Artigo do dia · 13 de May

Nossa Senhora de Fátima

Nossa Senhora de Fátima

Em Fátima, freguesia do concelho de Ourém, em Portugal, comemora-se a primeira aparição da Virgem Maria a três humildes pastorinhos — Lúcia dos Santos e os irmãos Francisco e Jacinta Marto — no lugar da Cova da Iria, em 13 de maio de 1917. Identificando-se como a Senhora do Rosário, a Mãe de Deus pediu oração diária, penitência e a conversão dos pecadores, e os acontecimentos foram declarados dignos de crédito pela autoridade eclesiástica em 1930.

Martirológio Romano

Sobre o santo

Maria não é uma santa entre santos — é a Mãe de Deus. Mas em cada aparição ela vem nos ensinar algo, e em Fátima a sua lição é tão simples que cabe no terço apertado na mão de uma criança: oração perseverante e penitência amorosa pelos pecadores. Em pleno século XX, ano da Revolução Russa e em meio à Grande Guerra, a Virgem escolheu três pastorinhos analfabetos para repetir ao mundo aquilo que os santos sempre souberam — que a santidade começa por rezar todo dia, com confiança, sem desistir. Vamos conhecer um pouco da história desta aparição extraordinária e da mensagem que ela continua entregando a quem se aproxima da Cova da Iria.

História

Antes mesmo das aparições da Virgem, no ano de 1916, três crianças que pastoreavam ovelhas pelos campos de Fátima — Lúcia dos Santos e seus primos Francisco e Jacinta Marto — afirmaram ter recebido a visita de um anjo, que se apresentou como o Anjo da Paz, ou Anjo de Portugal. Foram três encontros, dois na Loca do Cabeço, nos Valinhos, e um junto do Poço do Arneiro, na casa de Lúcia, em Aljustrel. Ali o anjo ensinou às crianças orações de adoração e o costume de oferecer sacrifícios pelos pecadores. Eram apenas a preparação para o que viria.

No dia 13 de maio de 1917, por volta do meio-dia, depois de rezarem o terço enquanto guardavam o rebanho, os três pastorinhos viram uma luz brilhante sobre uma pequena azinheira na Cova da Iria. Sobre ela estava uma “Senhora mais brilhante que o sol”, vestida de branco, com manto debruado de ouro e um rosário nas mãos. Pediu-lhes que voltassem àquele mesmo lugar no dia 13 dos cinco meses seguintes e que rezassem o Rosário todos os dias, para alcançar a paz no mundo e o fim da guerra.

As aparições repetiram-se com fidelidade pontual: 13 de junho, 13 de julho, 19 de agosto — neste mês excepcionalmente nos Valinhos, porque no dia 13 as crianças haviam sido presas e levadas pelo administrador de Vila Nova de Ourém —, 13 de setembro e 13 de outubro. Em cada encontro Nossa Senhora insistia nos mesmos pedidos: oração, penitência, conversão. Nas Memórias da Irmã Lúcia, escritas décadas depois, a vidente sobrevivente registraria os segredos que ali recebeu, incluindo o apelo pela consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

A 13 de outubro de 1917, diante de cerca de setenta mil pessoas reunidas na Cova da Iria, a Virgem identificou-se: “Eu sou a Senhora do Rosário.” E pediu que se construísse ali uma capela em sua honra. Naquele mesmo instante, a multidão testemunhou o chamado Milagre do Sol — o astro, semelhante a um disco de prata fosca, parecia girar sobre si mesmo como uma roda de fogo e precipitar-se sobre a Terra. Jornalistas presentes publicaram o relato na imprensa portuguesa, e o fenómeno foi atestado mesmo por pessoas distantes do lugar da aparição.

Em 13 de outubro de 1930, D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, declarou as aparições dignas de crédito, abrindo caminho ao culto público. O Papa Pio XII, devoto fervoroso de Fátima, concedeu à imagem venerada a coroação canónica pela bula Celeberrima solemnia, de 25 de abril de 1946, e a coroa foi imposta a 13 de maio do mesmo ano pelo Cardeal Benedetto Aloisi Masella, legado pontifício. Em 11 de novembro de 1954, pela carta apostólica Luce superna, o mesmo pontífice elevou o Santuário de Fátima à dignidade de basílica menor, confirmando definitivamente aquele chão humilde como um dos maiores centros de devoção mariana do mundo.

Por que celebramos hoje

A memória litúrgica de Nossa Senhora de Fátima é celebrada precisamente em 13 de maio porque foi neste dia, em 1917, que a Virgem Maria apareceu pela primeira vez aos três pastorinhos na Cova da Iria. A data marca o início das seis aparições daquele ano e é hoje o coração da romaria internacional ao Santuário de Fátima.

Para nossa vida

A mensagem de Fátima cabe num bolso: rezar o Rosário todos os dias, oferecer pequenas penitências pelos pecadores, confiar no Coração Imaculado de Maria. Nada mais — nada menos. A Virgem não pediu aos pastorinhos visões extraordinárias, jejuns heroicos ou conhecimento teológico: pediu cinco mistérios por dia, com o coração atento aos passos do seu Filho. Em um mundo barulhento como o nosso, ela nos ensina pela boca daquelas três crianças simples que a santidade começa no terço apertado na mão, na oração que persiste mesmo quando ninguém vê. Hoje, ao recordarmos a aparição de 1917, recolha-se por alguns minutos e reze, ao menos, um terço — confiando que a Mãe que veio à Cova da Iria continua intercedendo por você e por todos os pecadores deste tempo.

Então disse Maria: Eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo se apartou dela.

Lc 1,38 (Figueiredo)

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