Natal — Adoração do Menino Jesus na Manjedoura
O tempo do Natal começa na Noite Santa de 24-25 de dezembro com a Missa in Nocte, prolonga-se até a Festa do Batismo do Senhor (domingo depois da Epifania, em 6 de janeiro), e celebra o mistério único da Encarnação do Verbo: «E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós» (Jo 1,14). Foi São Francisco de Assis, na noite de 24 para 25 de dezembro de 1223, em Greccio (Itália), quem armou pela primeira vez o presépio vivo com um boi, um burro e uma manjedoura — para fazer ver com os olhos do corpo a pequenez do Deus encarnado. Tomás de Celano, biógrafo de Francisco, narra que durante a Missa o Santo foi visto a embalar nos braços, na manjedoura, o Menino Jesus que aparecera real diante dele. Esta oração pode ser feita diante do presépio doméstico, em cada noite do Tempo do Natal, especialmente em 25 de dezembro e na Solenidade da Mãe de Deus em 1.º de janeiro.
(Ajoelhe-se diante do presépio. Olhe em silêncio o Menino na manjedoura.)
Adoro-Vos, Menino Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, deitado na palha desta manjedoura. Adoro-Vos sob estes pequenos sinais que escondem o Verbo eterno do Pai: a pele frágil que assumiu a nossa natureza, a respiração de criança, o choro humano de quem é desde a eternidade.
Aqui estais, Senhor do universo, reduzido à fragilidade de um recém-nascido para que os pequenos não tenham medo de Vos amar. Aqui estais, Eterno, deitado no tempo. Aqui estais, Onipotente, dependente do colo de Maria. Aqui estais, Palavra do Pai, ainda sem fala humana.
Pelo silêncio adorante de Maria e José naquela primeira noite, pelo cântico dos pastores e dos anjos sobre Belém, pelas lágrimas felizes de São Francisco embalando-Vos em Greccio: dai-me também a mim, neste Natal, o dom da adoração simples e silenciosa.
Fazei do meu coração, ainda esta noite, uma manjedoura limpa e quente para Vós. Tirai daí o que Vos desagrada — a pressa, a dispersão, o desejo de aparecer — e enchei-o do que Vos atrai: a humildade dos pequenos, a obediência dos justos, a gratidão dos pobres.
Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade (Lc 2,14).
Amém.