Et cum transisset sabbatum, Maria Magdalene, et Maria Jacobi, et Salome emerunt aromata ut venientes ungerent Jesum.
E como tivesse passado o dia de sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem emba!samar a Jesus.
2
Et valde mane una sabbatorum, veniunt ad monumentum, orto jam sole.
E no primeiro dia da semana, partindo muito cedo, chegaram ao sepulcro, quando já o sol era nascido.
3
Et dicebant ad invicem: Quis revolvet nobis lapidem ab ostio monumenti?
E diziam elas entre si: Quem mos há de revolver a pedra da bôca do sepulcro?
4
Et respicientes viderunt revolutum lapidem. Erat quippe magnus valde.
Mas olhando viram revolvida a pedra, e era ela muito grande.
5
Et introëuntes in monumentum viderunt juvenem sedentem in dextris, coopertum stola candida, et obstupuerunt.
E entrando no sepuldro viram assentado da parte direita um mancebo, vestido de roupas brancas, do que elas ficaram muito pasmadas.
6
Qui dicit illis: Nolite expavescere: Jesum quæritis Nazarenum, crucifixum: surrexit, non est hic, ecce locus ubi posuerunt eum.
le lhes disse: Não tenhais pavor, vós buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado. Ele ressurgiu, ja não está aqui; eis o lugar onde o depositaram.
7
Sed ite, dicite discipulis ejus, et Petro, quia præcedit vos in Galilæam: ibi eum videbitis, sicut dixit vobis.
Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós esperar-vos em Galiléia: Lá o vereis como ele vos disse: estas medidas, as santas mulheres não encontraram o cadáver de Jesus, apenas o lugar onde o depositaram.
A hipótese de roubo do sacrossanto cadáver é inadmissível. O sepulcro fechado por uma grande pedra, guardado pelos soldados romanos, então o roubo só podia ser perpetrado por uma das três formas — ou o subôrno, ou a fôrça, ou a astúcia, Quanto à hipótese de subôrno cai pela - base, porquanto os fariseus tinham escolhido gente sua, e não era um nem dois que ali estavam, eram muitos; como se pode admitir que todos se deixavam subornar, não obstante as recomendações: especiais do sinédrio? E se tal tivesse acontecido, qual teria sido “0 procedimento das autoridades judaicas e romanas, tão interes- sadas em impedir toda a mistificação? Não tem mais valor a segunda hipótese, que afirma que os discípulos podiam usar da violência para com-os soldados? Mas como? Quem ignora que os Apóstolos eram nimiamente tímidos, derivando essa timidez do seu caráter e da sua humilde posição? Quem igrora que os Apóstolos fugiram durante a paixão, abandonaram na hora mais crítica o Mestre? Pedro negou Jesus com juramento à voz duma mulher serva, e junto à cruz só esteve S. João. Como pretender que estes homens fossem atacar ousadamente os representantes armados do Pretório, no exercício das suas funções? E para quê? Descoberto o embuste, que provocaria um grande ruído, ficariam completamente desacreditados; escusavam de pregar que ninguém os ouviria. Pelo que respeita à astúcia, era preciso admitir que todos os soldados ' dormiam a sono sôlto, para que não sentissem o ingresso dos discípulos, a quebra dos selos, a deslocação da pe- sada pedra, etc., o que demandaria de muito tempo, de multa coragem e de muito descanso da parte dos guardas, circunstâncias impossiveis de se realizarem conjuntamente em tal ocasião. Era necessário supor tal intrepidez, . tai sangue frio, que os antecedentes não deixam admitir. Depois se tal tivesse aconteci- do, cairiam aos primeiros interrogatórios, trair-se-lam às primei- ras Investigações. E como haviam de persuadir o mundo da res- surreição de: Jesus e os seus próprios colegas do Apostolado? Como destruir a incredulidade do Apóstoio S. Tomé, que não quis acre- ditar sem ver, sem meter o dedo nas chagas? Como podiam ar- Taigar a sua convicção, firmar a sua fé tão robusta, que os fez com que se decidissem a afrontar os mais horriveis tormentos, até à morte, preferindo-a a apresentar a menor dúvida sobre a realidade da ressurreição de Jesus Cristo? Mas ainda mais seria necessário que todos os cúmplices se entendessem mútuamente, e concordassem em que, autores ou fautores da mesma intriga, te- pe | . S E elas saindo logo lugiram do sepulcro, porque as tinha assaltado O sobressalto, ec o pavor, c a mnouém disseram coisa alguma, porque estavam pessuidas de medo. riam todos que testemunhá-la com igual e iirme energia, deixando- se loucamente entregar à morte pelo prazer de assegurar o sucesso de uma mistificação, o que é absurdo admitir. E então tudo seria uma igual mistificação: a doutrina era falsa, os pregoeiros im- postores, os milagres embustes, e o mundo que se converteu um louco. Teria de se admitir que a mentira destruisse uma velha. sociedade, e que a humanidade prestasse culto à fraude. Dir-se-ia então que foi a falsidade que fez correr o sangue dos mártires, que "ocupou o espírito dos apologetas, que foi vingado pelos doutores e que encheu o deserto de penitentes; e que todos estes apóstolos, mártires, filosofos, pagãos convertidos, os mais insignes talentos não descobriram o lôgro. Haverá alguém de boa e má fé, e de são critério que possa aceitar estas consequências que derivariam naturalmente dos princípios expostos peios adversários da ressur- reição? Batidos em toda a linha lançaram mão doutro sofisma: socorreram-se da alucinação. Maria Madalena foi vitima das suas alucinações, os Apóstolos da sua credulidade. Ouçamos o próprio Renan, e transcrevamos as palavras do autor da Vie de Jesus, Pp. monde un Dieu ressuscité... Le cri: Il est ressuscité! courut parmi les disciples comme un eclair. L'amour lui fit trouver partout une creance facile”. Foram, com efeito, três mulheres que se dirigiram ao sepulcro, mas também é certo que nenhuma delas pensava na ressurreição de Jesus, porque levavam os perfumes que tenciona- vam derramar .no túmulo de Jesus. Quando não encontraram o cadáver perguntaram com espanto onde estava, e dirigindo- se Ma- dalena a Pedro e a João, não lhes anunciou a ressurreição mas dis- se-lhes que levaram o corpo de Jesus. Depois João certificou-se da ausencia do cadáver do Redentor, mas igualmente formulou a pri- meira hipótese aventada por Madalena, e certamente atribuiram ao sinédrio o sacrilego roubo. E tanto que Madalena, começou a cho- rar, considerando como mais uma tortura infligida aos discípulos de Jesus, e mais uma ofensa dirigida ao Mestre. Depois pergunta: dizei-me onde o puseram? Até aqui Madalena via tudo, acredita- va em tudo, anunciava tudo, menos que Jesus ressuscitou. Quando o viu tomou-o por um jardineiro: quando o reconheceu, acreditou com dificuldade, quis primeiro convencer de que não era vitima duma ilusão; e quando depois anuncia a ressurreição, exprime-se a mêdo. Julgue-se depois desta atitude se foi a paixão duma mu- lher alucinada que deu ao mundo um Deus ressuscitado. E a credulidade dos Apóstolos? Começaram por não acreditar nas — 2/8
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
8
At illæ exeuntes, fugerunt de monumento: invaserat enim eas tremor et pavor: et nemini quidquam dixerunt: timebant enim.
E elas saindo logo fugiram do sepulcro, porque as tinha assaltado o sobressalto, e o pavor, e a ninguém disseram coisa alguma, porque estavam possuídas de medo.
9
Surgens autem mane prima sabbati, apparuit primo Mariæ Magdalene, de qua ejecerat septem dæmonia.
E Jesus tendo ressurgido de manhã no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual ele tinha expulsado sete demônios.
10
Illa vadens nuntiavit his, qui cum eo fuerant, lugentibus et flentibus.
Foi ela noticiá-lo aos que haviam andado com ele, os quais estavam aflitos, e chorosos.
santas mulheres; no caminho de Emaús encontram o Mestre, não o reconhecem, mas confessam que Jesus está morto há três dias, que as mulheres foram ao sepulcro e não o encontraram, mas nem uma palavra só acerca da ressurreição. Onde está a nimia credu- lidade? Aparece-lhes várias vezes Jesus, e sempre eles se pertui- bam, créem ver um fantasma, julgam-se iludir, é preciso que Jesus coma com eles, fale com eles para assim se convencerem da ressur- reição. O caso de S. Tomé é frisante. Esse declara terminante- mente que não acredita, quer ver primeiro, e só depois acreditará. Onde está a demasiada credulidade? Ao contrário, parece que se obstinavam na incredulidade, e só depois de repetidas aparições se convencem. Seria crivel que tantas testemunhas, diferentes na idade, no sexo, no caráter, tivessem sido vitimas duma alucinação? Se tal hipótese fosse admitida, seria necessário renunciar a toda a certeza experimental, fechar para sempre os livros da história, duvidar de tudo, até do sol que nos alumia. Afirmar em semelhan- te êrro, uma constância e uma harmonia tão admiráveis que se comunicou depois a individuos tão diferentes na educação, na posição social, em tantos lugares e em tempos tão diversos, seria - Querer fugir de confessar um milagre pela afirmação dum outro milagre. E não se diga que as testemunhas da ressurreição qui- seram iludir o mundo, se fosse possível o mundo ser iludido! pois deram uma prova indiscutível da sua sinceridade, morreram pela fé, e é caso de se dizer com Pascal: Creio nas testemunhas que se deixam estrangular
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
11
Et illi audientes quia viveret, et visus esset ab ea, non crediderunt.
10, prenuncia a ressurreição e a glória do túmulo de Jesus.
Davi artecipou-se a Isaias Sl 16, predizendo a ressurreição do Santo por excelência, o Messias prometido. Jesus predisse que es- tarla no seio dá terra três dias e três noites, ao cabo das quais res- suscitaria Mt 12, 30-40; Mt 16, 14; Lc 11, 29; Jo 2, 18-22, e principalmente Mc 14, 28; 16, 7, em que conta que o Divino Mestre acrescentara:' Mas depois da minha ressurreição preceder- vos-ei na Galiléia. Éste texto tão simples e tão claro lança por terra a afirmação caluniosa de Renan, quando diz: “Jesus, ainda que falando incessantemente da ressurreição, nunca dissera cla- ramente que ressuscitaria em sua carne”. Les Apôtres, 1866, Pp. 1. Que mais claro de que estas palavras citadas, onde se pode encon- trar afirmação mais categórica? Por certo que não. Por isso os Apóstolos tiveram por missão principal dar ao mundo inteiro tes- temunho deste assombroso fato, tomando-o por base das suas pre- gações, e sofrendo o martírio por confessarem Jesus ressuscitado. À realidade histórica da ressurreição de Cristo prova-se com fatos in- contestáveis. Os príncipes dos sacerdotes e os fariseus tomaram precauções sérias e solenes, a fim de que se evitasse qualquer ten- tativa de roubo do Divino Crucificado. Dlrigiram-se ao sepulcro, postaram-guardas é selaram a pedra com os selos do Estado. Esta circunstância é primordial no estudo do fato que vamos analisan- do. Depois destas precauções, de todos estes cuidados e de tôdas
Notas do Pe. Antônio Pereira de Figueiredo (séc. XVIII), domínio público.
12
Post hæc autem duobus ex his ambulantibus ostensus est in alia effigie, euntibus in villam:
E depois disto se mostrou em outra forma a dois deles que iam caminhando para uma aldeia:
13
et illi euntes nuntiaverunt ceteris: nec illis crediderunt.
E estes o foram dizer aos outros, que também lhe não deram crédito.
14
Novissime recumbentibus illis undecim apparuit: et exprobravit incredulitatem eorum et duritiam cordis: quia iis, qui viderant eum resurrexisse, non crediderunt.
Finalmente apareceu Jesus aos onze, a tempo que eles estavam à mesa, e lançou-lhes em rosto a sua incredulidade, e dureza de coração, pois não haviam dado crédito aos que o viram ressuscitado.
15
Et dixit eis: Euntes in mundum universum prædicate Evangelium omni creaturæ.
E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura.
16
Qui crediderit, et baptizatus fuerit, salvus erit: qui vero non crediderit, condemnabitur.
O que crer e fôr batizado, será salvo: o que porém não crer será condenado.
17
Signa autem eos qui crediderint, hæc sequentur: in nomine meo dæmonia ejicient: linguis loquentur novis:
E estes sinais seguirão aos que crerem: Expu!- sarão os demônios em meu Nome, falarão novas linguas.
18
serpentes tollent: et si mortiferum quid biberint, non eis nocebit: super ægros manus imponent, et bene habebunt.
Manusearão as serpentes: Ii se bebereni alguma potagem mortifera, não lhes tará mal: Porão as mãos sobre os enfermos, e sararão. à
19
Et Dominus quidem Jesus postquam locutus est eis, assumptus est in cælum, et sedet a dextris Dei.
E na realidade o Senhor Jesus, depois de assim lhes haver falado, foi assunto ao Céu, onde está assentado à mão direita de Deus.
20
Illi autem profecti prædicaverunt ubique, Domino cooperante, et sermonem confirmante, sequentibus signis.
E eles tendo partido, pregaram em toda a parte, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a sua pregação com os milagres que a acompanhavam.
Fontes
Latim: Vulgata Clementina (1598/1880) — eBible.org/find/details.php?id=latVUC — public domain