Tarde te amei — Santo Agostinho
Página célebre das Confissões (Livro X, cap. 27), escritas por Santo Agostinho por volta de 398 d.C. em Hipona. Recapitula em forma de oração toda a sua busca de Deus: a beleza que o procurou enquanto ele a procurava fora, no múltiplo. Lida na liturgia das Horas (Ofício de leitura da memória de Santo Agostinho, 28 de agosto).
Tarde te amei, beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei!
Eis que tu estavas dentro de mim e eu fora, e fora te buscava, e sobre estas belas coisas que fizeste eu, disforme, me lançava.
Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo. Retinham-me longe de ti aquelas coisas que, se em ti não estivessem, não seriam.
Chamaste e clamaste, e rompeste a minha surdez; brilhaste, resplandeceste, e afugentaste a minha cegueira; exalaste perfume, e eu respirei e suspiro por ti; saboreei-te, e tenho fome e sede; tocaste-me, e ardi pela tua paz.
Em latim
Sero te amavi, pulchritudo tam antiqua et tam nova, sero te amavi!
Et ecce intus eras et ego foris, et ibi te quaerebam, et in ista formosa, quae fecisti, deformis irruebam.
Mecum eras, et tecum non eram.
Ea me tenebant longe a te, quae si in te non essent, non essent.
Vocasti et clamasti, et rupisti surditatem meam;
coruscasti, splenduisti, et fugasti caecitatem meam;
flagrasti, et duxi spiritum et anhelo tibi;
gustavi, et esurio et sitio;
tetigisti me, et exarsi in pacem tuam.