Mistério da Redenção — Christus passus est pro nobis
A Redenção é o mistério pelo qual o Filho de Deus encarnado, pela sua Paixão, Morte e Ressurreição, livrou o gênero humano da escravidão do pecado e da morte, restituindo-nos a filiação adotiva do Pai. Sto Anselmo de Cantuária († 1109) sintetizou na obra Cur Deus Homo (1098, em domínio público) a chamada teoria da satisfação: porque o pecado é ofensa infinita à majestade divina, somente um homem-Deus podia oferecer satisfação infinita em nome de toda a humanidade. O Concílio de Trento (Sessão VI, Decretum de Iustificatione, 13 de janeiro de 1547) definiu solenemente que Cristo nos mereceu a justificação pela sua santíssima Paixão sobre o madeiro da Cruz, e satisfez por nós a Deus Pai (cap. VII). A Escritura nos ensina que fomos resgatados não com ouro ou prata corruptíveis, mas com o precioso sangue de Cristo, como de cordeiro imaculado e sem mancha (1Pe 1,18-19), e que nele aprouve ao Pai reconciliar consigo todas as coisas, fazendo pelo sangue da sua Cruz a paz (Col 1,19-20). A tradição patrística e medieval reconheceu em Cristo o tríplice ofício de Sacerdote (que se oferece como vítima — Heb 7,27), Profeta (que revela o Pai — Jo 1,18) e Rei (que reina do alto da Cruz — Jo 19,19). Esta oração medita o mistério em três movimentos, complementando a Adoração da Cruz da Sexta-feira Santa (Tempos Litúrgicos 3n), as orações da Cruz de Cristo (3p) e da Adoração Eucarística (3i) já no Lumen.
Ó Senhor Jesus Cristo, único Mediador entre Deus e os homens, eu Vos adoro pendente da Cruz, abandonado dos discípulos, exposto ao desprezo do mundo, vítima inocente oferecida em sacrifício pelos pecados do gênero humano. Christus passus est pro nobis — Cristo padeceu por nós, deixando-nos exemplo, para que sigamos os Seus passos (1Pe 2,21).
Eu Vos contemplo, ó Salvador, no tríplice ofício que cumprrstes no madeiro:
- como Sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedec (Sl 109,4) — que se oferece a Si mesmo, sem mancha, ao Pai, num só sacrifício para sempre (Heb 7,27);
- como Profeta cuja palavra é a Cruz — donde do alto pregastes a sete sentenças que abrem o livro da nossa salvação (cf. as Sete Palavras na Cruz de Cristo 3p);
- como Rei que reina do madeiro — Iesus Nazarenus, Rex Iudaeorum — inscrito em três línguas para que toda a terra reconhecesse o Vosso reinado universal (Jo 19,19-20).
Reconheço que fui resgatado não com ouro ou prata corruptíveis, mas com o precioso sangue de Cristo, como de cordeiro imaculado e sem mancha. Que jamais me esqueça do preço infinito da minha alma; que viva sempre como rescatado, isto é, como livre da escravidão do pecado e propriedade do meu Redentor.
E porque Nele aprouve ao Pai reconciliar consigo todas as coisas, fazendo pelo sangue da Vossa Cruz a paz, peço-Vos pela reconciliação dos pecadores, pela conversão dos meus inimigos e pelo meu próprio coração contrito.
Concedei-me, ó Crucificado, três graças que da Vossa Redenção procedem: contrição profunda dos meus pecados pelos quais Vós sofrestes; perseverança na graça da justificação que me obtivestes; e esperança firme da glória eterna que comprastes com o Vosso sangue.
Salvator mundi, salva nos — Salvador do mundo, salvai-nos, que pela Vossa Cruz e Ressurreição nos redimistes; socorrei-nos, suplicamos, Deus nosso. Amém.