo a obra da santificação. — VIV 2-4,

40. A Santa Virgem é Mãe de Deus?

E Mãe de Deus, porque concebeu e deu à luz Aquele que é, ao mesmo tempo, verdadeiro Deus, e verdadeiro Homem. — 11V 4.5.

41. Que sentimentos nos inspira o mistério do Encarnação?

Inspira-nos sentimentos de gratidão, de fé humilde e submissa, de sincera adoração, de inteira confiança nos merecimentos de Cristo Redentor. — LIV 6.

42. Que hã de peculiar no noscimento de Cristo?

O fato de Sua Mãe ter-se conservado virgem antes do parto, durante o parto, e depois do parto; o fato de terem os Ánjos anunciado Seu Nascimento como sinal e penhor daquela paz, que Ele havia de estabelecer entre Deus e os homens de boa vontade. — 1 1V 7.10,

43. Quais ensinamentos deve o cristão tirar do mistério do Natal de Cristo?

Os fiéis devem antes de tudo descobrir, no Nascimento de Cristo, motivos para grande humildade e gratidão. Cristo humilhou-Se, exclusivamente para nos fazes filhos de Deus, e para nos levar ao céu. Pela imitação de Suas virtudes, de Sua pobreza, de Suas humilhações, é que o fiel merece a graça de receber a Cristo, e de trazêlo no próprio coração. — TVI,

Artigo Quarto do Credo

44. Que nos propõe a crer o Quarto Artigo do Símbolo? Propõe-nos a crer que Jesus Cristo morreu pelo suplício da Cruz,

quando Pôncio Pifatos governava a Judéia, no tempo do imperador Tibério. — IV 1.

45. Podia Cristo sofrer?

Podia, por ser verdadeiro homem. É certo que padeceu as maiores dores, não em quanto Deus, mas como se não fora Deus ao mesmo tempo. — I V 2

46. Por que o Símbolo faz menção expressa de Pilatos?

O Símbolo fala de Pilatos: primeiro, para que se pudesse verificar, pela exatidão da data, um acontecimento de tanta importância para a humanidade; segundo, para que se cumprissem as profecias, pelas quais Cristo seria entregue aos pentios. — 1V3,

47. Sabiam os judeus que o Salvador prometido devia morrer?

Sabiam-no, porque Sia Morte fora predita elos Profetas, e, prefigurada por vários acontecimentos da história judaica, como sejam a morte de Abel, o sacrifício de Isaac, o Cordeiro Pascal, a serpente de bronze, etc. — 1V35.

48. Por que Cristo escolheu a Cruz para instrumento de Sua Paixão e Morte?

Escolheu-a, por ser o suplício mais humilhante e vergonhoso aos olhos dos judeus e dos gentios. — IV 4,

4%. Como poderá o cristão saber tudo o que Cristo padecen?

O cristão pode conhecer a Paixão em toda a sua crueza, instruindo-se fielmente acerca das circunstâncias de Sua Morte, conforme foram narradas pelos Evangelistas, e preconizadas pelos Profetas. — I V 5.

50. Cristo morreu realmente?

Sim, morreu. Sua Aima separou-se do Corpo, sem que a Divindade se apartasse do Corpo ou da Alma. — IV 6.

51. Que há de particular em Suo Morte?

Sua Morte foi inteiramente voluntária. Cristo entregou-se livremente aos Seus inimigos. Tamanha prova de amor nos obriga a uma gratidão mais intensa e mais sincera. — |V 47.

52. Por que se jala de Seu enterramento?

Fala-se de Seu enterramento, para mostrar que Cristo morrera de fato, ao contrário do que diziam alguns hereges, já no tempo dos Apóstolos; e ainda para declarar, expressamente, que Deus fora sepultado. — I V 8.9.

53. Que considerações podemos fazer em torno deste Mistério?

Pudemos ponderar:

1. Quem sofreu por nós é o Deus infinitamente santo e perfeito; 2. nossos pecados foram efetivamente a causa de Seu suplício; 3. todas as vezes que pecamos, de novo crucificamos a Cristo; 4. isto não obstante, Cristo morreu voluntariamente, imolado pelo Seu Paio por Si mesmo, em virtude de Seu infinito amor por nós. — 1 10-12. 54. Quais foram os principais sofrimentos de Cristo?

Cristo suou sangue no Horto das Oliveiras; Suas mãos e pés foram trespassados; Sua cabeça foi coroada de espinhos, e ferida com uma cana; Seu rosto, batido com punhadas, e coberto de escarros. Cristo morreu no lenho da Cruz, e Sua Alma padeceu as dores mais atrozes, sem a menor consolação por parte da Divindade. — I V 13.

55. Quais são os frutos da Paixão e Morte de Cristo?

Pela Sua Paixão e Morte, Cristo nos livrou de nossos pecados, e da tirania do demônio. Pagou à justiça divina O castigo que nós havíamos merecido; abriu-nos o céu, que nos estava fechado. A Paixão e Morte de Cristo mostram-n'O como um modelo de paciência, humildade, mansidão, caridade, obediência, coragem, perdão das injúrias. — I V 14-15.

Artigo Quinto do Credo

56. Que nos propõe a crer o Quinto Artigo do Credo? Ensina-nos que, morrendo Nosso Senhor na Cruz, Sua Alma desceu aos infernos, e lá ficou todo o tempo que Seu Corpo fazia no sepulcro.

A Pessoa Divina do Salvador estava, pois, simultaneamente no Limbo c na sepultura. — I VII.

57. Que se entende por infernos?

Dá-se o nome de infernos: 1. aos lugares, onde os condenados sofrem castigos; 2. aos lugares, onde sofrem as almas justas que ainda não têm a porta necessária para entrar no céu; 3. aos lugares, onde as almas santas estavam encerradas, aguardando a vinda de Cristo e a abertura do céu, e tais lugares se chamavam Limbo. — I VI 2.3. — Nota: Esta pergunta do CRO leva em conta a expressão latina, Em português, fazemos nítida distinção entre infernos, inferno, e Limbo. 58. Para onde desceu Jesus Cristo?

Cristo desceu ao Limbo, onde libertou as almas dos justos, que Agvardavam a Sua vinda. No dia da Ascensão, levou-as para o céu. — VIVI 4-6.

59. Permaneceu Cristo muito tempo no sepulcro?

Não, ressuscitou ao terceiro dia, depois de Sua Morte, por virtude própria, como o haviam anunciado os Profetas, c como Ele mesmo o havia predito muitas vezes. — I VI 7-9 II I.

60. Como se contam os três dias? Conta-se a noite de sexta-feira, dia em que morreu, o sábado in-

teiro, e a madrugada de domingo, dia de Sua Ressurreição. — I VI 10.

61. Quais são os frutos da Ressurreição? Cristo ressuscitou: 1. para colocar nossa fé e nossa esperança em

alicerces inabaláveis, 2. para nos restituir os bens que o pecado nos asrebatara; 3. para nos garantir, antes de tudo, uma ressurruição glonosa no fim do mundo, à semelhança de Sua própria Ressureição. — IVII3.

62. Como é que a Ressurreição de Cristo nos dá o exemplo de uma ressurreição espiritua ? Cristo Ressuscitado ensina-nos a ressurgir espiritualmente, abandonando nós o pecado, praticando todas as virtudes, e perseverando no estado de graça, sem recairmos em culpas graves. — I VI 13-15.

Artigo Sexto do Credo

63. Que nos propõe a crer o Sétimo Artigo do Credo?

Obriga-nos a crer que Jesus Cristo, tendo consumado a nossa Redenção, subiu aos céus como Homem, em corpo e alma, e por própria virtude. — I VI 1-2

64. Que se entende pelas palavras: Está sentado à mão direita de Deus Padre Todo-Poderoso?

É uma cxpressão ligurada que nos faz imaginar o régio poder e a glória infinita que Jesus Cristo, em quanto Homem, recebeu de Seu Pai por toda a etemidade. — 1 VH 3-4.

65. Por que Jesus Cristo subiu aos céus?

Cristo subiu aos céus: 1. para tomar posse da glória e do Reino que havia merecido pela Sua Paixão e Morte; 2. para despertar em nossos corações o descjo das coisas etemas; 3. para ser no céu nosso Advogado e Interccssor junto ao Pai; 4. para nos preparar um lugar no ceu, conforme havia prometido; 5. para aumentar a nossa fé; 6. para confinnar a nossa esperança; 7. para espiritualizar o nosso amor; 8. para dilatar a Sua Igreja — E VH 5-9.

Artigo Sétimo do Credo

66. Que nos ensina o Sétimo Artigo do Credo?

Ensina-nos que, no fim do mundo, Jesus Cristo há de vir julgar todos os homens. Esta verdade é muito inculcada nas Santas Escrituras. — 1 VIH 1-2.

67. Haverá vários Julzos?

Haverá dois: um chamado Juízo particular, pelo qual o homem passa imediatamente depois da morte; outro, chamado Juízo universal, que no fim do mundo se fará de todos os homens, simultaneamente, reunidos no mesmo lugar. — I VII 3 68. Havendo já um juízo particular, por que se fará outro universal?

Far-se-á um Juízo universal: 1. para punir os escandalusos, cujos crimes não deixam de multiplicar-se até o fim do mundo; 2. para re-

rar, na presença de todos os homens, a injustiça das calúnias e das alsas imputações; 3. para dar ao nosso corpo a parte que toca na recompensa ou na punição de nossas obras; 4. para justificar, perante os homens de todos os tempos, a Providência de Deus, Seu governo do mundo, Sua Sabedoria e justiça nesta nossa vida mortal. — I VIII 4.

69. Por que o julgamento será confiado a Jesus Cristo?

O julgamento ser-Lhe-á entregue, porque Jesus Cristo foi injustamente condenado pelos maus; porque adquiriu, pela Sua Paixão e Morte, os direitos de eterna soberania sobre todos os homens. — I VII 5.6

70. Quais são os sinais que precederio ao juizo Final?

São três: a pregação do Evangelho pelo mundo inteiro, a apostasia generalizada, e Oo aparecimento do Anticristo. — I VII 7,

71. Qual será a sentença dos bons, e qual será a dos maus?

Jesus Cristo dirá aos bons: “Vinde, benditos do Meu Pai, tomai posse do Reino, que vos foi preparado desde a criação do mundo”. E dirá aos maus: “Afastai-vos de Mim, malditos, para o fogo eterno, que foi preparado para o demônio e seus anjos”. — I VII 3.9.

72. Quais serão os jrutos que devemos tirar destas verdades? te Mistério deve ser pregado frequentemente, para a conversão dos pecadores, e para a perseverança dos justos. — I VII 10.

Artigo Oitavo do Credo

73. Que significam as palavras: Creio no Espírito Santo?

Estas palavras não querem apenas dizer que Deus é espírito, como o são os Anjos, as almas, os demônios. Declaram que há uma terceira Pessoa na Santíssima Trindade. Damos-Lhe o nome de Espírito Santo, porque essa Pessoa Divina nos confere a vida espiritual, e inspira-nos todas as santas disposições necessárias para a prática do bem e da virtude. — I IX 1-3 74. O Espírito Santo é Deus, como o Padre c o Filho?

O Espírito Santo é Deus, pois a Escritura sempre Lhe atribui as mesmas propriedades que ao Padre e ao Filho. Não difere de um nem dc outro. senão porque é a Terceira Pessoa da Santissima Trindade, e procede do Padre e do Filho. — I IX 4-6.

75. Quais são os dons peculiares do Espírito Santo?

São principalmente os dons enumerados pelo Profeta Isaias: “O Espírito do conselho e da fortaleza, o Espírito da sabedoria e do entendimento, o Espírito da ciência e da piedade, o Espírito do temor de Deus”. O mais precioso de todos os dons do Espírito Santo é a graça santificante. — I IX 7-8

Artigo Nono do Credo

76. Por que é muito necessário conhecer o Nono Artigo do, Credo?

t porta conhecê-lo, porque não cairá em heresia quem aceita tudo o que a Igreja nos propõe à crer. Entretanto, não é herege quem se engana simplesmente em matéria de fé, mas só quem sc obstina em suas opiniões errôneas, a ponto de desprezar a autoridade infalível da Igreja — 1.

77. Que é a Igreja?

Etimologicamente, Igreja quer dizer “assembléia” ou “convocação”. Por definição dogmática, é a sociedade dos cristãos, fundada por Jesus

Cristo, e governada pelos Apóstolos c seus legítimos sucessores. — I X 2310.

78. Que nomes designam a igreja nas Sagradas Escrituras?

Em vários lugares, é chamada casa de Deus, rebanho das ovelhas de Cristo, esposa de Cristo, Corpo de Cristo, etc. — I X 4.

79. Quais são os outros significados de Igreja nas Escrituras?

Pelo nome de “igrejas”, as Escrituras designam também simples cristandades, famílias cristãs, pastores e fiéis cristãos, ec o próprio edi ficio material, onde os cristãos se reúnem, — I X 9.

80. Queis são as partes da Igreja?

São duas: a Igreja triunfante, que é a sociedade dos bem-aventurados já em gozo da eterna felicidade; e a Igreja militante, que é a sociedade dos fiéis que na terra devem ainda combater c vencer os inimigos da salvação. — I X 5. Veja-se no texto do CRO I X 5, nota 49.

81. De que elementos se compõe a Igreja militante?

A Igreja militante se compõe de justos e pecadores. Estes são como a palha que na eira se confunde temporariamente com o bom grão; aqueles são o hom grão, que só no fim do mundo será separado da palha, — IX 5.7.

82. Que elementos não pertencem à comunidade da Igreja?

Não pertencem à comunidade da Igreja: os infiéis, os hereges, os cismáticos, e os excomungados. — I X 8

83. Quais são as notas ou caracteres próprios da Igreja de Jesus Cristo?

As notas discriminantes da Igreja são quatro: unidade, santidade, catolicidade, apostolicidade. — I X 130 13-15.

84. Em que sentido a Igreja é uma e una?

A igreja é uma e una, porque todos os seus filhos têm a mesma

fé, os mesmos Sacramentos, o mesmo e único Chefe Jesus Cristo no

céu, e Seu legítimo Vigário e Representante na terra. — I X 130-12.

RS. Em que sentido a Igreja é santa? A Igreja é santa: 1. porque é dedicada e consagrada a Deus, pela

fé e pelos Sacramentos; 2. porque estã unida à sua cabeça, Jesus Cristo, de quem recebe todos os dons do Espírito Santo; 3. porque só ela possui o legítimo Sacrifício instituído por Deus, «e u uso salutar

de todos os Sacramentos. — I X 13

86. Em que sentido a Igreja é católica? A Igreja é católica ou universal: 1. porque deve ser pregada e

anunciada no mundo inteiro; 2. porque começou com o mundo, desde o Proto-Evangelho, e deve continuar até a consumação dos séculos; 3. porque fora da Igreja não há salvação. — I X 134.

87. Em que sentido a Igreja é apostólica?

A Igreja é apostólica, por ter conservado intacta a doutrina, que recebeu de Jesus Cristo e dos Apóstolos; por ter sido sempre governada pelos legítimos sucessores dos Apóstolos. — I X 135-16.

&s. Quais são as imagens e figuras da Igreja no Antigo Testamento?

As figuras mais notáveis da Igreja são a Arca de Noé, a cidade e o templo de Jerusalém. — I X 137.

89. Por que a verdade da Igreja constitui um artigo de fé?

A verdade da Igreja é um artigo de fé, porque a Igreja é necessária para a salvação; de outro lado, porque a sua autoridade e infalibilidade constituem um mistério tão incompreensível, como todos os outros. — IX 18-20.

90. Que é a Comunhão dos Santos?

Comunhão dos Santos é a participação de bens e graças que existe entre os membros das Igrejas militante, padecente e triunfante. Sendo os cristãos membros de um só Corpo Mistico, todas as boas obras praticadas por um fiel, individualmente, se tornam comuns e proveitosas a todos os outros fiéis, na medida de suas disposições sobrenaturais.

É o que sucede na vida do organismo. Todos os membros do corpo participam da vitalidade de cada membro em particular. Nisso se define, no plano sobrenatural, o que chamamos “Comunhão dos Santos”. — I X 21-25.

Artigo Décimo do Credo

91. Que devemos crer pelo Décimo Artigo do Credo?

Devemos crer que Jesus Cristo obteve para todos os homens o perdão dos pecados, e que deu à Sua Igreja um verdadeiro poder de perdoar, sob a condição de que os pecadores a ela recorram nàs devidas disposições. — I XI 1-2.

92. Até que ponto vai o poder da Igreja na remissão de pecados?

Esse poder não é limitado quanto aos lugares, nem quanto ao tempo, nem quanto às pessoas, nem quanto à categoria de faltas. — I XI 3

93. Como é exercido esse poder?

É exercido na administração dos Sacramentos, mas nas condições previstas pela autoridade da Igreja. A Penitência só pode ser administrada pelos bispos, e pelos sacerdotes que dos bispos tenham recebido a jurisdição necessária, — I XI 4.

9. Com que sentimentos devemos considerar a remissão dos pecados?

Devemos considerá-lo com respeito e gratidão, porque a remissão dos pecados é um dos maiores benefícios que Cristo nos alcançou pela Sua Paixão e Morte. — XI 5.9,

“5, Que uso devemos fazer da remissão dos pecados?

Devemos recorrer a esse poder, todas as vezes que tivermos a desgmça de ofender gravemente a Deus. A facilidade do perdão não deve induzir-nos a pecar, por presunção e temcridade. — I XI 10.

Artigo Undécimo do Credo

96. É absolutumente certo que haverá uma ressurreição dos corpos?

E uma verdade de absoluta certeza, e que foi muitas vezes afiancada por Deus nas Sagradas Escrituras, por Jesus Cristo, por São Paulo e outros Apóstolos, e também nas obras dos Santos Padres. — I XII 1.4 &

97. Por que os corpos hão de ressuscitar?

Por ser justo que os corpos se tornem a unir às almas, para terem parte nas recompensas ou nos castigos, que receberão da justiça de Deus no fim do mundo. Além disso, a união da alma com o corpo pertence à integridade da natureza humana. — I XII 5.

98. Qual será o estado de nossos corpos depois da ressurreição?

Os justos ressuscitarão com os corpos perfeitos e íntegros, dotados de imortalidade, impassibilidade, agilidade e sutileza. Os maus ressuscitarão, mas seus corpos não serão transformados nem glorificados. — I XII 12.

9. Que frutos devemos tirar do presente Artigo?

O pensamento da futura ressurreição deve consolar-nos nas misérias da vida, na morte de parentes e amigos, e induzir-nos a levar uma vida santa e livre de pecados. — I XII 12.

Artigo Duodécimo do Credo

100. Que é a vida eterna?

A vida eterna é a bem-aventurança de que gozam os Santos no céu, como recompensa de suas boas obras e virtudes. — I XIII 1-4.

101. Em que consiste essa bem-aventurança?

Não a podemos exprimir na linguagem humana. Entretanto, sabemos que consiste na isenção de todos os males, e na posse de todos os bens. A visão e posse de Deus nos tornará semelhantes à Ele. Jesus Cristo nos tratará como irmãos c amigos, juntar-nos-á aos Anjos, exaltar-nos-á na presença de Seu Pai Celestial, e far-nos-á participar de Sua própria glória e bem-aventurança, por toda à eternidade. — I XIII 4-II I.

102. Quais são os meios de alcançarmos a eterna bem-aventurança?

Alcançaremos a eterna bem-aventurança, se nos dedicarmos de bom grado às obras de caridade, à prática da fé, e a uma salutar frequência dos Santos Sacramentos. — I XII 12

Dos Sacramentos em geral

103. Por que é necessária a doutrina dos Sacramentos?

É necessária, porque os Sacramentos são meios de salvação, instituídos por Jesus Cristo; os sacerdotes devem saber a maneira de ministrá-los, e os fiéis o modo de recebê-los digna e frutuosamente. — II I.

104. Que significa o termo Sacramento?

No latim profano, quer dizer juramento ou compromisso militar. No latim eclesiástico, significa mistério, ou arcano sagrado. — II I 2,

105. Que são os Sacramentos da Igreja?

São sinais sensíveis que significam e produzem uma graça específica, em virtude da instituição por Jesus Cristo. — II I 3

106. Há outros sinais ainda?

Há sinais naturais, como a fumaça que é um sinal do fogo. Há sinais convencionais, instituídos pelos homens, para simbolizar outra coisa: por exemplo, os caracteres gráficos, os toques de trompa, etc. Há sinais de instituição divina, aos quais Deus conteriu a virtude de produzirem a justiça e a santidade. — MI 4-7.

107. Que graças ou efeitos salutares significam e produzem os Sacramentos?

rês efeitos. Um, que é passado, a Paixão de Cristo; outro, que é proentes a graça específica; o terceiro, que é futuro, a eterna bem-aventurangraça.

108. Por que foram instituídos os Sacramentos?

Entre outros motivos, por causa da fragilidade humana, que precisa de coisas sensíveis, para se elevar à contemplação das coisas celestes; por eles devia crescer nossa confiança nas promessas divinas e na Paixão de Cristo; eles deviam munir os fiéis entre si e distingui-los dos infiéis; deviam manifestar exteriormente a fé que nos vai dentro do coração; deviam enfim incentivar o amor fraterno e a humildade cristã — II I 9.

109. Quais são as partes essenciais de um Sacramento?

São a matéria e a forma, que se postulam e completam mutuamente. — II I 10-II I.

HO. Por que foram instituídas cerimônias na administração dos Sacramentos?

Para cercar de maior respeito os Sacramentos; para tornar mais visíveis seus efeitos invisíveis; para promover cada vez mais as boas disposições dos fieis. — 113 tt. Quantos Sacramentos ha?

Há sete, correspondendo ao que o homem precisa, materialmente, para nascer, crescer, nutrir-se, curar-se, conservar-se, governar-se, propagar-se. — II I 14-15.

112. Todos os Sacramentos são de igual necessidade?

Não, porque entre eles há uma certa hierarquia. O Batismo é o mais necessário de todos, porque dá acesso aos outros Sacramentos. A seguir vem a Penitência, para os que pecaram depois do Batismo. Afinal, a Ordem para a conservação da Igreja. — II I 16.

113. Quaí é o mais sublime dos Sacramentos?

(6) mes sublime de todos os Sacramentos é a Sagrada Eucarisua — 16.

I I 4.. Quem é o autor dos Sacramentos?

Foi Jesus Cristo quem os instituiu. Só Deus pode atuar em nossas almas, e conferir-lhes a graça da justificação. — 11 1 17-18.

115. Quem é o ministro humano dos Sacramentos? Jão os homens que Jesus Cristo constituiu expressamente em Sua

Igreja, para os fazer e ministrar aos fiéis, e isto sem embargo de sua eventual indignidade pessoal. — III 18-20. II I

16. Quais são os efeitos dos SuSacramentos?

Há dois principais: a graça santificante, comum a todos os Sacramentos; o caráter indelével, próprio do Batismo, da Crisma, e da Ordem. — II I 21-25.

117. Que fruto devemos tirar da doutrina dos Sacramentos em geral?

Primeiro, devemos nutrir por eles grande respeito e veneração; depuis, recebê-los aignamente. — II 26,

Do Batismo

118. Qual é o Sacramento, cuja explicação se torna mais necessária?

É o Batismo. Os pastores devem valer-se de todas as oportunidades, para o explicar aos fiéis. — WTI 1.2.

119. Que significa o termo Batismo?

Etimologicamente, quer dizer banho, imersão, ablução. Em sentido figurado, significa a Paixão de Cristo. Na literatura teológica, Batismo significa a ablução sacramental, unida a uma fórmula determinada. — IN 3.

120. Quais são as outras designações do Batismo?

Os Santos Padres chamam-lhe Sacramento da fé (Santo Agostinho); iluminação (São Paulo, Hb 10 32): purificação, ser sepultaso, cer inoculado em Cristo, Cruz de Cristo (São João Crisóstomo); inicio da Santa Lei (São Dionisio). — JIN 4.

121. Que é o Batismo?

Batismo é o Sacramento da regeneração na água pela palavra da vida — UNS. E

122. Quando se cfetua este Sacramento, e como deve ser ministrado?

O Sacramento se efetua no ato de ser conferido. É preciso aplicar a água ao batizando, e proferir ao mesmo tempo as palavras da fórmula. — II II 6

123. Qual é a matéria do Batismo?

A matéria remota ou o clemento próprio do Batismo é a água natural, de qualquer cspécie que seja. Para o Batismo solenc, a Igreja só emprega a água dita batismal, que é consagrada segundo um rito partiiutas, As próxima do Batismo é o ato de aplicar a água. — 6-.

124. Quais são as figuras e profecias dv Batismo na Antiga Aliança?

São várias. O Dilúvio, a passagem pelo Mar Vermelho, a cura de Naamão Leproso nas águas do Rio Jordão, a virtude milagrosa da Piscina de Betsaita, a profecia de Isaias sobre as águas que à todos desalteram, a visão de Ezequiel acerca das águas que jorravam da Templo, etc. — HH 10.

125. Por que Cristo escolheu a água para ser matéria do Batismo?

A água simboliza bem os efeitos do Batismo, porquanto lava as imundícies, e refrigera o corpo. O Batismo tira o pecado, c diminui os ardores da má concupiscência. Além disso, a água é muito comum, e fácil de obter-se em toda parte. — J II 10.

126. Qual é a forma do Batismo?

São as palavras: Eu te bafizo em nome do Padre, c do Filho, e do Espírito Santo. — JU 12.

127. Há alguma variante na forma?

Não, só os gregos empregam o modo deprecativo: “Seja batizado em nome do Padre, etc.”. O Concílio de Fiorença o declarou válido. — II II 14.

128. Que dizer do Batismo em nome de Cristo?

Batismo em nome de Cristo, de que falam os Atos dos Apóstolos, quer dizer que o Batismo era administrado “na fé de Cristo”, sem que pos isso devamos admitir não se fizesse a invocação expressa

das três Pessoas Divinas. Esta explicação é de Santo Ambrósio, São Basílio, e outros Santos Padres. — IL 15-16.

129. Há várias maneiras de batizar?

O Batismo pede ser ministrado por imersão, por aspersão, eu por afusão. A praxe atual da Igreja é a da afusão, quer dizer, ela manda derramar água sobre a cabeça do batizindo. — EL EL 17-19.

30. Quando Jesus Cristo instituiu o Batismo?

Cristo o instituiu, cestamente quando Ele mesnio foi batizado por São João Batista no Rio Jordão. — HH 20,

131. Quando, porém, foi promulgada a lei do Batismo?

Para os homens, a lei do Batismo entrou em vigor, desde aquela ordem dada por Cristo aos Apóstolos: “ide, ensinai todos os povos, e batizai-os, etc” — II II 21-22.

132. Quais são os ministros do Batismo?

Podem ministrá-lo, por direito próprio e ordinário, os bispos e sacerdotes; como ministros extraordinários, os diâconos; como ministros de emergência, toda e qualquer pessoa, em caso de verdadeira necessidade. — 1 23.

133. Como se ninissta o Batismo em caso de necessidade?

Aplica-se a água, pronunciando-se as palavras: Fu te batizo em nome do Padre, e do Filho, e do Espírito Santo. É preciso ter a intenção de se fazer o que faz a Igreja Católica, Apostólica, Romana. E não se acrescentam outras ceriménias, ainda que o ministro seja sacerdote ou diácono. As outras cerimônias só podem ser supridas na igreja, — II I 23.

134. Hd uma jerorquia entre os ministros?

Em caso de necessidade, não batize a mulher, estando presente um homem; nem um leigo em presença de um clérigo; nem um clérigo diante de um sacerdote. Merece preferência a pessoa que saiba batizar, se, quem por direito o deveria (fazer, não sabe batizar validamente, Em partos laboriosos, cabe ao médico ou à parteira ministrar o Batismo, logo que possam atingir o corpo da criancinha. — III 24.

135. Que são os padrinhos e madrinhas?

São as pessoas, convidadas pelos pais, e como tais aceitas pelo sacerdote, que se aesentam como fiadoros da criança, que levam à batizar na igreja. Respondem pelo afilhado, de cuja Sé e vida cristã prestam caução moral. Comprometem-se a instruílo a dar-lhe bom exemplo, e suprir as eventuais deficiências dos pais na educação religiosa da criangraça. Entre padainhos e afilhados, como entre o batizante e o batizado, nasce um parentesco espiritual. Para padrinho ou madrinha, só podem ser aceitas pessoas verdadeiramente cristãs. À Igreja sé admite um padrinho ou uma madrinha, de sexo igual ao do afilhado, ou quando muito padrinhe e madrinha. — I II 25-29,

135. Será o Batismo absolutamente necessário para a eterna salvação?

O Batismo é de absoluta necessidade para os infantes, que o devem receber de fato. Assim sempre se fez na Igreja Católica, desde os tempos primitivos. Os adultos devem também batizar-se; mas, se não puderem receber o Batismo real e sacramentalmente, conseguem a justificação mediante a contrição perfeita, acompanhada do desejo de batizar-se, ou então mediante o sacrifício da própria vida pela fé em Jesus Cristo. — II III 30.32.

137. Em que idade urge a tei do Batismo?

Urge imediatamente. Os pais têm a grave obrigação de levarem a criancinha, quanto antes, à igreja, para ser batizada solenemente. Os adultos, porém, não devem receber o Batismo sem prévia instrução e preparação, correspondente ao antigo catecumenato. — II II 33-36.

138. Que disposições deve ter o adulto, para se batizar?

Deve ter a intenção de batizar-se, de aceitar com fé as verdades enstás, e procurar asrepender-se de tados os seus pecados pessoais.

tt. Sumário Catequistico est

Por isso, não podem ser batizados os dementes e Sosiosos, e todas as pessoas sidulias que não tenham o perfeito uso da razão, — IL TI 37.39.

139. Que obrigação impõe aos fiéis a graça do Batismo?

Os fiéis devem levar uma vida santa, e guardar zelosamente a inocência batismal — TM 40.

40. Quais são os efeitos do Batismo?

3) Apaga todos os pecados, quer o pecado original, quer os pecados atuais, quer as penas que lhes são devidas. Não tira, porém, as manifestações da má concupiscência. b) Confere a graça santificante; c) une-nos com Jesus Cristo, assim como os membros ficam unidos à sua cabeça; d) abre-nos a porta do céu; e) imprime-nos na alma um caráter indelével. — II II 45-57,

141. Por que o Batismo não pode str reiterado?

Não pode ser repetido, pos«que seu efeito é permanente. Só em caso de drvida positiva é que 5e repere o Batismo condicionalmente. — UM 54-56. j

142. Quais são os ritos e cerimônias do Batismo?

Há três categorias de cerimônias. Umas precedem ao Batismo, como Os exorcismos, os escsulinios, as pPersignações, à insalivação, as Promessas do Batismo, a unção do peito e das costas, a profissão de fé. Outras vêm logo após o ato batismal, como q unção da cabeça com O santo Crisma, imposição da túnica batismal, a entrega da vela atesa, e à qespedida, — MW 1 58-72.

143. Que significa a imposição do nome?

No Batismo, impõe-se o nome de um Santo, para que o neófito tenha, no seu patrono onomásiico, um exemplo e estimulo de virtude. É um abuso escolher nomes de pagãos ou de pessoas descrentes e pervertidas. — HH 73.

Da Confirmação

Vad, Que é q Confirmação?

E qm Sacramento, diferente do Batismo, verdadeiramente inatituido por Jesus Cristo, como nos ensina a fé constante da Igreja e a doutrina dos Santos Padres: o qual, pela imposição das mãos do bispo e pela unção com o santo Crisma, confere o Espírito Santo, para fortAdecer O cristão COM so Dovir graça, uv pars q fazer soldado de Cristo, — Wit 1.6.

145. Qual é m matéria deste Sacramento?

É o santo Crisma, sagrado pelo bispo, composto de azeite doce e bálsamo, clementos que simbolizam perfeitamente os dons do Espírito Sante, comunicados por cste Sacramento. — H MI 7-10.

146. Qual é a forma?

Consta das palavras: “Fu te marco com o sinal da Cruz, e te confirmo com o Crisma da salvação, em nome do Padre, e do Filho, « do Espirita Santo” Essa forma exprime três coisas: o poder de Deus como causa eficiente do Sacramento; o fortalecimento da alma; o ca ráter indelével. — MIM II-12.

147. gre é o ministro da Crisma?

bispo é o ministro ordinário, ministro extraordinário é o sacerdote que, pelo direito comum, ou por delegação especial, tenha faculdade necessária — II III 13.

148. Qual é a função do padrinho ou madrinha de Crisma?

Na Crisma, a Igreja admite um só padrinho ou uma só madrinha: conforme o sexo do crismando. As obrigações são idênticas às do padrinho ou madrinha de Batismo. — II III 14.

149. É obrigatória a Crisma?

Embora não seja de absoluta necessidade para a Salvação, ninguém deve emiti-la ou desprezá-la. Procure o fiel receber este Sacramento na idade de discrição, depois de haver purificado a alma por uma sincera e (frutuosa confissão de todos os pecados mortais. — III 15-1

150. Quais são os efeitos da Crisma?

Crisma confirma e aumenta em nós a graça santificante; dá a força de confessar Jesus Cristo e Sua Religião; imprime na alma um caráter indelével. — II III 19-22.

151. Quais são as cerimônias que acompanham o Crisma?

O bispo invoca o Espírito Santo, impõe as mãos sobre os fiéis; faz uma unção na testa, com o Crisma, cm forma de cruz; dá uma ligeira pancada na face do crismado, e imprime-lhe na face o ósculo da paz. — II III 22.25.

Da Eucaristia

152. Por que é importante a doutrina da Eucaristia?

A doutrina da Eucaristia é importante, porque trata do Sacramento mais sublime, cuja profanação constitui um crime, que Deuscastiga com os piores llagclos. — LIV 1.

153. Quando Jesus Cristo instituiu a Eucaristia?

Ele a instituiu na Última Ceia, na véspera de Sua Morte, como prova de que amava os Seus até o extremo, — II IV 2

154. Quais são as designações mais comuns da Eacaristia?

Chama-se Eucaristia ou Ação de graças, Sacrificio, Comunhão, Sacramento da paz e do amor, Viático, Ceia. — II IV 3-6.

155. Qual é a matéria da Eucaristia? É

E o pão de trigo c o Vinho de uva. A Igreja Latina só usa pão sem fermento, o assim chamado “pão asmo”. Ao vinho se acrescentam algumas gotas de água, conforme o exemplo de Cristo na instituição da Eucaristia. Esses dois elementos constituem um único e verdadeiro Sacramento. — III IV 12-17 7-10.

156. Que simboliza cssa dupla matéria?

Significa Cristo como vida de nossa alma; a transubstanciação; a renovação de nossa alma; o Corpo Místico da Igreja constituido por todos os cristãos unidos a Cristo. — MI IV 17-18.

157. Qual é o significado sacramental da Eucaristia?

* A Eucaristia, em suas duas espécies, é um memorial da Paixão de Cristo; confere a graça da união real com Cristo, e constitui um penhor da vida eterna. — II IV 10-II I.

158. Qual é a diferença entre a Eucaristia e outros Sacramentos?

Os outros Sacramentos conferem uma graça, a Eucaristia encerra em si o Autor da graça. Quanto à duração, os outros Sacramentos só subsistem no momento de serem conferidos, ao passo Que na Eucaristia a confecção não coincide, cronologicamente, com a administração. Ela continua como Sacramento permanente, enquanto não houver alteração essencial, nas espécies do pão e do vinho. — III IV 9.

159. Qual é a forma da Eucaristia?

Para a consagração do pão, as palavras: “Este é o Meu Corpo”. Para a consagração do vinho: “Este é o Cálice do Meu Sangue, da Nova e Eterna Aliança, Mistério da fé, que por vós e por muitos scrá derramado, em remissão dos pecados". — IN IV 19-22.

160. Que exprimem as palavras consceratórias?

Exprimem certos efeitos admiráveis do Sangue que Cristo derramou em Sua Paixão. O primeiro é o direito à eterna herança, em virtude da "Nova c Eterna Aliança”; o segundo é o processo de justificação, em virtude do “Mistério da fé”; o terceiro é a “remissão dos pecados". — II IV 22-24.

161. Que se deve fazer na apreciação humana da Eucaristia?

Devemos abstrair da simples impressão de nossos sentidos, que falham completamente, quanto ao verdadeiro caráter das «spécies cucaristicas. — Mv 25.

162. Quais são os efeitos das palavras conseeratórias?

Após a Consagração, no Sacramento se contém o verdadeiro Corpo

e Sangue de Cristo Nosso Senhor, o mesmo que nasceu de Maria

Virgem, e que está glorificado à dircita de Deus Padre. As substâncias do pão c do vinho são destruídas, mas as respectivas espécies continuam a subsistir sem “suporte” algum. — III IV 26 35.

163. Como sabemos estas verdades?

Sabemo-las pelas próprias palavras de Cristo e dos Apóstolos, pela doutrina dos Santos Padres, e pelo magistério da Igreja, que sempre condenou os erros contrários. — IV 27-29.

164. Que vantagens traz para a Igreja a presença real de Cristo na Eucaristia?

A Eucaristia é a consumação da Nova Aliança, por scr a realização paguilo que a Antiga Aliança só indicava por imagens e figuras.

165. De que maneira sc entende a prescnça real de Cristo na Eucaristia?

Cristo está presente na Eucaristia todo inteiro, vivo, imortal, indivisível, seja qual for o tamanho da hóstia consagrada. Outro tanto se diga da espécie do vinho, debaixo da qual Cristo também esti com Sua presença total, — IL IV 31-34.

166. Que sc entende por transubstanciação?

Entende-se a mudança da substância do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo. O pão e o vinho são destruídos. O Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo se contêm nas espécies de pão e de vinho, que persistem. — II IV 35-38 40.

167. Como se opera esse Mistério?

Os Santos Padres cxplicaram-no de várias manciras. O processo em si é incompreensível, de sorte que devemos abster-nos de investigações fora de propósito. Não devemos perscrutar, curiosamente, o modo pelo qual Cristo está presente em cada fragmento ou partícula, nem como as espécies podem persistir, sem nenhum suporte ou substância própria. — LIV 39-45.

168. Quel é o valor da Eucaristia, e quais efeitos produz em nossa alma?

A Eucaristia é a fonte de todas as graças. Como alimento da alma, produz a vida por Jesus Cristo (a graça santificante); fortifica a alma, c dá-lhe alegria na prática da virtude; remite os pecados veniais; preserva de pecados mortais, reprimindo ou moderando o ardor das paixões; dê direito à vida eterna. — II IV 45.52,

169. De quantas maneiras podemos receber este Sacramento?

De três maneiras. Uns recebem a Eucaristia em estado de pecado mortal, para a sua própria condenação: outros 2 recebem só pelo descia, espiritualmente; outros, enfim, reccbem-na real e dignamente

170. Quais disposições são necessários para a Comunhão Sacramental?

comungante deve preparar-se, espiritual e corporalmente. A preparação da alma compreende a fé na presença real (distinguir entre Pão Eucaristico e pão comum), prática sincera da caridade fraterna, prévia confissão dos pecados mortais, sentimentos de humildade. A preparação do corpo compreende o jcjum natural desde a meia-noite, e a possivel abstenção de relações conjugais. — III IV 54-56.

171. Com qual frequência devemos comungar?

Todos os cristãos estão obrigados a comungar, c a Igreja prescreve, como frequência mínima, uma Comunhão por ano, no tempo de Páscoa. A Igreja, porém, insiste na Comunhão frequente, mensal, semanal, e até cotidiana. — II IV 57.58.

172. Qual é o histórico da recepção da Comunhão?

Tempos houve, antigamente, em que os fiéis comungavam todos os dias, durante a Missa, como se depreende dos Atos dos Apóstolos (At 2 42). Arrefecida a primeira caridade, o Papa Santo Anacleto ordenou que deviam comungar pelo menos os ministros, que tomavam parte no Sacrifício da Missa O Papa Fabiano obrigou os fiéis a comungarem três vezes por ano, nas festas de Páscoa, Pentecostes, e

Natal. O |V Concílio Ecumênico de Latrão promulgou, em 1215, a atual jei da Desobriga de Páscoa. — IV 59.

173. Quais crianças são excluídas da Comunhão?

Somente aquelas que, pela tenra idade, não chegaram ainda ao uso da razão, e não podem ter uma noção deste Sacramento, nem tomar-lhe o gosto necessário. Equiparam-se às criancinhas os doentes mentais Que não são capazes de preparar-se, c comungar com a devida compreensão. — II IV 60-62,

174. Podemos comungar debaixo de ambas espécies?

Sem indulto especial, a Igreja só permite aos fiéis a Comunhão dehaixo da espécie de pão, para evitar que q Precioso Sangue se derrame; que as espécies de vinho azedem, quando guardadas para a Comunhão dos enfermos; e que os abstêmios não tenham repugnância à Comunhão. Além disso, por haver em muitas regiões escassez de vinho, Por último, a Igreja quer combater a heresia dos que negam a presença total de Cristo cm cada espécie, separadamente. — II IV 3.64.

175. Quem é o ministro da Eucaristia?

Somente o sacerdote pode consagrar a Eucaristia e ministrá-la nos fiéis. Quanto À validade, não importa que o ministro acia talvez Indigno, contanto que observe o rito essencial. O valor do Sacramento não decorre da dignidade do ministro, embora esta seja exigida; mas consuma-se na força e poder de Cristo Nosso Senhor. — IL 1V 5-66. 176. Quo! é o valor e a utilidade da Eucaristia coma Sacrifleio?

O Sacrifício da Missa é muito agradável a Deus, muito proveitoso aos homens, e renova de modo incruento o Santo Sacrificio da Cruz. — WNIV 66.8.

177. Qual é a diferença entre a Missa e o Sacrifício da Cruz?

O Sacramento toma-se perfeito desde a Consagração. O Sacrifício Consiste antes de tudo na oferenda a Deus. — II IV 65.

178. Que diz o Concílio de Trento sobre o Sacrifício da Missa?

O Tridentino definiu que Cristo Nosso Senhor, na Última Ceia, instituu a Eucaristia como Sacríficio, para ser oferecido lUnicamente a Deus, embora nele se faça comemoração de Santos e Mártires. Isto se depreende das palavras de Cristo ec do Apóstolo, bem como das figuras e profecias do Antigo Testamento. — ILIV 70-73. 179. Quo! é a reloção entre o Sacrifício da Cruz e o Sacrificio da Missa?

Ambos constituem um só Sacrifício, quanto à vitima, quanto ao sacrificante, e quanto ao efeito sacrificial: que são os mesmos no Sacrifício da Cruz, e no Sacrifício do Altar. — II IV 74.78.

180. Que significam os ritos e cerimônias da Missa?

Os ntos e cerimônias da Missa devem realçar a majestade do sublime Sacrifício, e levar os fiéis à consideração das coisas divinas que nele se encerram. — IL IV 79.

Da Penitência

181. Por que se impõe a explicação deste Sacramento?

EF" preciso explicar bem este Sacramento, porque devemos recebê-lo com frequência, e porque nele temos, por assim dizer, a “segunda tábua de salvação”. — VI.

182. Que é penitência?

No sentido impróprio, muitos tomam a penitência por satisfação ou reparação. No sentido próprio, quer dizer arrependimento, reconsideração — II V 2 183. Quantas espécies há de penitência?

Há uma penitência, segundo os princípios do mundo, sem nenhuma relação com Deus; é um arrependimento que gera a morte da alma. A segunda espécie de penitência consiste no arrependimento que nasce de razões egoístas. A terceira espécie de penitência consiste cm arrepender-nos de coração, unicamente por amor a Deus. — II V 2-3

184. Que é a penitência como virtude?

A penitência, como virtude interior, é um sentimento inspirado pela fé, e que regula nosso arrependimento sobrenatural — II V 4.9.

185. Que é a Penitência como Sacramento?

Como ato exterior, a Penitência constitui um dos sete Sacramentos. Remite todos os pecados, cometidos depois do Batismo, a todos us que deles se arrependem, confessando-os sinceramente, com a firme resolução de evitá-los para o futuro, e de fazer penitência. É um Sacramento que podemos e devemos receber muitas vezes. — II V 10-12.

186. Qual é a matéria e a forma da Penitência?

Os atos do penitente, quer dizer, a contrição, acusação e satisfação, constituem a quase-matéria do Sacramento da Penitência. A forma são as palavras: “Eu te absolvo de teus pecados”. — II V 13-16.

187. Que significa o rito da Penitência?

As cerimônias que acompanham a Confissão Sacramental, tanto a atitude do sacerdote, como a do penitente, simbolizam as disposições, com que este Sacramento deve ser ministrado e recebido. — II V 17.

188. Quais são os efeitos do Sacramento da Penitência?

Restitui-nos a graça e a amizade de Deus, confere o perdão dos mais graves pecados, e a força de reparar e satisfazer. — I III V 18-20.

189. Quais são as partes integrantes da Confissão?

São três: contrição, acusação, e satisfação — II V 21.

190. Que é contrição?

É uma dor e detestação dos pecados cometidos, acompanhada da resolução de não tornar a pecar para o futuro. — I V 23-24.

191. Que significa a palavra “contrição”?

Etimologicamente, significa o ato de triturar ou esmagar, exprimindo assim o efeito que o arrependimento deve produzir em nossos corações. — II V 25-26..

192. Que atributos deve ter a contrição?

Ela deve ser suma, universal, sincera, acompanhada da intenção de confessar e satisfazer, dc emendar-se, fazcr pcnitência, e de perdoar as injúrias recebidas. — IL V 27-33.

193. Quais são os meios para despertar a contrição?

Dada a importância da contrição, é preciso fazer amiúde o exame de consciência; pedir humildemente perdão de todas as faltas cometidas; excitar na alma um profundo Ódio ao pecado; refletir sobre os males, que todo pecado acarreta. — II V 34:35.

194. Por que a acusação dos pecados é útil e alé necessária?

É necessário acusar os pecados na santa Confissão, pois sem acusação não se perdoam os pecados senão a quem esteja impossibilitado de fazê-lo, e tenha a contrição perfeita, junto com o desejo de confessar-se. Além disso, os conselhos do confessor ajudam o penitente a não recair nos mesmos pecados. O dever da acusação sacramental serve também de freio para a moralidade pública — II V 36:37.

195. Em que consiste a confissão?

É a acusação dolorosa dos pecados cometidos, para sc obter a remissão de todos os pecados, em virtude do poder das chaves, no Sacramento da Penitência — II V 38.

196. Quem instituiu a obrigação de acusar os próprios pecados?

Foi Jesus Cristo, que pôs os Apóstolos e seus sucessores como juizes dos pecados de todos os homens, dando-lhes o poder de perdoá-tos, ou de retêlos. Assim o entendeu a Igreja na sua praxe pastoral, — MV 39-42.

197. Está o cristão obrigado o confessar-se?

Cristo Nosso Senhor submeteu o perdão dos pecados a essa exigência absolutamente necessária. Quem cometeu pecado mortal, não dispõe de outra via para se justificar. Na impossibilidade de confes-

sar-se realmente, deve unir à contrição perfeita o sincero desejo de receber o Sacramento da Penitência. — II V 43,

198. Quando começa o dever de Confissão?

Começa para os fiéis de ambos os sexos desde a idade de discrição, quando já distinguem entre o bem c o mal, e são capazes «e transgredir voluntariamente a Lei de Deus. O IV Concílio de Latrão estabeleceu, como obrigação mínima, que os cristãos devem confessarse pelo menos uma vez cada ano. — E V 44.

199. Quando se impõe a Confissão?

A Confissão se impõe, todas as vezes que nos achamos em perigo de vida, ou quando nos preparamos para a recepção ou para administração de um Sacramento; ou, tambem, quando, pela nímia dilação, há perigo de nos esquecer algum pecado grave. — II V 45.

200. Como deve scr a acusação?

Ela deve ser completa e determinada, abrangendo todos os pecados mortais; singela e franca; discreta c reverente; secreta ce frequente. — II V 46-53.

201. Quem é o ministro da Confissão?

Em caso de necessidade, em perigo de vida, todo e qualquer sacerdote pode ouvir Confissão, e absolver de todos os pecados e censuras. Mas. em condições normais, só pode ouvir Confissões o sacerdote legitimamente aprovado, quer dizer, munido de jurisdição ordinária, — II V 54-55.

202, Que qualidade deve ter o confessor? Deve possuir a ciência e prudência necessária ao seu ministério,

« guardar rigorosamente o sigilo sacramental. — II V 56-52.

203. Que deve fazer o confessor, para que a Confissão seja salutar ao enitente?

Deve ser cuidadoso na exortação, procurando excitar um verdadeiro arrependimento; fazendo meditar todos os dias a Paixão de Cristo Nosso Senhor, e outros Mistérios vitais de nossa Religião; reprimindo o orgulho daqueles que escusam ou disfarçam seus pecados; animando os que se acanham de confessar; ensinando, afinal, a fazer o exame de consciência — II V 58

204. Que é satisfação?

É a reparação que o homem dã a Deus pelos pecados cometidos, porque satistação não é outra coisa senão desagravar alguém das mjúrias recebidas. — II V 59.

205. Quantas espécies há de satisfação?

Há, antes de tudo, a satisfação de Jesus Cristo. Ele pagou na Cruz a dívida de nossos pecados. Há a satisfação canônica, ou eclesiástica, imposta no Sacramento da Penitência. Há, enfim, satisfações particulares. São as que nós mesmos escolhemos e cumprimos, de nossa livre vontade. — II V 59.60.

206. É necessária a satisfação?

Segundo a doutrina da Bíblia e da Igreja, a satisfação é indispensável, por atenção à justiça e bondade de Deus, à Igreja escandalizada, à necessidade de aplicarmos a nós mesmos a satisfação de Cristo, à completa purificação de nossa alma, à preservação dos castigos divinos. — IV 61.66.

207. O que se requer para dar mérito às nossas satisfações?

É preciso que sc unam à satisfação prestada por Jesus Cristo; que estejamos em estado de graça: que as obras satisfatórias mortifiquem a nossa natureza. — II V 67-69.

208. Quais são as principais obras de satisfação?

De nossa parte, são a oração, o jejum c a esmola. Da parte de Deus, as provações e sofrimentos que Ele nos manda. — II V 70-71. 209. São aplicáveis ao próximo as nossas obras satisfatórias?

Podemos aplicar, em benefício do próximo, todas as nossas obras

de satisfação, tanto as que escolhemos voluntáriamente, como as que Deus nos impõe em Seus inescrutáveis designios. Essa aplicação se processa mediante a Comunhão dos Santos. — II V 72.

210. A que deve atender o confessor antes da absolvição?

Além de olhar s todas as disposições do penitente, o confessor deve insistir, quando necessário, na obrigação de restituir o mal havido. imponha também uma salutar penitência, proporcionada à gravidade da

culpa. — HII V 73-74. Da Extrema-Unção

21t. Que nos lembra o Sacramento da Extrema-Unção?

Lembra-nos o transe de nossa morte, para nos exortar ao preceito da Escritura: “Em todas as tuas obras, lembra-te dos teus novíssimos, e nunca jamais pecarás” (Eccli 7 40) — II VII,

212. Por que sc chama Extrema-Unção?

Chama-se assim, por ser, cronologicamente, a última das unções sacramentais, que a Igreja nos aplica, por instituição de Jesus Cristo. Chama-se também Santa Unção, Unção dos enfermos, Sacramento dos agonizantes. — II VI 2.

213. Que é a Extrema-Unção?

É um verdadeiro Sacramento, instituído por Jesus Cristo, composto de várias unções, que têm por fim tirar aos fiéis, que se acham em artigo de morte, todos os remanescentes de seus pecados, e restituir-lhes também a saúde, se assim for de vantagem para a eterna salvação. — II VI 3-4 8

214. Qual é a matéria deste Sacramento?

* o azeite doce, adrede consagrado pelo bispo. — Il VI 5.

215. Qual é a forma?

É a solene deprecação, que o sacerdote profere na unção de cada sentido do enfermo: “Por esta santa unção e por Sua sacratíssima misericórdia, perdoe-te Deus todos os pecados que cometeste pela vista (...pelo ouvido... pelo olfato... pelo paladar e pela língua... pelo tato... pelo andar)”. — II VI 6.

216. Por que a forma é deprecatória?

Emprega-se a forma deprecatória, porque a Extrema-Unção, além “do efeito sacramental de purificar e fortalecer a alma, produz também a cura ou melhora da enfermidade. A deprecação refere-se, pois, a esse efeito acessório e condicional. — II VI 7.

217. Quem pode receber a Extremo-Unçdo?

Só pode ser ungido quem estiver em atual perigo de morte, proveniente de enfermidade, e não de alguma causa extrínseca, como seja sentença capital, participação numa batalha, viagem marítima (ou aérea). Não são também capazes da Extrema-Unção as crianças, antes de chegarem ao uso da razão; nem os dementes e loucos furiosos, que não tiverem momentos de lucidez, c não mostrarem compreensão do Sacramento. — II VI 9.

218. Como se fazem as unções?

São feitas nos sentidos c nos membros do enfermo, por serem os principais instrumentos de pecado. — II VI 10.

219. Pode ser reiterada a Extrema-Unção?

Sim, pode ser repetida, sempre que se presumir nova crise ou perigo de morte, embora scja durante a mesma doengraça. — II VI II I.

220. Com que disoosições deve o enfermo receber a Extrema-Unção?

Deve achar-se em estado de graça. Quando possível, seja ungido depois da Confissão e do Viático. Procure; então, ter grande confiança em todos os efeitos do Sacramento. — HII VI IZ.

221. Quem é o ministro da Extrema-Unção?

Em caso de urgência, qualquer sacerdote, ainda que incurso em

penas canônicas. Em circunstâncias normais, é o pároco que tem o

538 * Catecismo Romano. Anexos |

greto e á obrigação de ungir os moribundos, em nome de Cristo. — 13.

222. Quais são os efeitos da Extrema-Unção?

a) Remite os pecados veniais, as faltas mortais que já não podem ser confessadas, e as penas temporais dos pecados; b) dá confiança e coragem nas vascas da morte; c) incule força e resistência contra o espinto infernal; d) refaz, algumas vezes, a saiide corporal, de acordo com os desígnios de Deus. — HII VI 4.

Da Ordem

223. Por que devem os pastores fatar aos fiéis do Sacramento da Ordem? Eles devem pregar muitas vezes sobre este assunto, para mos-

trar que do sacerdócio depende a administração de todos os outros

Sacramentos, ou pelo meros a maior solenidade de suas cerimônias, como

acontece no Sacramento do Batismo. — 1E Vil 1.

224. Que frutos se tiram desta catequese?

O próprio sacerdote aíervora-se na sua grata de estado; os candidatos ao sacerdócio aprendem a preparar-se para tão grande dignidade; os demais fiéis se compenciram do respeito que devem aos ministros da lgreia, ajudam a cultivar as vocações, q decidem-st pessoalmente a abraçar o estado sacerdotal. — Ti VIII.

225. Em que consiste a dignidade e grandeza do sacerdócio?

O sacerdote é o intérprete e intermediário de Deus, Seu plenipotenciário na terra, o dispensador dos Mistérios Divinos, mormente da Sagrada Eucaristia. — II VII 23.

226. Quais são os sinais de vocação 20 secerdócio?

O candidato ao sacerdócio deve distinguir-se por grande amor à virtude, pela aptidão de adquirir a ciência necessária, pela reta intenção de querer unicamente a glória de Deus e o serviço da Igreja. Estes sinais subjetivos de vocação são confirmados pelo “chamamento” oficial da Igreja. O candidato deve excluir todos os cálculos ignóbeis, como sejam a ganância e a ambição, que fazem do sacerdócio um simples meio de vida — II VI 3.4.

227. Como se prova a necessidade do sacerdócio?

Todos os homens foram criados para servir e glorificar a Deus, mas é preciso haver homens consagrados exclusivamente ao serviço de Deus, para exercerem esse ministério “em santidade e justiça todos os dias de sua vida”, assim como já fazia, entre os judeus, a tribo de Levi, cuja partilha era o Senhor. — II VII 5,

228, Como se exerce o poder sacerdotal?

Exerce-se de duas maneiras: pelo poder de Ordem, que se refere à confecção dos Sacramentos, principalmente da Eucaristia; pelo poder de jurisdição, que se refere, cumuladamente com o poder de Ordem, aos Sacramentos da Penitência, do Matrimônio, e ao governo da Igreja. — II VII 5.6.

229. Em que consiste, mais em particular, o poder da Ordem?

O poder da Urdem, que perltaz a natureza do Sacramento, encerra em si não só o poder de consagrar a Eucaristia, mas também de preparar os corações, para a receberem digna e frutuosamente, Esse poder é superior ao sacerdócio natural, e ao sacerdócio jerárquico dos judeus. — HII VII 7-8.

30. Como se prova que a Ordem é verdadeiro Sacramento?

Segundo a definição do Tridentino, na Ordem concorrem todos os requisitos de um Sacramento, A imposição das mãos, feita pelo bispo, sob a invocação do Espírito Santo, significa e confere o poder e q caráter sacerdotal. — II VII 10.

231. Por que há vários graus de Ordem?

Diz o Tridentino que, para o seu exercício adequado, foi preciso

dividir em vários graus o sublime ministério sacerdotal, de sorte que

a válida colação de um grau superior pressupõe a recepção dos graus inferiores. — IL VH II I.

232. Que é Tonsura?

A Tonsura é a admissão no estado clerical, ou uma habilitação para receber Ordens. — III VI II I.

233. Quais são os graus de Ordem?

São sete ao todo, quatro Ordens não-Sagradas ou' Menores, e três Ordens Sagradas ou Maiores. As Ordens Menores são: ostiariado, leitorado, exorcistado, acolitado. As Ordens Maiores são: subdiaconato, diaconato, presbiterato. — 1I VII 11-18.

234. Quais são, em geral, as funções próprias das Ordens Sagradas?

O subdiácono ajuda ao diácono; o diácono, ao sacerdote e ao bispo; o sacerdote administra os Sacramentos, exceto a Ordem e a Confirmação, que são reservadas ao bispo. — II VII 19-22,

235. De que sacerdócio falam as Escrituras? é

Novo Testamento fala de um sacerdócio interior e invisivel, próprio de todos os cristãos, em quanto são membros vivos de Cristo Sumo Sacerdote. Fala, também, do sacerdócio exterior ou jerárquico, ara O qual são chamados e instituídos certos homens, a serviço dk Jeus e-da Igreja. — II VI 23.

46. Qual é a função específica do sacerdócio?

A missão essencial do sacerdote, conforme se deduz do rito de Ordenação, é oferecer o Santo Sacrifício e ministrar os Sacramentos da Igreja — II VII 24.

237. Há graus no sacerdócio?

O sacerdócio da Nova Lei é um só, mas nele se distinguem vários graus, conforme a dignidade, poder de Ordem e jurisdição. No primeiro grau, estão os simples sacerdotes eu presbiteros; no segundo grau, os bispos; no terceiro, os arcebispos; no quarto, os patriarcas; no quinto, o Papa ou Bispo de Roma. — II VI 25.

238. Quem é o ministro da Ordem?

A administração do Sacramento da Ordem compete somente ao bispo. Os abades monásticos [pelo Código de Direito Canônico] podem conferir as Ordens Menores aos seus súditos. As Ordens Maiores podem ser ministradas pelo bispo. Segundo a Tradição dos Apóstolos, um bispo deve ser sagrado por três bispos. — II VII 26.

239. Quem pode ordenar-se?

Para o sacerdócio, é preciso selecionar os candidatos que tenham a scu favor santidade de vida, instrução adequada, isenção de irregularidade ou impedimento de Ordenação. — 1 VI 27-30.

240. Quais são os efeitos do Sacramento da Ordem?

Entre os efeitos sacramentais da Ordem contamos: a) graça de estado; b) poder sobre o Corpo Real e o Corpo Místico de Cristo; c) impressão do caráter sacramental. — II VII 31. +

Do Matrimônio

241. Qual é a importância do Matrimônio?

Embora o estado de virgindade seja mais perfeito, como ensina a Igreja, o Matrimônio encerra em si grandes bens e graças sobrenaturais. Na Igreja de Deus, o fervor religioso decresce, onde se não guarde a santidade do Matrimônio. Com outras palavras, a vida cristã está em razão direta da integridade da vida matrimonial. — II VII 1.

242. Que é Matrimônio?

É uma união de vida, legítima e indissolúvel, entre o homem e a mulher, para o mútuo auxílio e a propagação da espécie humana. — II VII 2-3.

243. Qual é a causa eficiente do Matrimônio?

É o mútuo consentimento, expresso por palavras de presente, na

forma prescrita pela Igreja, de sorte que só o consentimento estabe-

640 - Catecismo Romano. Anexos

lece o vínculo matrimonial, antes de haver relações carnais entre os esposos. — II VII 4-8 244. Sob que aspecto ainda podemos considerar o Matrimônio?

Podemos considerá-lo como instituição natural e como instituição sacramental. — III VII 9.

245. Qual é o cardter do Matrimônio, como instituição natural?

Foi instituído por Deus, com a criação do primeiro casal, para ser uma união firme e indissolúvel, cuja finalidade é a geração da prole. A obrigação de casar e garantir a espécie foi imposta ao gênero humano como tal, que não ao indivíduo em articular. — II VIE 12.

246. Qual é a razão de ser do Matrimônio, como instituição natural?

A primeira razão é o apoio mútuo, decorrente da união conjugal, pedida e exigida normalmente pela própria natureza. A segunda é a criação dos filhos, o que corresponde à necessidade de conservar e aumentar por eles o número dos verdadeiros filhos de Deus. A terceira é a satisfação ordenada da concupiscência carnal. — II VII 13-14.

247. Qual é a finalidade do Matrimônio, como Sacramento?

Cristo elevou o Matrimônio à dignidade de verdadeiro Sacramento, para que dessa união natural nascussem novos filhos para a verdadeira Igreja de Deus. Por isso, a própria união entre Cristo e a Igreja é comparada, nas Escrituras, à união entre marido e mulher. — II VII 15.17.

248. Qual é a razão de ser do Matrimônio, como instituição sacramental?

Pelo caráter sacramental, o Matrimônio readquiriu a pureza e integridade primitiva, porquanto exclui a poligamia e o divórcio propriamente dito. — II VII 18-20

249. Quais são as vantagens da indissolubilidade?

Entre outras, dizemos que o caráter indissolúvel do Matrimônio leva as pessoas a terem mais cuidado na escolha do noivo ou da noiva, Uma vez que não podem convolar para novas núpcias, os esposos resolvem seus atritos com maior generosidade. Por isso mesmo, Santo Agostinho aconselha que, em caso de adultério, o cônjuge lesado não se mostre irreconciliável, se a parte criminosa cai em si, e se arrepende de sua falta. — II VII 21-22.

250. Quais são os bens do Matrimônio Sacramental?

O primeiro é a prole; o segundo, a fidelidade e o santo amor; o terceiro, a indissolubilidade. — II VII 23-25.

251. Quais são os deveres dos cônjuges?

Dever do marido é respeitar e tratar bem a sua mulher; ter uma boa ocupação, para poder sustentar a família A mulher, por sua vez, deve esmerar-se nas prendas domésticas, cuidar da educação temporal e religiosa dos filhos, c ter uma afetuosa submissão ao marido. —u vim 25-27.

252. Que se requer para a celebração do Matrimônio?

Para a celebração do Matrimônio, é preciso observar as prescrições da Igreja, quanto à forma legítima, e quanto aos impedimentos matrimoniais. — UII VII 28-30.

253. Como devem os noivos preparar-se para o Matrimônio?

Devem esmerar-se na pureza e na piedade, na obediência e respeito aos pais. — Il VIH 31-32.

254. Que dizer da vida íntima conjugal?

Os esposos devem espiritualizar suas relações conjugais, pela reta intenção de fazerem a vontade de Deus. Devem também saber conter-se, quando isso for útil, ou até necessário. — ll VIII 33-35.

Generalidades sobre o Decálogo

255. Que é o Decálogo? Como diz o próprio termo, Decálogo são as dez Leis, ou os dez Mandamentos que Deus promulgou ao povo, pur intermédio de Moisés.

Santo Agostinho chama-lhe “sumário de todos os preceitos divinos”.

256. Qual é a sua importância pastoral?

A explicação do Decálogo é de grande importância para o púlpito e o confessionário. — III I 1-2

257. A que se deve atender na explicação do Decálogo?

Devemos atender aos motivos de sua observância, que são: a) a autoridade do Legislador, que é Deus Todo-Poderoso; b) facilidade de se observar os Mandamentos, pela força do amor e pela graça do Espírito Santo; c) a necessidade e utilidade de se observar os Mandamentos; d) a finalidade de sua observância, que é a glória de Deus e a nossa própria felicidade — III I 3.10.

258. Como se prova a universalidade dos Mandamentos?

Provamo-la pelas circunstâncias de sua promulgação no Monte Si-

nai, e pela felicidade de todo homem que observa o Decálogo. —

Primeiro Mandamento

259. Como reza o 1.º Mandamento no teor da Lei Antiga?

“Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de Mim. Não tarás para ti imagem esculpida, nem figura alguma do que há em cima no céu, e do que há embaixo na terra, nem do que há nas águas sub terrâneas. Não adorarás tais coisas, nem lhes prestarás culto. Eu sou o Senhor teu Deus, forte, zeloso, que vinga a imquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que Me odeiam, e que usa de misericórdia até mil gerações ra com aqueles que Me amam, e guardam os Meus Mandamentos” (Deut 20 26). — WA.

260. Como se dividem os Mandamentos?

O Decálogo, na forma que foi promulgado, reparte-se nas duas Tábuas que Deus entregou a Moisés. Na primeira se contêm os Mandamentos relativos a Deus; na segunda, os Mandamentos relativos a nós mesmos e ao próximo. — III I 3.

261. Que exprime o proêmio do 1.º Mandamento?

- Exprime os direitos de Deus sobre nós, Sua bondade para conosco, e nossa obrigação de morrermos ao pecado. — ULII 1-2.

262. Qual é pois o conteúdo do 1.º Mandamento?

a) Preceitua a fé, esperança e caridade; b) proíbe a idolatria e os pecados contra as três virtudes teologais; c) permite o culto dos Anjos, dos Santos e suas relíquias. — III II 4-15.

263. É proibido fazer imagens?

Só é proibido fazê-jas, para lhes render culto divino, isto é, para fins idolátricos, admitindo que nelas esteja a Divindade, ou pretendendo que, por elas, seja possivel representar corporalmente a natureza divina. — MU 16-19,

264. É licito fazer emblemas de Deus e imagens de Cristo e dos Santos?

Não é só lícito, mas até aconselhável, porque ilustram a história do Antigo e Novo Testamento, e incitam os fiéis à imitação daqueles que, no mundo, souberam seguir e imitar a Cristo, — ID H 20-24.

265. Quais são os motivos para observarmos o 1.º Mandamento e todos os mais?

Todas as leis sancionam prêmios e castigos, para moverem os homens a observá-las. Aos cristãos fervorosos, devemos lembrar-lhes que os Mandamentos são uma grande prova do amor de Deus para conosco. Aos cristãos tibios e carnais é preciso incutir-lhes pavor dos tremendos castigos que Deus lança contra o pecado. A todos, sem exceção, cumpre apresentar os dois acicates, de que fala o texto biblico do 1º Mandamento: um é o poder de Deus, que nos inspira confiança e temor ao mesmo tempo; o outro é o Seu zelo que, embora castigue até a terceira e quarta geração, usa de misericórdia até mil gerações. — IT 25-34.

Segundo Mandamento

266. De que se deduz a importância deste Preceito?

O estudo deste Preceito é importante, pela sua conexão com o 1.º Mandamento, e pela frequência com que os homens, por ignorância ou por maldade, o transgridem. — I III II 1-2.

261. Qual é o seu teor biblico?

mao tomarás em vão o Nome do Senhor teu Deus” (Exod 20 7). — mus.

268. Que significa o “Nome” de Deus?:

O “Nome” de Deus não se refere materialmente às letras ou às sílabas, como erroneamente julgavam muitos judeus, mas à essência e majestade de Deus Uno e Trino. A todos os “Nomes” de Deus, que constam da Bíblia, devemos o mesmo culto e adoração. — I III III 4.

269. Quais são os modos de losvar o Nome de Deus?

São vários: confessar o Nome de Deus diante dos homens, ouvir c estudar a Palavra de Deus, celebrar os louvores de Deus, pedir a proteção de Deus, invocar a Deus por testemunha da verdade. — 1 IN 4-6.

270. Que devemos notar, mais em particular, a respeito do juramento?

durar é tomar a Deus por testemunha daquilo que afirmamos, ou daquito que prometemos. Portanto, o juramento pode ser assertório ou promissório. —- NI IN B-10.

271. Qual é a origem do juramento?

A necessidade de invocar a Deus por testemunha decorre de nossa fraqueza e imperfeição moral. O juramento é um ato de veneração à onipresença, onisciência e veracidade de Deus. Não deve, porém, ser usado com nímia frequência. — III II 6-7 15-19,

272. Quais são as cláusulas necessárias para o juramentar

As condições do juramento agradável a Deus são as seguintes: Devenios jurar pela verdade, com critério, e segundo a justiça — Mi mm 11-14.

273. Que prolbe o 2.º Mandamento?

Proíbe o perjúrio, tanto assertório, como promissório; o juramento iníquo ou contrário à justiça, como seja prometer algum pecado, ou jurar não querer os conselhos evangélicos; o juramento leviano ou sem critério, como seja jurar sem prova, ou por falsos deuses; a profanação de coisas santas, por exemplo, ridicularizar textos da Sagrada Escritura, desprezar a oração; a blasfêmia e a maldição. — III II 20-29.

274. Que nos indicam as sanções de Deus?

Indicam a gravidade desses pecados; a propensão dos homens para o cometerem; o nexo causal entre esses pecados e muitas desgraças que acontecem pelo mundo afora. — III II 30,

Terceiro Mandamento

275. Qual é o teor biblico deste Preceito?

“Lembra-te de santificar o dia de sábado. Seis dias trabalharás, e neles farás rodas as tuas obras. O sétimo dia, porém, é o Sábado do Senhor teu Deus. Nesse dia não farás obra alguma, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem tua serva, nem o teu gado, nem o forasteiro que está dentro de tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor o céu, e à terra, e o mar, e tudo o que neics há, e descansou ao sétimo dia. Por isso, o Senhor abençoou o dia de sábado, e o santilicou” (Exod 20 8-11). — MEIV 1.

276. Donde sc deduz a importância deste Preceito?

Vemo-la pelo nexo com os Preceitos precedentes, pelo teor de suas palavras, pela sua influência nos outros Mandamentos, pela necessidade que os poderes públicos cooperem para a sua observância. — MI IV 1.3.

277. Qual é o nexo com os outros Mandamentos? Este Preceito difere dos mais, pelo seu caráter cerimonial e tem-

porário, e pela ab-rogação do dia de sábado; de comum com os outros tem o are morai e permanente, e a instituição do “Dia do Senhor”. — Mav 3.

278. Que significa o “Lembra-te*?

Indica o dia que deve ser santificado, a maneirs de santificar também a semana, e o perigo de esquecermos o Preceito. — IN IV 8.

270. Que significa o termo “sábado”?

Na Bíblia, significa cessação de trabalho, o sétimo dia, a semana toda. — III IV 9

280. Que significa o verbo “santificar"?

Significa não só a omissão de obras servis, mas também a prática de obras de piedade e car dade. — IN IV 10-II I.

281. Por que Deus determinou o sétimo dia?

Para ser um memorial de nossa dependência de Deus, da criação do Universo, da libertação do Egito, do sábado espiritual e celestial. — MLIV 12-14.

282. Em que consiste o sábado espiritual?

Consiste na santa paz e tranquilidade, Que o homem goza, ao en-

tregar-se às obras de piedade e caridade cristã, depois de se haver reenerado para uma vida nova em Cristo. — II IV IS.

283. Em que consiste o sábado celestial?

Consiste naquela vida que gozaremos em união com Cristo na eternidade. — NI IV 16.

284. Há outros dias santificados além do “Dia do Senhor"?

já os judeus celebravam ainda outras festas < dias santos. A Igreja também instituiu dias santos, além do domingo. São prandes festas em comemoração dos Mistérios da Redenção, da vida de Nossa Senhora, dos Santos Apóstolos, dos Mártires, e de outros Santos, — JIJ IV 17.19.

285. Por que a Igreja escolheu o domingo?

Foi escolhido o domingo, por ser o dia em que surglu a primeira luz do Universo, prefigurando Cristo Ressuscitado, que é a luz de nossas almas. Nesse dia começou a Obra da Criação, e foi no domingo que o Espírito Santo baixou sobre os Apóstolos, para uma nova Criação espiritual. — I II IV 18.

286. Como se deduz deste Preceito a obrigação do trabalho?

Se a lei prevê um dia de descanso, logicamente devemos concluir que nos outros dias é preciso trabalhar. “Seis dias trabalharás... Nesse dia [no sábado] não farás obra alguma, etc”. — III IV 20.

287. Que obras são proibidas no dia do Senhor?

Não devemos executar obras servis, nem fazer os animais trabalharem. Excetuam-se os serviços para o culto divino, e os trabalhos verdadeiramente ncccssários. Não devemos também projanar o Dia do Senhor, cometendo pecados. — UI IV 21-24,

248. Quais são as obrigações positivas em domingos e dios santos?

Devemos assistir Missa. com boas disposições; receber os Santos Sacramentos; ouvir o sermão ou a catequese; rezar com mais fervor; instruir-nos na Religião; praticar as obras de miser córdia. — I III IV 25-26.

289. Por que devemos observar este Preceito?..

Por ser justo e razoável, sublime e vantajoso, fácil de cumprir, e munido de graves sanções. — III IV 26-28,

Quarto Mandamento

290. Qual é o teor biblico do 4.º Preceito? “Honra teu pai e tua mãe, para teres longa vida na terra, que o Senhor teu Meus te há de dar" (Exod MO 12). — NIVA. 291. Donde se explica a importância dos Preceitos gravados na 2º Tábua? Os Preceitos gravados na 2.º Tábua são sumamente importantes, porque Cristo equiparou ao amor a Deus o amor que devemos ter a nós mesmos e ao próximo. — NI V.

292. Como se enquadra aqui o 4* Mandamento?

Ele forma a transição entre as obrigações para com Deus e para com o próximo. Nossos pais são, de nossos próximos, os mais próximos. Além disso, são os representantes do amor e da autoridade de Deus. O 1.º Mandamento limita o 4.º Mandamento, e o engrandece ao mesmo tempo. — III V 2-6

293. Que se entende por “honrar”?

Honrar é respeitar alguém, e estimar tudo o que se lhe diga respeito. A honra que tributamos a outrem, compreende os sentimentos de amor, zelo, obediência, e a prontidão de servir. — III V. 7.

294, Que se entende por “pai”?

Entendemos os pais carnais, os superiores eclesiásticos, os superiores civis, os educadores, as pessoas de idade. — III V 8.

295. Por que se faz menção expresso de “mãe” no “Preceito*?

Para melhor nos compenetrarmos do amor de nossa mãe, a quem tanto devemos desde o nosso nascimento. v

296. Quais são as obrigações dos filhos para com os pais?

Devemos ser extremosos cm nossos sentimentos de amor e picdade filial, cujas sinceras manifestações são as seguintes: honrar os pais na sociedade, rezar por eles, regular nossa vida pela sua opinião e vontade, imitar seus bons exemplos c costumes, manter os pais pelo menos em sua posição social, assisti-los cm doenças perigosas, oromover condignamente os seus funerais, sufragar-lhes a alma. — ni vIO-IZ.

297. Quais são as obrigações dos súditos para com os superiores?

Aos Superiores eclesiásticos devemos prestar amor e obediência, e garantir-lhes o sustento honesto. Aos Superiores seculares, devemos consideração, submissão e lealdade. — III V 13-15.

298. Como proceder com as autoridades indignas?

A indignidade pessoal não lhes derroga o poder que receberam de Deus. Só devemos opor-nos às leis e determinações, que forem contrárias aos Preceitos Divinos. — II V 16.

299. Quais são os prêmios e sanções deste Mandamento?

As Escrituras prometem vida longa e venturosa aos bons filhos, e ameaçam os piores castigos contra os que odeiam ou desprezam seus próprios pais. — II V 17-18

300. Como se explica, no entanto, a morte precoce de bons filhos?

Nosso Senhor os tira do mundo, antes que scjam contaminados pela corrupção ambiente (Sap 4 11), ou para que não sofram com os flaelos reservados à sua época (ls 57 1). — II IV 19.

ET Quais são as obrigações dos pais ce saperiores? f

Devem educar e dirigir seus filhos c súditos por princípios bem assentados, evitando, como erros, nímia aspereza, nímia indulgência, e princípios anticristãos de educação. — II V 21-22.

Quinto Mandamento

302. Qual é o teor biblico deste Mandamento?

“Não matarás” (Êxod 20 13). — II VIA.

303. A que atribuir a importância do 5.º Preceito?

A observância deste Preceito é o meio mais conducente para promover a paz e a concórdia entre os homens. Por isso, foi ele expressamente inculcado após o Dilúvio; Cristo o aperfeiçoou, e o deu como defesa do próprio indivíduo. — III VI 1.

304. Que não proíbe este Mandamento?:

Não proíbe matar animais, executar criminosos por via legal, matar inimigos em guerra justa, matar por ordem de Deus, matar em defesa própria. A morte acidental não constitui crime, a não ser que haja grave e culposa negligência de quem ocasionou o acidente. — III VI 2-8.

305. Que proíbe este Mandamento?

Proíbe o homicídio, e esta proibição vale para todos os homens,

sem excetuar os ricos ec poderosos. Proíbe de matar o próximo, ainda que se trate de pessoa vil e desprezivel. Proíbe também de matar-se a si mesmo, porque o homem não pode dispor de sua própria vida. Proíbe, afinal, todas as maneiras de matar, seja por violência física, seja r determinação moral — I III VI 9-1).

JO. que entra cinda no proibição deste Preceito?

O cristão não deve irar-se contra o próximo, sem razão, por motivos carnais. — MI VI 11-12.

307. Quais são os remédios contra esses pecados?

Devemos meditar em que Cristo aconsclhava não resistir aos maus, e oferecer a face esquerda, quando esbofeteados na façe direita. Antes de tudo, é preciso reconhecer a atrocidade do homicídio, como cnime de lesa-humanidade. — MI VI 13-15,

309. Que prescreve o 5.º Mandamento?

Ordena-nos a prática de uma caridade universal, com todos os seus atributos, que são a paciência, benignidade, beneficência, amor aos inimigos, perdão das injúrias. — vi 16-

309. Quais são os motivos para essa caridade?

a) O sofrimento vem de Deus, e os homens maus são apenas instrumentos de Sua Providência; b) o perdão das ofensas traz vantagens, porque nos alcança o pcrdão de nossos próprios pecados, e nos dá nobreza e perfeição; c) sc não perdoarmos, sofreremos tremendos castigos; d) o ódio engendra outros pecados graves. — I III VI 20-24.

310. Quais são os remédios contra esses pecados?

Hã dois cficacissimos: o exemplo de Nosso Senhor c a tembrança dos Novissimos. — II VI 25.

Sexto Mandamento

3II

I. Qual é o teor biblico deste Preccito?

“Não cometerás adultério” (Exod 20 14) — I III VU 4.

312. Qual é a importância do 6.º Mandamento?

É uma defesa c proteção do Matrimônio, do amor conjugal, e da santidade da família. — WE VIH).

313. À que é preciso atender na explicação deste Mandamento?

Cumpre dizer o necessário, com toda a firmeza, mas de tal modo que esclareça oa inocentes, sem os escandalizar, nem induzir indiretamente ao pucado. — II VII 1.2,

314. Que proíbe o 6º Mandamento?

Pela proibição do adultério, proíbe implicitamente todas as espécies de luxúria, todos os afetos libidinosos. — III VI 3-5.

315. O 6º Mandamento baseia-se só em lei positiva?

A impureza é proibida não só pela lei positiva de Deus, mas também pela lei natural (Cfr. DU 1198 ss). — II VU S.

316. Qual é a molicia do adultério?:

Além de ser pecado contra a continência, o adultério tem ainda a malícia de uma grave injustiça. —. III VI 5.

317. Que prescreve este Mandamento?

Manda guardar a pureza e continência, própria de cada estado. — M vi 6.

318. Quais são os meios de guardar castidade?

omo meios intemos, é preciso ter horror à torpcza desse pecado, em particular do meretricio e do adultério; é preciso também considerar amiúde os castigos e os efeitos da impureza. —- Como meios extemos, é preciso fugir a ociosidade, a intemperança, os olhares indiscretos, os requintes da moda, as conversas torpes, as cantigas e bailes licenciosos, os livros e imagens obscenos. — Como meios positivos, é preciso frequentar os Sacramentos da Confissão e da Eucaristia, e praticar obras de mortificação, como sejam jejuns, vigilias, e romagens,

Sétimo Mandamento

319. Qual é a primeira observação que fazemos quanto ao Sétimo Mandamento?

É que Deus, em Sua bondade infinita, não só protegeu nossa vida e nossa honra, pelos 5.º e 6.º Mandamentos, mas quis também defender os bens externos do indivíduo e da sociedade pelo 7.º Mandamento. — III VII 1-2

320. Como se divide o 7.º Mandamento?

Divide-se em duas partes, como os demais. De um lado, proíbe todas as lesões da propriedade alheia; de outro, prescreve a beneficência. — III VII 2.

321. Que proíbe cste Preceito?

Proíbe o roubo e o furto, em todas as suas modalidades, bem como a intenção de roubar ou furtar. — III VII 3-6.

322. Qual é a gravidade do roubo e do furto?

Tanto pela lei natural, como pela lei divina, são pecados graves em seu género, mas admitem parvidade de matéria. — IIII VII 7.

323. Que phrigação impõem o furto 'e o roubo?

Por lei divina, urge a obrigação de restituir ou repor o que foi roubado. Em caso de impossibilidade, é preciso que se tenha pelo menos a intenção de restituir. — Il VII 8.

324. Quais são as principais espécies de furto?

É furto: comprar ou reter objetos achados ou roubados; enganar em compras e vendas; vender artigos falsos ou avariados; não trabalhar direito, coníorme o que foi ajustado; lesar conscientemente os patrões; simular indigência; não cumprir as obrigações decorrentes de um cargo ou ofício. — TIL VIE 9.

325. Quais são as principais espécies de roubo?

F' roubo: não pagar O salário devido, os impostos, os dizimos; fazer agiotagens; deixar-se peitar em pareceres e sentenças; fazer especulações de crédito e passar calotes; executar devedores insolventes; atravessar cereais. — TI VII 10-14.

326. Que prescreve o 7.º Mandamento?

Obriga a restituir o roubado, e a fazer beneficência, de acordo com as próprias posses. — II VII 15-16.

327. Quem está obrigado à restituição?

Quem manda, quem aconselha, quem consente, quem participa, quem não impede, quem não denuncia, quem apadrinha, quem aprova e louva algum furto ou roubo. — TI VII 15.

328. Que missão social se deduz do direito de propriedade?

A posse de bens de fortuna impõe a obrigação de fazer beneficência — II VII 16.

329. Qual é a forma mais comum de beneficência?

É a esmola. Consiste em prover do necessário a quem precisa; em dar emprestado, se não pode fazer donativo; em trabalhar em benefício dos pobres. A frugalidade de vida põe o indivíduo em condições de alargar as suas caridades. As Sagradas Escrituras cnaltecem as bênçãos reservadas aos esmoleiros. — II VIII 16-19.

330. Quais motivos induzem à observância deste Preccito?

De um lado, os castigos que a justiça divina lança contra os ladrões e injustos; de outro lado, as recompensas que a bondade promete aos que praticam a liberalidade para com os pobres. — III VHI 20.

331. Quais são as escusas de alguns ladrões?

Muitos nobres decaidos querem manter, por furtos e roubos, o esplendor de sua casa e linhagem. Outros procuram, dessa mesma forma, conservar seu elevado padrão de vida. Alguns se justificam, alegando que só roubam de pessoas ricas e abastadas. Muitos dizem que roubam por habito; que não resistem à ocasião propícia; que roubam por represália, porque foram também roubados; que não. podem

pagar suas dívidas, senão roubando dos outros. A todos esses ladrões, devemos arrancá-los de tão perigosa ilusão, para que a eles se não aplique a palavra da Escritura, que os ladrões não terão parte no Reino de Deus (! Cor 6 10). — III VII 21-25.

Oitavo Mandamento

332. Por que se impõe a explicação deste Preceito?

É necessário explicar bem este Mandamento, porque sua transgressão é muito generalizada, e produz males sem conta. — III IX 1,

333. Que proíbe o 8.º Mandamento?

Proíbe: a) dizer fafso testemunha em juízo, contra outrem, contra si mesmo, a favor de outrem, em prejuizo de outrem; b) dizer ou praticar qualquer espécie de mentira ou falsidade, como seja calúnia, detração, propagação de heresia, enredos, murmurações, lisonja, aleivosia, o enganar moribundos acerca de seu estado, o escrever libelos difamatórios, mentiras jocosas e oficiosas, fingimento e dissimulação. — ITIX 2-13.

334. Que prescreve o 8.º Mandamento?

Aos juízes c magistrados impõe a obrigação de julgarem e darem sentença segundo a verdade e a justiça; aos réus, de dizerem a verdade, quando interrogados em juízo (veja-se porém CRO MJ nota n.º 531); às testemunhas, de faiarem segundo a verdade e os ditames de sua consciência; aos advogados e outras partes do tribunal, de não lesarem os direitos de quem for inocente; aos fiéis em geral, de serem leais e sinceros no trato com os seus semelhantes. — IN IX 14-18.

335. Por que motivo devemus observar o 8º Mandamento?

Sua transgressão constitui um pecado particularmente odiado por Deus, um pecado por assim dizer incurável, um pecado de funestas consequências. — I IX 19-20.

336. Quais são os principais pretextos para mentir?

Mentir por vantagem, por revide, por fragilidade, por hábito, por imitação, por medo da verdade, por brincadeiras, por oportunismo. — HE IX 21-23.

Nono c Décimo Mandamentos

337. Em que está a utilidade e importância dos dois últimos Mandamentos?

São necessários, por causa do nexo com os Preceitos anteriores, c do nexo de ambos entre si. Os 9.º c o 10.º Mandamentos esclarecem e completam, respectivamente, o 6.º e o 7.º Mandamentos. São úteis, porque apaziguam a alma e garantem a pureza interior. — III X 13-5.

338. Que proíbem o 9º e o 10.º Mandamentos?

Proíbem, em geral, cobiçar coisas libidinosas e coisas alheias. Mas essas pretensões da má concupiscência só se tornam pecados, quando nelas intervém o consentimento da vontade. — III X 130-20.

339. São proibidas todas as manifestações da concupiscência?

Não, porque a concupiscência em si é uma faculdade da alma, pela qual desejamos e apetecemos o que corresponde às necessidades de nossa natureza humana. Quando bem regulada, a concupiscência nos leva a pedir a Deus a satisfação de nossos bons desejos, e a sentir maior gratidão para com Deus, pelos benefícios recebidos. — III X 6-9.

30. Em que sentido diz São Paulo que a concupiscência é pecado?

Na epistola aos Romanos, capitulo 7, versículo 7, São Paulo se referc à concupiscência da carne, isto é à má concupiscência. — IX.

341. Quais são os remédios contra a mã concupiscência?

Contra a concupiscência da carne e dos olhos, proibida pelo 9.º e 10.” Mandamentos, devemos procurar a pobreza de espírito ou desapego às coisas terrenas, o amor à vontade de Deus, a mortificação dos sentidos, a consideração dos danos espirituais e temporais que causa a má concupiscência. — I II X 21-22,

342. Quais são as pessoas mais expostas a pecar contra o 9º e 10.º Mandamentos?

As que se viciaram na jogatina; os negociantes que desejam a falta de mercadorias, para tcrem lucros maiores; os soldados que desejam a guerra, para poderem saquear; os médicos que desejam doenças e epidemias; os advogados que desejam processos e demandas; os profissionais que desejam dificuldades na praça, para tirarem disso a maior vanlagem possivel. A tais classes de pessoas, força é explicar-lhes bem os dois últimos Preccitos da Lei de Deus. o X 2.

Generalidades sobre a Oração

343. Qual é o dever dos pastores, quanto à doutrina da Oração?

Os pastores devem instruir cuidadosamente os fiéis sobre tudo o que diga respeito à oração, tanto o que devem pedir, como a maneira de fazêlo. — VIA. Ê

344. Que dizer da necessidade da oração?

Segundo a doutrina e o exemplo de Cristo e dos Apóstolos, a oração é um dever rigoroso, e O único meio de conseguir o que se prea nas eceaidades comuns, e nas circunstâncias extraordinárias da vida. —

345. Quais são os ejcitos e os frutos da oração?

São muitos. A oração glorifica a Deus, porque é a expressão de nossa dependência; nossa confiança, nosso amor para com Alcança o bom despacho de nossa petição, porque é uma chave do céu, uma fonte de alegria, um meio de conseguirmos prontamente os nossos pedidos. — IV 1-2.

36. De que maneira somos atendidos?

Muitas vezes, Deus não nos atende da maneira que esperávamos, Seja porque nosso pedido nos seria inútil ou prejudicial, seja porque Deus nos reserva graças e benefícios maiores, seja porque rezamos com negligência. Quando pedimos nas devidas condições, Deus nos dá mais do que desejamos. — IV 1 3-5.

347. Quais são os frutos da oração?

A oração aumenta em nós as virtudes da fé, confiança, caridade, fervor, humildade, coragem; purifica nossa consciência; aplaca a cólera divina. — IV 61. ;

348. Quais são as várias espécies de oração, segundo uma passagem de São Paulo?

São Paulo diz assim: “Recomentio-te, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, petições, ações de graças, por todos os homens” (1 Tim 2 1). — IV MIA.

349. Quais são, porém, as espécies principais da oração?

oa din espécies principais são a petição e a ação de graças. 350. o lo os graus ou modalidades da oração, quanto aos senti-

mentos de quem reza?

Distinguimos: oração efusiva, oração contrita, oração de quem procura a verdade, oração dos impenitentes. — IV II I 3-7.

351. Que se deve pedir?

Como norma geral, devemos pedir o que é lícito e agradável a Deus. As coisas temporais, devemos pedilas condicionalmente, e com desapego do coração. Devemos, porém, pedir a glória de Deus, incondicionalmente, sem nenhuma restrição. — IvIv 15.

352. Por quem devemos orar?

Devemos pedir por todos sem exceção: pelos pastores espirituais, pelos governantes, pelos bons e justos, pelos nossos inimigos, pelos que estão separados da Igreja por heresia ou cisma, pelas almas do

ppurgatório, pelos impenitentes. — IV V 1-5.

353. Que significam as maldições dos Santos contra os pecadores?

Os Santos Padres dizem que essas maldições tinham antes o caráter de predições de castigos iminentes, ou eram uma esconjuração do poder do pecado, para salvar o pecador. — IV V 6

354. A que deve referir-se nossa ação de graças?

Devemos render graças a Deus pelos inúmeros benefícios, que sempre nos dispensou, e que diáriamente continua a dispensar ao gênero humano; mormente pela vitória dos Santos que, com a Sua graça, lograram vencer todos os inimigos internos e extemos da salvação — IVVT.

355. Que dizer da Saudação Angélica?

A Ave-Maria é uma perfeita petição e ação de graças ao mesmo tempo. — IV VB 356. 4 quem devemos orar?

Em primeiro lugar, devemos rezas a Deus, e invocar o Seu Santo Nome Depois, rezamos aos Santos, recorrendo à sua intercessão junto a Deus. — IV VI 13.

357. Como rezar o Padre-Nosso em honra de um Santo?

Quando rezamos o Padre-Nosso diante da imagem de um Santo, devemos pedir ao mesmo Santo que recite conosco o Padre-Nosso, e nos ajude a alcançar o que se contém nas suas Petições. — IV VI 4. 358. É preciso preparar-nos para a oração?

Cet diz: “Antcs de rezar, prepara a tua alma, e não sejas como um homem que tenta a Deus” (Eccli 18 23). — IV VII.

359. Com que sentimentos devemos entrar em oração?

Para ecenmioa boa oração, devemos despertar em nós sentimentos de humildade e arrependimento, procurando livrar-nos de certos pecados, como seja homicídio, ira, discórdia, rancor, dureza para com os pobres, soberba, desprezo pela Palavra Divina. — IV VII 1-2.

360. Que sentimentos são ainda necessários?

Devemos rezar com fé e esperança; confiar na bondade de Deus para conosco, em Cristo como nosso Mudianeiro, no Espírito Santo como promovedor de nossa oração; viver enfim segundo a vontade de Deus. — IV VIAS.

361. Que atributos deve ter a oração?

Devemos rezar “em espírito e verdade”, com perseverança, em

nome de Jesus, com fervor e gratidão, com jejuns e esmolas. — IV VIII 1-9.

Preâmbulo do Padre-Nosso: Padre Nosso, que estais no céu.

362. Em que consiste o preâmbulo do Padre-Nosso?

Consiste na apóstrofe ou invocação: “Padre Nosso, que estais no céu!” — IV XI.

363. Que efeito produz em nós a invocação de Deus como nosso Pai?

A invocação de Deus como Pai de todos os homens desperta em nós a alegria e confiança de rezar. — IV IX 1.

364. Como Deus Se revelou como nosso Pai?

Deus revela-Se como nosso Pai na Criação, no Governo do mundo, na Sua Providência, na Obra da Redenção. — TV IX 2-10.

365. Que se deduz de nossa filiação divina?

Dela concluímos que devemos portar-nos como filhos de Deus, na ventura e na desgraça, suportando o sofrimento, não como se fosse uma condenação de Deus, mas como prova de Seu amor paternal ra co nosco; que todos os cristãos são irmãos entre si, irmãos e co-herdeiros de Cristo; que os laços de fraternidade persistem, apesar das várias dignidades e atribuições entre os homens, porque temos o mesmo Pai, o mesmo Redentor, a mesma herança; que o espírito do Padre-Nosso é fundamental para a oração e a vida cristã, — IV IX 11-17.

36. Por que dizemos “que estais no céu”? Não obstante a Sua onipresença, dizemos que Deus assiste no céu,

para termos assim uma imagem de Seu poder e majestade, e para nos lembrannos mais intensamente de nossa Pátria Celestial. — IV 18-19.

Primeira Petição

Santificado seja o Vosso Nome.

367. Qual é o conteúdo das três primeiras Petições?

Sendo Deus o Sumo Bem, estão em primeiro lugar as Petições relativas à Sua glorificação, e por sinal que glorificação extrínseca. — IVX1.

368. Como deve scr essa glorificação?

Deve ser, na terra, igual à do cén, principalmente a glorificação do Nome Divino, para o desagravar de ofensas e blasfêmis. — IVX1.

369. Qual é o sentido da 1.º Petição?

Que todos os homens conheçam a Deus, e recebam o Batismo; que os cristãos pecadores sejam regenerados pela Penitência: que todos os homens reconheçam os benefícios divinos; que todos os homens acatem a verdadeira Igreja de Deus; que o Nome de Deus não seja blasfemado, por causa dos cristãos; que o bom exemplo dos cristãos leve os homens a glorificarem a Deus. — IV X 4.9.

Segunda Petição

Venha a nós o vosso Reino.

370. Qual é o âmbito da 2* Petição?

É o ponto de partida e o remate de toda a pregação evangélica, porquanto Cristo disse: “Procurai primeiro o Reino de Deus, e todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo” (Mt 6 33). Abrange também tudo o que se faz mister para a vids espiritual e corporal. — IV XI 1.2,

371. De que modo devemos realizá-la?

Devemos procurar o Reino de Deus; nutrir o desejo do céu: considerando a miséria humana, que é pior do que a condição natural dos irracionais; investigando as Causas dessa miséria, e procurando os remédios. — IV XI 3-6.

372. Que se entende por “Reino de Deus"?

Por Reino de Deus, entendemos a soberania e à providência de Deus, Sua proteção para com as almas justas, um Reino que não é deste mundo, um Reino de graça e santidade, um Reino de glória celestial. — IV XI 7.10.

373. Qual é o nexo entre Reino da graça e Reino da glória?

A graça, como diz Cristo, é a “fonte que jorra para a vida eterna” (Jo 4,14). Portanto, não poderá possuir no céu o Reino da glória, quem na terra não conservou em si o Reino da graça. — IV XI 1.

374. Qual é o conteúdo desta Petição?

Pedimos pela propagação da fé e da Igreja; pela conversão dos pecadores no grêmio da Igreja: pela santificação c perseverança dos bons na Igreja. — IV XI 12-14.

375. Que motivos nos induzem a fazer devotamente esta Petição?

São os seguintes: a) o imenso valor do Reino de Deus; b) nossa indignidade e indigência; c) a obrigação de nos esforçarmos, de confisrmos na graça de Deus, de pedirmos a plena vitória do Reino de Deus entre os homens. — IV XI 15-19.

Terceira Petição

Seja feita a Vossa vontade.

316. Que faz ressaltar a importância desta Petição?

Três fatores: a) o triste estado do homem decaído, a propensão de sua vontade para o mal, a turvação da inteligência, sua incapacidade de conseguir o Reino do céu; b) a necessidade de pedirmos o auxílio de Deus, para vencer o pecado e perseverar no bem: c) o fato e ue a concupiscência remanesce também nos bons e justos. —

TT 1-10.

377. Qual é o conteúdo desta Petição?

Pedimos a força de cumprir todos os Preceitos Divinos; verdadeiro horror às obras da carne; a graça de não nos iludirmos com as aparências do bem; a consecução de coisas boas c agradáveis: a perseverança de fazer a vontade de Deus; a difusão da vontade de Deus por todo o orbe da terra; a graça de cumprirmos a vontade de Deus com perfeição, isto É, por amor e reverência, não tanto pela recompensa prometida, como o fazem os Anjos e Santos no céu. — IV XII 11-12.

378. Com que sentimentos devemos fazer esta Petição?

Nossa miséria nos faça humildes, a glória do serviço de Deus nos faça zelosos; a fé na Providência Divina nos faça perseverantes em nosso estado e vocação. — IV XII 23-24.

Quarta Petição

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

379. Qual é o nexo desta Petição com as precedentes?

Após haver pedido os bens sobrenaturais, é lógico que se peçam as coisas temporais, necessárias para a vida corporal. — IV XII 1.

380. Por que pedimos coisas temporais?

Pedimo-las, porque são meios necessários para a consecução de bens sobrenaturais. — IV XII 2.

381. Com que disposições devemos rezar a presente Petição?

Devemos sobrepor a vontade de Deus a todas as coisas, e fazer a reta intenção, se usarmos as coisas temporais e terrenas. — IV XII 3.

382. Por que é necessária esta Petição.

É necessária, por causa das exigências materiais da vida, agravadas pelo pecado original, e a que devemos acudir com o nosso esforço, mas amparados pelo poder e bondade de Deus. — IV XIII 4.7,

383. Que significa “pão” no sentido material?

Significa tudo o que havemos mister para a manutenção da vida corporal, como seja comida, roupa, casa, etc., mas só O que for necessário. — IV XII 8-10.

384. Que designa o possessivo “nosso”?

Concita à temperança; proíbe o desperdício, e manda adquirir legitimamente. — IV XIII 11-12.

385. Que nos diz a cláusula “de cada dia”?

Sugere-nos a frugalidade, condena a avareza e ganância, lembra o dever da oração diária. — IV XII 13.

386. Qual é o sentido do imperativo “nos dai”?

Exorta todos à submissão a Deus; aos ricos induz a pedirem à proteção de Deus para os seus bens de fortuna. — IV XIII 13-15.

387. Por que pedimos no plural?

Porque temos a obrigação de pedir uns pelos outros, e de repartir com os pobres a nossa parte. — IV XIII 16.

388. Que exprime o advérbio “hoje”?

Lembra-nos a contingência e incerteza de nossa vida. — IV XIII 7.

380. Que significa “pão”, no sentido espiritual?

Significa tudo o gue havemos mister para a nossa vida sobrenatural, isto é, a Palavra de Deus, Cristo Nosso Senhor, principalmente na Eucaristia como pão cotidiano de nossa alma. — IV XI 17-21.

390. A que nos exorta, afinal, a presente Petição?

Exorta-nos a pór nas mãos de Deus o bom éxito de nosso trabalho e nossa oração; aos ricos, particularmente, lembra o dever de acudirem aos pobres em suas necessidades. — IV XIII 22-23.

Quinta Petição

Perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.

391. Em que caráter se nos apresenta a 5.ª Petição? Apresenta-se-nos como fruto da Paixão de Cristo, como condição

para conseguirmos a vida eterna, e como nova modalidade de oração. — IV XIV 1-3.

392. Com que disposições devemos fazê-la?

Devemos reconhecer nossa condição de devedores para com Deus; arrepender-nos de nossos pecados: por causa de sua hediondez, por causa da Majestade Divina, por causa do cativeiro do demônio, por causa dos castigos; confiar na misericórdia de Deus, que está pronto a perdoar, mas que quer ser rogado. — IV XIV 4-II I.

393. Qual é o sentido de “dívidas”?

Dívida, na linguagem comum, pode ser compromisso, transgressão ou infração, c também ofensa irrogada ao próximo. Por nossas dívidas entendemos todos os nossos pecados. — IV XIV 12-15.

394. Por que nos é necessário perdoar?

Porque nosso perdão ao próximo é a condição que Deus põe para nos perdoar. — IV XIV 17-18.

395. Por que dizemos “perdoai-nos”, e não perdoai-me"?:

Rezamos no plural, uns pelos outros, por caridade, já que somos irmãos; e também por justiça, já que muitas vezes somos solidários nos pecados do próximo. — IV XIV 16.

396. Que motivos nos induzem a perdoar?

A prontidão de perdoar nos dá uma garantia de nossa filiação divina. O rancor involuntário não tira o valor de nosso perdão. Ainda que rancorosos, devemos recitar com fé a presente Petição, e não deixaremos de sentir seu efeito conciliatório. — IV XIV 19-21.

397. Quais são os meios para se recitar fervorosamente esta Petição?

Devemos comparecer diante de Deus como necessitados; evitar as ocasiões de pecado; imitar os exemplos de arrependimento relatados na Bíblia; ser esmoleiros; esquecer as injúrias, e rogar pelos inimigos. — IV XIV 22-23.

Sexta Petição

E não nos deixeis cair em tentação.

398. Por que Cristo nos ordenou esta Petição?

Cristo nos mandou rezar assim, porque é muito grande a sanha do demônio contra os bons. Os demônios são poderosos no seu ódio, firmes na sua arrogância, tremendos pelo seu número. Além disso, nossa fragilidade é atacada pela má concupiscência, muito embora Deus jamais consinta em sermos tentados acima de nossas forças. — IV XV 1-6 8.

399. Por que os maus não são tentados?

Os maus não são tentados, porque cm sua obstinação já são pertença do demônio. É bom sinal, quando os virtuosos são importunados com muitas tentações. — IV XV g%

400. Que se entende por “tentar”?

Tentar consiste em provar alguém, para se verificar sua firmeza em algum princípio ou modo de proceder. — IV XV 9.:

401. De que modo tenta o demônio?

O demônio tenta para o mal, valendo-se de nossa mã concupiscéncia, e de homens depravados. — IV XV 10.

402. Qual é o sentido de “cair em tentação”?

Deus não quer jamais o pecado, mas permite tentações e quedas nossas, e não impede propriamente o abuso de Seus benefícios e graças, porque deu ao homem a livre vontade, ou a determinação de si mesmo. Nas Escrituras, devemos atender a alguns idiotismos; quando lemos, por exemplo, que Deus endureceu o coração de Faraó, ou que obcecou o coração do povo. Não devemos ver, nessas expressões, um ato positivo, mas só uma simples permissão de Deus. — IV XV 11-13.

403. Há vantagens nas tentações?

As tentações nos ensejam muitos merecimentos, e aumentam nossa

glória e felicidade no céu. Por isso, não pedimos propriamente isenção

de sermos tentados, mas a força de resistir às tentações, e de vencêlas. — IV XV 14-15.

404. Qual é, pois, o sentido básico desta Petição?

Pedimos a graça de não cedermos à má concupiscência; de não nos arredarmos do caminho do Senhor, mas de nos conservarmos fiéis a Cristo, tanto na ventura, como na desgraça; de termos em todo o nosso ser a poderosa assistência divina; de podermos esmagar Satanás debaixo de nossos pés. — IV XV 15.

405. Com que sentimentos devemos rezar esta Petição? E:

Devemos desconfiar de nossa própria suficiência; entregar-nos à bondade divina; fitar os olhos em Cristo, Vencedor do demônio; pensar nos triunfos dos Santos; usar os meios conducentes contra as tentações; pedir forças a Deus; almejar o prêmio da vitória. — IV XV 16-20.

Sétima Petição

Mas livrai-nos do mal.

406. Qual é a importância desta Petição?

Esta Petição é, por assim dizer, um sumário de todas as precedentes. Antes de morrer, Cristo pediu pessoalmente: “Não rogo que os tireis do mundo, mas que os guardeis do mal” (Jo 17,15). — IV XVI 1.

407. Qual é a sua oportunidade e necessidade?

No meio de tantas tentações e perigos, é preciso pedir que Deus tenha mão, e nos livre dos males que fazem perigar a salvação de nossa alma. — IV XVI 2

408 De que maneira devemos rezar esta Petição?

Devemos pedir a Deus livramento dos males, mas em subordinação à glória de Deus, e não confiando apenas em nossas defesas humanas. Nosso pedido é também condicional, quanto aos males interiores e exteriores, e quanto às coisas que são bens apreciáveis e desejáveis. — IV XVI 3-7.

409. De que maneira Deus nos atende?

Deus afasta desgraças iminentes, consola nos sofrimentos, acode até milagrosamente. — IV XVI 8

410. Por que dizemos que o demônio é “o mal”?

Porque ele é o autor do pecado; porque é um instrumento de castigo nas mãos de Deus; porque odeia os homens; porque instiga para o mal. — IV XVI 9-10.

4II

I. Que conclusões práticas devemos tirar da 7.º Petição?

Enquanto vivermos, teremos de sofrer. Por isso, soframos com

paciência e alegria, a exemplo dos Santos. — IV XIV 11-12.

O final do Padre-Nosso

Amém!

412. Qual é a importância dessa conclusão?

O “amém” é o sinete do Padre-Nosso, é um penhor das graças pedidas. — IV XVI 1.

413. Qual é o processo misterioso que se opera em cada oração?

Na oração, Deus torna-Se mais acessível; faz sentir os efeitos de Sua bondade; afervora-nos no Seu serviço; faz-nos reconhecer nossa própria miséria; desperta em nós os sentimentos de ação de graças, como o vemos no exemplo do Profeta David. — IV XVII 2-3.

414. Que significa, e como se traduz o “amém”?

É uma resposta de Deus à oração, e exprime a esperança de quem reza. Uns traduzem o “amém” por “assim é”, “assim seja”; outros, por “fielmente”, ou por “em verdade”. — IV XVII 4-6.

415. Quais são os efeitos de sua recitação?

Concentra a atenção de quem reza, aumenta-lhe o fervor. Ao dizer “Amém”, já sentimos, por assim dizer, que se aproxima o auxílio de Deus. — IV XVII 6.