Artigo do dia · 5 de June
São Bonifácio
Em Dokkum, na Frísia, a entrada no céu de São Bonifácio, bispo e mártir. Monge beneditino nascido na Inglaterra com o nome de Winfrid, foi enviado pelo Romano Pontífice a evangelizar os povos da Germânia, onde plantou a fé, ergueu igrejas e mosteiros e reformou o clero. Já idoso, voltou à missão entre os frísios e ali, com muitos companheiros, foi morto pela espada dos pagãos por amor de Cristo.
Martirológio Romano
Sobre o santo
Há santos que a gente admira de longe; São Bonifácio é daqueles que nos sacode. Ele é um dos maiores exemplos de zelo apostólico que a Igreja já conheceu — aquela coragem de quem larga a segurança de casa para levar Cristo a quem nunca ouviu falar dele. Num tempo em que muitos adoravam carvalhos e trovões, ele atravessou o mar, enfrentou reis e deuses pagãos e não recuou nem diante da morte. Vamos conhecer a história desse monge inglês que se tornou o Apóstolo da Germânia, e ver o que o seu fogo missionário ainda tem a nos ensinar.
História
São Bonifácio é um santo bem documentado, mas alguns números variam entre as fontes antigas: o martírio é datado de 754 ou 755, a fundação de Fulda de 742 ou 744, o arcebispado de Mogúncia de 745 ou 747/748, e o número de companheiros mortos vai de trinta e sete a cinquenta e dois. Adotamos aqui as datas e formas mais aceitas.
Ele nasceu por volta de 672 a 675 em Wessex, na Inglaterra — a tradição aponta Crediton, em Devon — e recebeu o nome de Winfrid. Cedo entrou para a vida beneditina, estudando em mosteiros perto de Exeter e de Nursling, entre Winchester e Southampton. Era um aluno brilhante e logo se tornou mestre, a ponto de escrever a primeira gramática latina produzida na Inglaterra. Ordenado sacerdote por volta dos trinta anos, poderia ter ficado numa vida tranquila de oração e estudo. Mas dentro dele ardia outra coisa: a vontade de anunciar Cristo aos povos que ainda não o conheciam.
Em 716 fez sua primeira viagem missionária à Frísia, que pouco frutificou por causa das guerras da região. Voltou, e em 718 foi a Roma buscar a bênção do Papa. Em 719, São Papa Gregório II o enviou oficialmente a evangelizar a Germânia e lhe deu um novo nome: Bonifácio. A partir dali ele mergulhou no coração pagão da Europa — Hessen, Turíngia, Baviera — pregando, batizando e, mais tarde, trabalhando ao lado de São Vilibrordo, o Apóstolo dos Frísios.
O gesto mais célebre da sua vida veio por volta de 723, em Geismar, perto de Fritzlar. Diante de uma multidão de pagãos, Bonifácio pegou um machado e derrubou o grande carvalho consagrado ao deus do trovão, Thor. Todos esperavam que o céu o fulminasse na hora — e nada aconteceu. Da madeira daquele carvalho ele mandou erguer uma capela dedicada a São Pedro, e muitos se converteram. Em 722 fora sagrado bispo para a Germânia; em 732 recebeu o pálio de São Papa Gregório III e tornou-se arcebispo.
Bonifácio não era só um pregador corajoso — era também um organizador incansável da Igreja. Fundou e firmou dioceses em terras como Salzburgo, Frisinga, Ratisbona e Würzburg, ergueu mosteiros e, por meio do seu discípulo São Sturmius, deu origem por volta de 744 à célebre Abadia de Fulda. Entre 742 e 744 reuniu sínodos para reformar o clero franco, que andava relaxado, e por volta de 747 assumiu como Arcebispo de Mogúncia e Primaz da Germânia. Toda a sua obra tinha um traço inconfundível: profunda fidelidade a Roma.
Já idoso, com a sé organizada, ele poderia ter descansado. Em vez disso, renunciou ao governo de Mogúncia em favor do discípulo São Lulo e voltou justamente para a Frísia, a missão que tentara como jovem. No dia 5 de junho de 754, em Dokkum, enquanto esperava um grupo de recém-batizados para crismá-los, um bando de pagãos armados caiu sobre o acampamento. Bonifácio proibiu seus companheiros de revidar e ofereceu a vida; foi morto com cerca de cinquenta e dois deles. Junto ao seu corpo encontraram um livro — uma obra de Santo Ambrósio — manchado de sangue. Foi sepultado na Abadia de Fulda, que se tornou um grande farol da fé, e desde então é venerado como mártir. Em 1874, o Beato Papa Pio IX estendeu a sua festa a toda a Igreja.
Por que celebramos hoje
São Bonifácio é celebrado em 5 de junho porque foi neste dia, no ano de 754, que ele selou com o próprio sangue, em Dokkum, na Frísia, a fé que pregou a vida inteira — o seu dies natalis, o nascimento para o céu. A Igreja o inscreveu no calendário como memória obrigatória, e o Beato Papa Pio IX estendeu a sua festa a toda a Igreja em 1874.
Para nossa vida
Imagino que temos muito a aprender com São Bonifácio, que é luz para a nossa vida de fé. Poucos de nós vamos atravessar mares ou enfrentar deuses pagãos — mas todos nós temos a nossa Germânia: a casa, o trabalho, a roda de amigos onde Cristo ainda é pouco conhecido. O zelo dele nos lembra que a fé não é para guardarmos só pra nós; é para partilhar, com coragem e com paciência, mesmo quando dá medo. E quando olhamos para aquele carvalho derrubado, entendemos que às vezes a maior pregação é um gesto firme de confiança em Deus, num mundo que nos pressiona a recuar. Que possamos, no nosso dia a dia, pedir um pouco dessa ousadia mansa — testemunhar a nossa fé sem brigar, mas também sem nos envergonhar dela. E agradecemos a Deus por nos deixar conhecer a história desses santos, que vão à frente abrindo caminho e nos animam a melhorar no caminho da nossa fé.
Ide, pois, e ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
Mt 28,19 (Figueiredo)
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