Tempo Comum — Oração do cristão peregrino
O Tempo Comum — chamado em latim Tempus per Annum, ao longo do ano — é o tempo litúrgico mais longo do calendário católico: 33 ou 34 semanas distribuídas em duas porções, uma curta depois do Tempo do Natal (do Batismo do Senhor até a véspera da Quarta-feira de Cinzas) e uma longa depois do Tempo Pascal (do dia seguinte a Pentecostes até a véspera do Primeiro Domingo do Advento). Sua cor litúrgica é o verde — cor da esperança e do crescimento, simbolizando o caminho lento da Igreja peregrina entre as duas vindas de Cristo. As Normas Universais de 1969 (n. 43) descrevem o Tempo Comum não como tempo neutro ou esvaziado, mas como aquele em que «se celebra o mistério de Cristo em si mesmo, sem reflexo particular». Esta oração acompanha o cristão nas longas semanas verdes — em que o Senhor não nasce nem morre nem ressuscita ainda, mas em que se caminha pela vida ordinária, na monotonia abençoada das pequenas fidelidades.
Senhor Jesus Cristo, que após o tempo grande do Natal e antes do tempo grande da Quaresma, e novamente após Pentecostes e antes do Advento, deixais a vossa Igreja caminhar no Tempo Comum da cor verde: ensinai-me a santidade dos dias sem solenidade.
É fácil ser cristão na manhã da Páscoa, em meio à música solene e às velas acesas; é fácil ser cristão na noite do Natal, entre o presépio e a Missa do Galo. Mas o verdadeiro discípulo prova-se nos longos meses verdes entre estas festas, quando a vida não tem cor especial — segunda-feira de junho, terça-feira de agosto, quinta-feira de novembro. Aí, mais do que nas festas solenes, descubro o que vale o meu seguimento.
Concedei-me, neste Tempo Comum, três graças ordinárias:
A primeira: a fidelidade pequena e diária — Missa dominical sem falhar, oração da manhã e da noite sem dispensa, abstinência das Sextas, confissão regular. Não há santidade fora destas pequenas constâncias.
A segunda: a alegria de ler o Evangelho do dia em ordem — domingo após domingo, segundo o Lecionário trienal — e descobrir como cada parábola, cada milagre, cada palavra Vossa fala diretamente à minha semana atual.
A terceira: a esperança ativa da espera — que a longa peregrinação verde deste tempo me prepare interiormente para a próxima festa solene, e ultimamente para a única festa que não termina nunca: a liturgia eterna do Céu, onde não há mais tempo nem litúrgico nem comum, mas só o «Dia que não conhece poente» — perpétuo Domingo das núpcias do Cordeiro com a Igreja.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.