Oração dos esposos em dificuldade conjugal — Salmo 126/127 Nisi Dominus
Esta oração é dedicada aos esposos cristãos atravessando dificuldades conjugais — momentos de incompreensão, distância afetiva, esgotamento da paciência, tentação contra a fidelidade, ou crises mais graves. A Igreja oferece três grandes recursos espirituais para estas horas: (1) o Salmo 126 (numeração Vulgata) / 127 (numeração hebraica moderna) — «Nisi Dominus aedificaverit domum, in vanum laboraverunt qui aedificant eam» — «Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam» — que recorda aos esposos que sem a presença ativa de Deus o próprio matrimônio se torna obra humana frágil; (2) o exemplo dos Santos esposos Aquila e Priscila (At 18,1-3.18-28; Rm 16,3-5; 1Cor 16,19; 2Tm 4,19) — casal judeu cristão que acompanhou São Paulo nas missões, hospedou a Igreja em sua casa e arriscou a vida pela fé — modelos de fidelidade conjugal sustentando juntos a missão; (3) a doutrina constante da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio ratum et consummatum, definida pelo Concílio de Trento (Sessão XXIV, can. 5-7, 1563) e reafirmada por Pio XI em Casti Connubii (31.12.1930), por São Paulo VI em Humanae Vitae (25.07.1968), por São João Paulo II em Familiaris Consortio (22.11.1981) e por Francisco em Amoris Laetitia (19.03.2016). Quando a dificuldade se prolongar e for grave, deve-se procurar o acompanhamento espiritual de um sacerdote ou de um casal cristão maduro, e sempre rezar pela conversão e perseverança do cônjuge. Em todo caso, esta oração não dispensa o necessário esforço humano de diálogo, perdão e revisão da própria conduta — antes lhe dá fundamento e graça.
(Idealmente os dois esposos juntos. Se um só, em silêncio interior pelo outro:)
Senhor Deus, fonte do amor conjugal, eu Vos louvo neste momento em que o nosso matrimônio sofre. Não vou esconder de Vós o que está pesado — Vós conheceis o nosso coração melhor do que nós mesmos. Reconheço: «Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia o que a guarda» (Sl 126,1 Vulgata).
Tantas vezes pretendemos construir nossa casa sozinhos. Esquecemos de pedir-Vos o pão de cada dia da nossa vida conjugal. Confiamos nas nossas próprias forças, na nossa capacidade de compreensão, na nossa boa vontade — e veio a frustração. Agora, Senhor, eu Vos peço de novo: edificai-nos como casa Vossa.
Eu Vos peço, em primeiro lugar, pela conversão do meu próprio coração:
- perdoai-me as palavras duras que disse;
- perdoai-me os silêncios com que feri;
- perdoai-me as comparações ingratas que fiz;
- perdoai-me a tibieza com que tenho cumprido os meus deveres de estado;
- perdoai-me o orgulho que se nega a pedir perdão primeiro.
Em segundo lugar, eu Vos peço pelo meu cônjuge:
- concedei-lhe a graça da paz interior, do discernimento, e do crescimento na fé;
- protegei-o de toda tentação contra a fidelidade que nos une;
- se ele estiver longe de Vós, traga-o de volta para perto; se ele estiver desanimado, sustentai-o; se ele estiver tentado, livrai-o;
- ensinai-me a vê-lo com Vossos olhos — com a paciência e a misericórdia infinitas com que Vós o vedes.
Em terceiro lugar, eu Vos peço pela nossa aliança:
- recordai-Vos da graça sacramental que derramastes sobre nós no dia em que nos demos um ao outro — essa graça não se esgotou, Senhor, ela permanece operante mesmo nos dias áridos;
- pelo exemplo de Aquila e Priscila, fazei-nos servos juntos da Vossa Igreja na nossa casa, na nossa paróquia, na nossa comunidade;
- pelo exemplo de Sts Luís e Zélia Martin que enfrentaram morte de filhos, doença e separações sem perder a confiança — sustentai a nossa aliança até o último dia.
Maria, Mãe das bodas de Caná, que percebestes a falta antes mesmo dos noivos e intervieram junto ao Vosso Filho dizendo «Não têm vinho» (Jo 2,3): dizei também por nós ao Senhor «Eles não têm a alegria que tinham no princípio». E concedei-nos a graça do vinho novo, melhor do que o primeiro (Jo 2,10) — a graça do amor sacramental que matura com os anos e a doçura conjugal renovada na confiança no Pai. Amém.