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Bem-aventuranças do Sermão da Montanha (Mt 5,3-12)

As oito Bem-aventuranças do Sermão da Montanha (Mt 5,3-12) são, segundo o Catecismo da Igreja Católica n. 1716, «o coração da pregação de Jesus». Estão no início do primeiro grande discurso do Senhor sobre o Reino, e desenham — em oito beatitudes paradoxais — o retrato do verdadeiro discípulo: pobre em espírito, manso, misericordioso, puro de coração, pacificador, perseguido pela justiça. São Gregório de Nissa († 394) escreveu o tratado De Beatitudinibus, e São Tomás de Aquino na Summa Theologiae Ia-IIae q. 69 mostrou como cada Bem-aventurança corresponde a um dom do Espírito Santo. São João Paulo II, em Veritatis Splendor 16 (1993), ensinou que «as Bem-aventuranças, antes de serem mandamentos, são promessas». Esta oração medita as oito Bem-aventuranças, uma a uma, na tradução do Pe. António Pereira de Figueiredo († 1797, domínio público) — a mesma usada nos posts de Mateus publicados em /pt/biblia/mateus/.

(Diante do Evangelho aberto em Mt 5, com calma:)

I. «Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.» (Mt 5,3) — Senhor, dai-me o desapego dos bens materiais que mata em mim a cobiça e o orgulho.

II. «Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.» (Mt 5,5) — Dai-me as lágrimas que purificam: as do arrependimento dos pecados, as da compaixão pelos sofrimentos do próximo, as de saudade do céu.

III. «Bem-aventurados os mansos, porque eles possuirão a terra.» (Mt 5,4) — Dai-me a mansidão que vence a violência, a paciência que resiste à provocação, a doçura no trato que conquista os corações.

IV. «Bem-aventurados os que têm fome e sede da justiça, porque eles serão fartos.» (Mt 5,6) — Dai-me fome do que é justo segundo Vós, e não segundo as opiniões mutáveis dos homens.

V. «Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia.» (Mt 5,7) — Dai-me o coração que perdoa antes de ser ofendido, e que faz aos outros aquilo que de Vós espero para si mesmo na hora do juízo.

VI. «Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus.» (Mt 5,8) — Dai-me a pureza de coração — nos pensamentos, nos olhares, nos desejos — que prepara já desde esta vida a visão beatífica.

VII. «Bem-aventurados os pacíficos, porque eles serão chamados filhos de Deus.» (Mt 5,9) — Dai-me a paz interior que vence a inquietação, e a vocação de ser instrumento da vossa paz onde houver discórdia.

VIII. «Bem-aventurados os que padecem perseguição pela justiça, porque deles é o reino dos céus.» (Mt 5,10) — Dai-me a coragem da fé pública num mundo que despreza a vossa Lei; e, se for vossa vontade, a graça de sofrer alguma coisa pelo vosso Nome.

IX. «Bem-aventurados sereis quando vos amaldiçoarem, e vos perseguirem, e disserem com mentira todo o mal contra vós por causa de mim. Folgai e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus.» (Mt 5,11-12) — Senhor, alegrai-me na injustiça suportada por Vós; fazei-me lembrar que a recompensa não é de cá.

Amém.

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