Artigo do dia · 27 de May

Santo Agostinho de Cantuária

Santo Agostinho de Cantuária — O monge romano que se tornou o Apóstolo dos Ingleses por simples obediência ao seu papa

Em Cantuária, na Inglaterra, deposição de Santo Agostinho, bispo, que, sendo prior de um mosteiro em Roma, foi enviado pelo Papa São Gregório Magno com seus companheiros para anunciar o Evangelho aos anglo-saxões. Acolhido pelo rei Etelberto e batizando-o juntamente com milhares de seus súditos, estabeleceu a sede arquiepiscopal de Cantuária e por isso é chamado Apóstolo dos Ingleses.

Martirológio Romano

Sobre o santo

Santo Agostinho de Cantuária é um dos exemplos mais marcantes de zelo apostólico que a Igreja já produziu — não o zelo dos que partem com facilidade, mas o dos que continuam quando o medo já bateu na porta. Era um monge prior em Roma, arrancado da quietude do claustro para atravessar a Europa rumo a um povo pagão de terra desconhecida. Os companheiros quase voltaram pelo caminho; ele prosseguiu porque o Papa lhe pediu para prosseguir. Vamos conhecer a história desse santo que, por simples obediência, fundou uma Igreja inteira.

História

As datas precisas dos primeiros anos de Agostinho permanecem incertas. O essencial — sua missão a partir de 595, a conversão de Etelberto e a fundação da sede de Cantuária — está bem documentado pelas fontes históricas.

As fontes preservaram pouco sobre os primeiros anos de Agostinho. Sabemos que nasceu em Roma, provavelmente no primeiro terço do século VI, e que ingressou na vida monástica beneditina, chegando a ser prior de um mosteiro na Cidade Eterna. Foi ali, na rotina do ofício divino e da obediência regular, que o Papa São Gregório Magno encontrou o homem em quem confiaria uma das missões mais audaciosas da Idade Média.

Em 595, Gregório voltou os olhos para a Britânia. A ilha tinha sido cristã nos tempos romanos, mas as invasões anglo-saxônicas, depois da retirada das legiões em 410, haviam apagado as estruturas eclesiásticas no leste e no sul. Restavam comunidades cristãs nas terras dos britânicos, isoladas de Roma e seguindo costumes próprios. O alvo escolhido pelo Papa foi o Reino de Câncio, cujo rei, Etelberto, era casado com Berta, princesa cristã, filha do rei franco Cariberto I. Essa abertura familiar — Berta professava sua fé livremente e mantinha um bispo, Leotardo, em sua casa — era a brecha por onde o Evangelho podia entrar.

A jornada quase não chegou ao fim. Em algum ponto do caminho, os missionários hesitaram diante do que tinham pela frente e cogitaram voltar atrás. Gregório, de Roma, escreveu insistindo que continuassem. Em 597, o grupo desembarcou na ilha de Thanet e seguiu para Cantuária, capital do reino. Etelberto os recebeu, ouviu a pregação e converteu-se. Agostinho foi consagrado bispo, e no Natal daquele mesmo ano milhares de anglo-saxões receberam o batismo de uma só vez.

Com o rei convertido, o trabalho passou a ser de consolidação. Etelberto cedeu terras fora das muralhas para a fundação de um mosteiro. Em 601, Gregório enviou novos missionários, com cartas e dons para amparar as igrejas nascentes. Em 604, foram estabelecidas as sedes episcopais de Londres e Rochester, e uma escola foi aberta em Cantuária para formar sacerdotes e missionários nativos. As tentativas de submeter os antigos bispos celtas britânicos à autoridade de Agostinho, porém, não tiveram êxito: a Igreja britânica, isolada de Roma há séculos, manteve seus costumes próprios.

Antes de morrer, Agostinho cuidou da sucessão e fez consagrar Santo Lourenço de Cantuária para tomar seu lugar. Faleceu provavelmente em 26 de maio de 604, em Cantuária. Quase imediatamente o povo começou a venerá-lo como santo, e a história o consagrou como o Apóstolo dos Ingleses — o homem que, por obediência ao seu papa, plantou de novo a Igreja na ilha que a tinha perdido.

Por que celebramos hoje

Embora Santo Agostinho de Cantuária tenha falecido provavelmente em 26 de maio de 604 — seu dies natalis, o dia de seu nascimento para o céu —, o Calendário Romano celebra sua memória facultativa em 27 de maio, conservando próxima ao dia do trânsito a recordação do Apóstolo dos Ingleses.

Para nossa vida

A santidade de Agostinho de Cantuária não nasceu de um ímpeto heroico — nasceu de obediência. Ele não queria ir; quis voltar pelo caminho. Continuou porque o Papa pediu que continuasse. E foi essa obediência simples, contra o medo, que abriu um povo inteiro para Cristo. Quantas vezes recusamos pequenas coisas que a Igreja, nosso confessor, nossa vocação ou nosso estado de vida nos pedem, porque parecem grandes demais ou desconfortáveis demais?

O caminho de Agostinho ensina que a santidade não está em fazer coisas extraordinárias — está em não recuar quando Deus, pela voz de outros, nos pede para seguir em frente. Identifique hoje uma única coisa que você sabe que deve fazer e tem adiado por medo: uma confissão atrasada, uma conversa difícil, um pedido de perdão, um compromisso evitado. Faça hoje. O resto Deus cuida.

Ide, pois, e ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

Mt 28,19 (Figueiredo)

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